quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

E ano novo também

Assistir as retrospectivas na TV faz com que eu quebre um pouco a ideia de que um ano é muito tempo. Fico imaginando "Nossa, parece que isso foi ontem!"; mas, dali a pouco, sai um "Pensando bem, faz um tempão mesmo". Dez anos, então, se eu não analisar direito, parecem uma eternidade.
Talvez porque essa década tenha sido a de maiores mudanças da minha vida (inteira, não até hoje), aquela idade em que tudo acontece, tudo muda. Eu tinha 10 anos, sai do Ensino Fundamental, entrei no Ensino Médio, tive que escolher uma carreira , entrei na faculdade. Muitos colegas passaram, muitas pessoas sumiram, muitos amigos surgiram, nem todos permaneceram. Tive que fazer muitas provas, descabelar-me com os estudos diversas vezes, aprender a crescer.
Mesmo que em 2010 eu chegue a "idade adulta" (não me sentindo muito adulta...), tenho certeza que sempre vou lembrar dessa década. Não importa os empregos que eu vá aceitar, os trabalhos de fim de semestre que terei que entregar, os novos amigos que farei, os "velhos" amigos que continuarei a encontrar, os lugares que conhecerei, os livros que lerei: não importa, sempre vou lembrar da década que começou com a falsa virada do século.

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Aproveito para desejar a todos os leitores um feliz 2010! Aproveitem bastante, comam muito nesse réveillon, leiam muito no ano que vem... Enfim, façam muito aquilo que vocês gostam de fazer (não sou boa para votos de felicidade).

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Saldo 2009

Mais uma vez venho colocar a listinha com os livros que li durante o ano. O Biscoito e Bolo é um arquivo, por isso acho digno postar essa lista para, daqui muitos anos, quando eu tiver uma biblioteca imensa e for velhinha, eu realmente recorde meus pensamentos literários.
Enfim, já enrolei todo mundo (as férias revelam esse meu lado criativo) e vamos à lista com os links para os comentários que eu fiz por aqui:

Várias histórias (Machado de Assis)
Esse eu li só porque queria algo leve. Foi tão leve que não lembro uma história completamente, só recordo que gostei. Admito, foi uma leitura desleixada e Machado não se orgulharia.
A Mediadora - Terra das Sombras (Meg Cabot)
Li no começo do ano e até agora não peguei o segundo volume. Vamos ver se em 2010 leio mais um...
Emma (Jane Austen)
Mr. Knightley, precisa falar mais?
O que é ser jornalista (Ricardo Noblat)
Eu gostei mais de A arte de fazer um jornal diário, que eu li em 2008. Este era um "manual" para o jornalismo, o deste ano era mais como uma biografia. Não deixa de ser um bom livro.
O cão dos Baskerville (Arthur Conan Doyle)
Não sei se é regra isso (foi o primeiro Conan Doyle que li), mas espero mais Sherlock e menos Watson da próxima vez.
Avalon High (Meg Cabot)
Gostei, tanto que está autografado, haha.
Peter Pan (James Barrie)
É bonitinho e eu sempre tenho esse momento "conto de fadas" no ano.
Lucíola (José de Alencar)
Neutro que nem foi com Diva; Senhora continua soberana sobre as duas.
Mansfield Park (Jane Austen)
Fanny foi a protagonista austeniana mais parecida comigo e o livro até rendeu uma peça de teatro (quase...).
Romeu e Julieta (Shakespeare)
Gostei, mas não foi maravilhoso. Deveria ter lido Hamlet já que eu estava no período Som e Fúria.
O Caçador de Pipas (Khaled Hosseini)
Esse foi ótimo! Mesmo, recomendo para qualquer um e, talvez, tenha sido o melhor do ano.
O diabo veste Prada (Lauren Weisberg)
Como colocam no twitter: #fail. Esperava mais.
A escrava Isaura (Bernardo Guimarães)
Neutro, sem grandes comentários.
Orgulho e Preconceito (Jane Austen)
Sempre bom, na segunda vez melhor ainda.
Olga (Fernando Morais)
Foi tão bom quanto A Ilha. Ambos mostram esse lado jornalista, pesquisar e aprofundar-se em um assunto para falar sobre ele, ter certeza dos fatos.
O mundo de Sofia (Jostein Gaarder)
Terminei ontem, esse merece um post.

Foram esses os livros, fora aqueles para a faculdade que ocuparam boa parte do meu tempo de leitura no ônibus. Do que eu prometi ano passado só cumpri ler a Bíblia em um ano (uhul). Falta Persuasão para completar o sexteto Jane Austen e nem encostei em C.S.Lewis. Não vou prometer nada, por enquanto, vamos ver o que eu consigo ler no, aparentemente, atarefado 2010.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

25/12

Diferente de muita gente, eu consigo postar o "Feliz Natal" no dia 25 de dezembro. O natal aqui em casa, geralmente, é com a família se reunindo na casa de algum tio, na mesma cidade, há 1h30m de distância.
Esse ano eu estava em um desânimo só. Fui montar a árvore no dia 24, só me toquei do natal quando faltavam alguns dias para a festa. Antes da ceia, minha avó foi fazer uma oração e, pode parecer clichê, mas foi quando eu lembrei o quanto o natal é importante.
Eu sei que muita gente que lê esse blog não acredita nas mesmas coisas que eu, mas quando eu ouvi aquelas palavras que um dia Jesus tinha vindo até a terra, nascido e morrido por causa de mim, foi quando eu lembrei que o natal não é qualquer dia e é muito mais que uma comemoração.

