sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Sentimentos natalinos

* Os primeiros sintomas do final de ano começam quando surgem aqueles períodos assustadores de entrega de trabalho. Você não preparou nada durante o semestre e, quando percebe, tem TRÊS trabalhos para a mesma semana. Uma dose extra de choro, agonia, stress e, depois de muito surtar e lutar para ter uma ideia original, a gente corre atrás de entrevistas, videos e o MovieMaker salva as nossas vidas. Estranhamente, sempre surge uma semana vazia entre essa correria e a época de provas. Você, muito consciente, acredita que realmente vai estudar nesse período (doce ilusão...)

* O problema é que a semana de testes é a última mesmo e naquela correria de cada um sair em um horário e no nervosismo pós-prova, a gente sempre esquece de pedir email de um colega, ou marcar um encontro nas férias. São coisas banais que você poderia ter feito no semestre inteiro, mas só lembra quando sente falta da pessoa e percebe que não vai encontrá-la todos os dias.

* Pior do que isso é que, só agora, surge um tempo para você lembrar: "Ih, acabou o ano". E aí? E aí que acabou, começa um novo ano logo no dia seguinte e, na bagagem, vão todas aquelas promessas registradas e que nem tiveram tempo de serem colocadas na sua agenda atarefada (e preparem-se, elas podem ficar na gaveta até 2011).

* Para completar o clima natalino, temos o terror das lojas querendo vender de tudo um pouco e sites fazendo promoções que você não pode perder. Mas eu não me preocupo mais com isso porque hoje EU vi o Papai Noel: passando em frente ao shopping, aparece no ponto de ônibus um velhinho de cabelo e barba branca, porém não aquela coisa sebosa e suja que alguns hippies preservam, era uma barba bem arrumada e fofa como algodão. O senhor, com uma mala nos ombros, subiu a rampa do shopping e eu cheguei a duvidar que era ele mesmo, já que o homem não era simpático. Enganei-me. Na saída, eu encontro o Papai Noel novamente, dessa vez batendo sininhos, com uma roupa vermelha e, quem diria, um baita sorrisão.
Hoje eu posso dizer: "Eu vi o Papai Noel, mas ele não anda de trenó. Ele vai de lotação mesmo."

(Post inútil, eu sei, foi mais para desabafar. Pelo menos, ninguém pode dizer que eu não entrei no clima do natal.)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O que Olga faria

A verdade é que eu nunca fui uma menina muito corajosa. Não sei se é timidez ou medo mesmo, mas eu não sou daquelas que puxam assunto com qualquer um, que não tem vergonha de fazer o quer, que tem coragem de desabafar tudo na cara da pessoa que não gosta muito, que tem orgulho de dizer que faz parte do grupinho tal e apoia o governo do fulano.

Na última semana eu resolvi ler Olga, e a vergonha da minha falta de coragem só tem aumentado. Se eu tenho medo de revelar e fazer umas coisas insignificantes, Olga tinha audácia de se filiar ao Partido Comunista aos 15 anos e, na semana seguinte, sair pela cidade colando cartazes proibidos pelo governo. Aquela fase da adolescência que acreditamos ser marcada por indecisões e receios não parecia ser assim para os jovens alemães. Olga saiu de casa aos 18 anos e fazia parte de um grupo quase inteiramente composto por "crianças" que, sem se sentirem intimidados, invadiram um julgamento para salvar um companheiro.
Isso tudo até a metade do livro, parte na qual Olga entra na frente do marido Prestes e, desarmada, o protege da polícia que está à caça de comunistas para serem torturados.

E a gente aqui com medo de chamar alguém para sair ou de pedir informação na rua.

domingo, 22 de novembro de 2009

Nostálgica

Ontem o Biscoito & Bolo fez um ano (uhul!). Ao contrário do que eu imaginava, dei uma olhada na minha agenda e, nesse mesmo dia, no ano passado, eu estava cheia de coisas para fazer: era semana de provas da faculdade e eu ainda queria prestar Fuvest (sem ter estudado). E, no meio da bagunça, eu resolvi abrir um blog. Pra quê?!

