sábado, 3 de setembro de 2011

The Yard

 
The Yard é uma inteligentíssima minisérie produzida pela HBO Canadá que coloca os maiores problemas do mundo moderno dentro do pátio de uma escola onde as crianças precisam solucionar dilemas de “gente grande”, como contrabando e luta por territórios, adaptados as suas realidades.
Não é uma série que trata as crianças como adultos, colocando os problemas reais para eles solucionarem; tão pouco é uma série infantil para discutir os dilemas mais cabeludos com os pequenos. The Yard muda o ambiente do problema, mas ele ainda é o mesmo e é por causa dessas analogias que esses seis episódios de 30 minutos são tão geniais.
O pátio em questão é administrado por Nick, líder por natureza e que busca o bem estar de todas as crianças. Ele conta com a ajuda de Johnny (seu melhor amigo que se acha mágico e é apaixonado por todas as meninas), Suzi (aquela que cuida dos problemas que não podem ser resolvidos através da conversa) e seus irmãos mais novos J.J. (o cérebro da equipe) e Adam (mascote). A pedra no sapato de Nick é Frankie que, com a ajuda dos irmãos Costela e Mickey, só quer ganhar dinheiro e participa dos negócios mais obscuros do parque, esperando a oportunidade em que poderá conquistar a liderança.

A partir desta premissa simples é que a diversão começa. Os episódios levam o título do assunto, por exemplo, The Economy (1x01) discute a lei de oferta e procura, a bolsa de valores e até a inflação; Girls vs. Boys (1x02) propõe um debate sobre os papeis femininos e masculinos; The Territories (1x03) é um episódio incrível discutindo a luta por territórios e faz referência principalmente ao conflito Israel e Palestina, mostrando que brigas assim podem não ter fim; The Catcher (1x04) debate sobre o contrabando de drogas (no caso, sanduíches de amendoim); The Great Compromise (1x05) questiona as empresas estatais e privatizadas e seus objetivos, colocando, de quebra, questões sobre impostos para a saúde, por exemplo; o último episódio, Big Business (1x06) abrange o tema livre mercado, agências reguladoras e até problemas ambientais provocados por grandes empresas.
São assuntos complicados, mas com certeza você irá entendê-los depois de assistir The Yard, afinal, essa é a série em que crianças do primário são mais inteligentes, afiadas e irônicas do que você. São somente três horas aproveitadas com esses episódios curtinhos e depois você não vai mais achar que as crianças saem para o recreio só para brincar.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

BlogDay 2011

Championship Vinyl (Rob Gordon): eu lembro de ter descoberto o Championship, coincidentemente, através do #blogday do ano passado com a postagem da Anna Victória. O Championship tem textos envolvendo a missão mais básica de um blog: ser seu diário, contar sobre a sua semana; Rob Gordon transforma o "cotidiano" - que nem sempre é tão rotineiro assim - em uma obra épica. Os textos são envolventes e muito bem escritos (tanto que já renderam dois livros) e é impossível chegar e não ler mais de uma postagem.

A biblioteca de Raquel (Raquel Cozer): se você gosta de livros esse é um paraíso em forma de blog. Raquel é jornalista do Sabático, caderno especializado em literatura do jornal Estadão, e divulga várias notícias interessantes sobre o mundo literário e o mercado editorial na Biblioteca. Também vale a pena segui-la no twitter para acompanhar a cobertura de alguns eventos literários e aproveitar os GIFs do dia.

[manual prático de bons modos em livrarias] (hillé): outro paraíso, desta vez mais cômico, para aqueles que amam as livrarias. O manual prático traz as desventuras de uma livreira que precisa aguentar aqueles "apaixonados" por literatura que soltam as pérolas: "- oi, tem o livro 'os homens que não amavam as mulheres super poderosas'? " ou "- oi, eu queria aquele livro lá, 'quando freud entristeceu'." Gaste uma hora por dia lendo esses causos e seja uma pessoa mais feliz.

A series of serendipity (Melina de Souza): primeiro foram as fotos do FlickR, que já eram fofuras o bastante para um ano inteiro, mas aí surgiu o blog com alguns dos textos mais meigos de toda a blogosgera. A Melina divide suas fotografias com tons pastéis, suas dicas de moda, artesanato e culinária e toda sua doçura através desse espaço que vem cheio de ideias criativas para deixar seu dia também mais apaixonante.

