terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Capitu

Eu li Dom Casmurro duas vezes (pretendo ler mais dez, se possível): a primeira faz uns dois anos e, ao terminar, eu estava convicta de que Capitu tinha traído, não havia dúvidas. A segunda vez foi no começo deste ano e foi aí que eu fiquei confusa. Não achava mais que Capitu tivesse traído, então por que tinha achado isso antes? Bom, antes que eu ficasse louca com esse dilema, decidi que Machado era mais do que isso e que não adiantava EU tentar entendê-lo depois de 200 anos sem ninguém entender. Por essas e outras que eu fico preocupada com essas adaptações de Dom Casmurro: lendo o livro dá para perceber que não se sabe nada sobre a traição, não sobrou ninguém só o (chato) Casmurro que é corroido pelo ciúmes, sendo assim, por que sempre colocam a Capitu como uma menina que planejava a traição desde os 14 anos?
Fui assistir a minisérie preocupada, mas, depois do primeiro capítulo, nem pensei mais nisso. Mostraram o romance do Bentinho com ela tão sincero e inocente que a traição passava longe dali. A cena da varanda é um exemplo disso, ficou linda, talvez até mais que a do beijo. Sem falar que essa é minha metade preferida do livro, é a parte que eu acho o Bentinho simpático, meio bobo, mas legal. Quando começa o seminário e, pior, quando ele vai para São Paulo, aí já não o aturo mais e acho que tudo é culpa dele (comentário meio preconceituoso...).
O único porém foi o Escobar. Eu amo o Escobar, acho o máximo o discurso das "idéias aritméticas" mesmo não concordando com metade do que ele diz. Depois da entrada triunfal com a música do Iron Man e ainda a amizade entre ele e Bentinho sendo retratada tão bem, achei que estaria tudo certo. Mas este Escobar tinha um "quê" de malvado, a culpa da separação do casal principal parecia ser toda dele. Tudo bem que ele não é a melhor pessoa do mundo, mas eu quero defendê-lo porque, para mim, isso não ficou bem explicado e ele aparentava ser o vilão da história.
Mas o que realmente importa é que foi uma minisérie linda, puro teatro na tv (para quem esperava as ruas de Itaguaí retratadas como são deve ter dado com a cara no muro) e a atuação do Michel Melamed me fez até gostar um pouco do Casmurro. A trilha sonora soou estranha no começo (concerto de Tchakovisky mesclado com heavy metal, hum...) porém nada que não tenha me acostumado. Sem falar das várias cenas que ficaram marcadas, além das que comentei, a do Ezequiel caindo na rua e aparecendo um caixão branco no lugar dele foi chocante oO.

Um comentário:

Jana Barreto disse...

foi uma das série 'globalescas' que eu mais gostei. achei tudo tão lindo e bem feito... guardo com carinho o DVD dessa minisérie.