Antes de esse espaço existir, eu tive um blog "secreto" que foi criado na época (obscura) em que eu fiz cursinho. Eu não gostava das aulas, das piadas dos professores e nem da ideia de eu ter que fazer cursinho, contrariando todo o resto dos vestibulandos que, aparentemente, amam o estilo cursinho de ser. Estranhamente, nessa época minha lista de leitura dobrou, eu estava lendo demais e percebi que precisava armazenar todas as minhas opiniões em algum lugar. Para isso que surgiu o blog secreto.
Depois do longo semestre de cursinho, eu comecei a fazer jornalismo e em todas as palestras e aulas diziam que era uma boa ideia os alunos terem um blog. Eu resolvi sair da obscuridade e criar um blog decente e, ao menos, um pouco conhecido. Aí, sim, surgiu o Biscoito & Bolo, com o nome inspirado na clássica piadinha que eu e meus amigos faziamos no Ensino Médio: "Já terminamos o trabalho? Agora podemos ir para casa comer biscoito e bolo" (sem comentários).
Enfim, como vocês sabem pelo meu perfil e pelos próprios textos, esse negócio de blog jornalístico não deu certo: não conseguia postar toda semana um texto que meus professores fossem virar e dizer "oh, entrevistou diversas fontes para entender o fato". Acabou que os textos são muito mais o que eu penso, faço, leio e escuto. E saibam que eu prefiro assim.

Agradeço a todos os visitantes e seguidores que acompanharam as postagens. E, aproveitando, resolvi tirar aqueles biscoitos do layout porque já tinha enjoado deles. Encontrei as duas imagens no Tumblr, mas as originais pertencem a ilustradora Ozge Samanci e a Jerrod Maruyama (que faz umas imagens fofinhas ao quadrado).

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Cliques do Otto

O fotógrafo Otto Stupakoff afirmava que fazer boas imagens de pessoas famosas era algo fácil, pois elas pareceriam sensacionais naturalmente. A exposição do Instituto Moreira Salles, sobre um dos primeiros fotógrafos de moda do Brasil, mostra esse pensamento do artista: capturas humanas em que não precisa ser Tom Jobim para fazer os visitantes emocionarem-se. Um simples garoto de castigo já faz pensar sobre o mundo.O profissional trabalhou em revistas como a Life, nos Estados Unidos, e a Vogue, na França. Mesmo as fotografias de moda mostram um lado sensível em que modelos são colocadas em ambientes bucólicos e rotineiros, como uma praia ou a janela olhando aquilo que se passa na rua. As fotos de celebridades seguem o mesmo caminho.Engana-se aquele que acha que essa simplicidade com glamour só é possível com personagens famosos. O acervo também possui imagens de crianças, mulheres e homens comuns em atividades do cotidiano. Um entregador de bebidas é modelo para uma fotografia em que ele brinca com um cachorrinho; a moça com a bicicleta torna-se o ponto central de uma imagem mostrando a natureza.
Otto Stupakoff retratou e conviveu com tantas pessoas em suas fotografias, mas viveu seus últimos dias sozinhos, em São Paulo, onde nasceu e morreu, aos 73 anos, em abril deste ano. A qualidade do fotógrafo não está somente nas mundialmente conhecidas imagens de moda. A cada clique, Stupakoff conseguia retratar a humanidade, seus dilemas e hábitos mais comuns e, dessa forma, atingir os pensamentos e emoções mais profundas de cada um de nós.Obs: Esse "momento útil do blog" tinha que ser postado na quarta, mas a internet não colaborou. Fica aqui a dica: é só colocar "Otto Stupakoff" no Google e aproveitar as belas imagens. Agradecimentos a Raquel que me ajudou a arrumar a fonte da postagem.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Eu, fotógrafo

Muitos acreditam na atual banalização da fotografia. Tirar muitas fotos não é tornar esta arte um nada, são as imagens mal pensadas - ou nem pensadas - que levam a banalização.
As fotos com câmeras analógicas e filmes exigiam uma concentração maior daquele que não queria perder o suado dinheirinho gasto no negativo e, depois, na revelação. Uma foto, essa era a sua oportunidade. Mais do que isso significaria perder uma imagem para conseguir outra, talvez, perfeita. Todos que tiravam uma fotografia pensavam, elaboravam o sentido que dariam ao mundo naquelas poucas figuras.
O ser humano não perdeu esse talento em reconhecer o belo e de pensar antes de agir, mas optou pela preguiça. Aquela foto tirada em frente o espelho do banheiro fazendo biquinho não ficou boa da primeira vez? É só apagar e tirar outra, e outra, e outra... Os aniversários tornaram-se álbuns virtuais gigantescos com poucas imagens que traduzem a verdadeira felicidade do momento.
Não importa a mídia utilizada - se você ainda curte aqueles flashes enormes e os negativos ou prefere a câmera do celular - a fotografia é e sempre será um instante congelado da sua vida e do mundo. As formas, as cores, os personagens, os lugares, os objetos e tudo naquele retângulo é um segundo registrado do seu dia a dia e cabe ao fotógrafo (que pode ser qualquer um) trabalhar corretamente com aquela imagem para transmitir uma mensagem aqueles que a veem sem ter que apelar para o photoshop. A fotografia, acima de tudo, é uma arte e deve ser tratada como tal: dedicando-lhe o devido tempo e dedicação para torná-la inesquecível.