Terapia HQ (Rob Gordon, Marina Kurcis, Mario Cau): ok, não é um blog, é uma webcomic, mas é tão boa que merece a divulgação. Escrita pelo Rob Gordon (o mesmo do Championship) e pela Marina Kurcis, a HQ invade uma sessão de terapia e mostra os diálogos entre o psicólogo e seu "paciente" cuja única esperança na vida se encontra no blues. Os desenhos são de Mario Cau que arrebenta não só nos traços como nas mensagens que insere nos quadrinhos e que complementam a trama.

MENÇÃO HONROSA: Vida em Crônicas (Vagner de Alencar): um blogueiro que eu tenho a honra de conhecer e conviver. Vagner conta suas histórias desde a infância na Bahia até as conversas recentes roubadas de outras vidas que circulam o transporte público. Os textos são leves, porém com um jeito jornalístico que mostra que o baiano escolheu a carreira certa.

(ok, eu sei que o #blogday foi ontem, mas queria participar da brincadeira mesmo assim)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Efeitos colaterais do sono

(Teste realizado no dia 03 de Agosto)

TESTE 1: Chegar no horário (7h30) na faculdade

Obstáculos: Primeiro dia de aula do último ano

A cobaia, também conhecida como Bárbara, sai de casa faltando cinco minutos para as 7h e espera para tomar o ônibus. O primeiro que passa está muito lotado, então ela olha no relógio: “São 7h10, posso esperar um ônibus mais vazio”.

Ela precisa chegar às 7h30 na faculdade.

A cobaia se prepara para subir no ônibus e olha novamente para o horário: “São 7h20, ainda faltam 40 minutos para a aula, tenho tempo”. A cobaia cogita até mudar o horário do ônibus, já que ela não se lembra porque saia de casa tão cedo.

Relembrando, ela precisa chegar às 7h30 na faculdade.

A cobaia está sentada no ônibus e olha o relógio pela última vez naquele período. São 7h40.
A cobaia acorda para o engano: “EU ENTRO ÁS 7H30 NA FACULDADE, NÃO ÁS 8H! O QUE EU ESTOU FAZENDO?!” É tarde demais para saltar do ônibus e sair correndo em direção a faculdade.

CONCLUSÕES: o sono pode fazer com que você confunda o seu horário de entrada da faculdade mesmo que ele seja o mesmo há três anos. Não se preocupe, ainda tem um ano para você chegar ás 7h30, mas vai continuar com sono.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Aplausos para "Orgulho e Preconceito"


Quando estava para entrar na plateia do Teatro Cultura Inglesa, em São Paulo, para assistir Orgulho e Preconceito, cogitei o quanto emocionada ficaria quando a peça começasse. Não imaginava que assim que o casal Bennet entrasse conversando sobre o futuro de suas cinco filhas eu teria uma lágrima escondida no canto do olho. Lágrima não de tristeza, mas de pura emoção por ver a história de Elizabeth e Darcy se desenvolvendo ali na minha frente.

Produção do grupo Fora de Foco, Orgulho e Preconceito traduz o universo desse clássico da Jane Austen com delicadeza e humor, atraindo tanto as já aficionadas fãs da obra como aqueles que a desconhecem. O elenco é, em sua maioria, bastante jovem e amadurecendo na carreira e trazem com perfeição os personagens, interpretando-os como sempre os imaginamos.

É perceptível que a peça não se prendeu somente ao livro, mas visitou outras adaptações de Orgulho e Preconceito. Desde os figurinos – lindíssimos! – até a trilha sonora trazem elementos tanto da série da BBC de 1995 quanto do filme de 2005, pontos que traduzem o esforço com que eles pesquisaram e procuraram referências para a produção. Também não esperava ver os bailes sendo tão lindamente coreografados ali no palco.



O texto modifica na medida certa aqueles diálogos que poderiam causar dificuldade de entendimento durante a peça. Achei ótimo terem mantido referências à época e aos costumes (como a hierarquia, as restrições a certos direitos as mulheres, etc.) e não dar destaque só ao romance, afinal, Jane Austen oferece muito mais que somente uma história de amor.

Infelizmente, Orgulho e Preconceito encerrou sua temporada no último fim de semana. Torço para que eles retornem para São Paulo ou outras cidades do país. Eu assistiria novamente e tenho certeza que não faltam Janeites para apreciar esse espetáculo.
(Maiores informações e fotos no Jane Austen em Português)