Por isso, eu desejo a todos que leem meus posts e comentários aqui, que esse sentimento lindo e gostoso do Natal permaneça por muito tempo. Que não seja só mais uma festa, mas que possamos aproveitar cada momento com a família, os amigos e a felicidade que vem junto. Que o coração de vocês se sinta aquecido todo dia. Feliz Natal!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A vida é uma entrevista

Esse semestre eu assisti a uma palestra com a Ana Paula Padrão (diretório chique...) e, logo no início, ela disse que o primeiro mito que gostaria de destruir era aquele que dizia que o jornalista não poderia ser tímido e precisava ser muito extrovertido. Eu quase quis pular no palco e dar um abraço nela, porque isto tinha tudo a ver comigo.
Eu nunca fui a pessoa mais animada e envolvida em eventos socias e, acreditem, isso é complicado em Comunicação, curso conhecido por ser o mais baladeiro (essa fama se estende em diversas Universidades, até onde eu sei). Se não bastasse esse fato, quando eu digo que faço Jornalismo muita gente já solta um: "Ah, mas para isso precisa ser bem... comunicativo", nas entrelinhas, "coisa que você não é". Estranhamente, nas (poucas) entrevistas que eu tive que fazer, não me senti muito acanhada. Na realidade, acho que eu até canso um pouco os entrevistados com a quantidade de perguntas e fico surpresa como eu sou curiosa.
Por isso, se eu tiver alguma promessa para 2010 será: "fazer da vida uma entrevista". Sim, tratar a todos como entrevistados e eu como a necessitada de informações a procura de novidades. Fazer muitas perguntas e, assim, não deixar o assunto acabar. Já me vejo como uma pessoa mais simpática, sociável e bem recebida em festas, eventos e tapetes vermelhos.

Como minhas promessas dificilmente são cumpridas (essa, principalmente, por ser um pouco fria com a humanidade) e eu sou mais legal na internet, só deixo uma ameaça: preparem o formspring.me de vocês, ano que vem estarei pronta para bombardear perguntas, muahaha.

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Aproveito esse post para divulgar o projeto "12 Livros em 12 Meses" promovido pela Paula, do blog Canetas Coloridas. Maiores informações aqui ou no selo ali embaixo da sidebar.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Errando...

O tempo não cura problemas, só faz pensar.
Na hora do desespero a gente fala besteira, toma as piores decisões, entra em pânico. Erra. Dez minutos depois, a consciência volta ao normal e você percebe que deveria ter feito tudo de outra forma. Você se arrepende, não se perdoa.
Passado o choro e o stress, você se conscientiza que não dá para mudar o que foi feito. Pensa um pouco na forma que agiu, coloca a culpa em você mesmo, nos colegas, no mundo. Isso não dá certo e você chega à conclusão que precisa aceitar os erros como uma lição. Segue em frente e tenta não cometer as mesmas bobeiras de uns tempos atrás.
Porém, outras burrices surgem no caminho. Novos erros surgem, a caminhada de tristeza recomeça e, de repente, damos conta de que aquele erro (aquele do início do post que você esperneou) não era o primeiro ou o último e, menos ainda, o pior defeito da sua vida.
Só o tempo ensina a perceber que os problemas não são tão horripilantes e indecifráveis como parecem. Só o tempo faz a gente pensar nos erros e tentar não os cometer pela segunda vez. Só o tempo nos deixa chorar, desabafar e dá minutos para que possamos pensar em coisas piores que poderiam ter acontecido e como somos felizes por termos só aqueles "probleminhas".

EDIT: Fiquei em terceiro lugar na 64º semana do Blorkutando. Obrigada!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Cliques do Bresson

Henri Cartier-Bresson é um dos mais famosos nomes da fotografia por causa de seu estilo único e inovador para os moldes da época. Nasceu na França, em 1908, e, quando jovem, interessou-se pela arte, principalmente o Surrealismo.
Em 1931, ele começou a se interessar por fotografia (alguns dizem que ele foi inspirado por essa fotografia de Martin Muncacski, mas eu não encontrei dados que confirmassem) e, em 1933, conheceu a Leica. Esta câmera de 35mm já era famosa entre jornalistas e fotógrafos por ser pequena e silenciosa, e, por isso, permitir aos profissionais fotografar sem atrapalhar alguém ou um evento que esteja acontecendo.
Bresson utilizou a Leica para aquilo que hoje costumamos utilizar a câmera do celular: capturar flagrantes. Seus cliques são inesperados e impossíveis de serem captados por uma segunda vez. É, realmente, a mágica da fotografia que é guardar e registrar um instante da vida. Enquanto alguns profissionais limitavam-se a fazer um retrato, o fotógrafo inovou, como tinha aprendido com os Surrealistas, e começou a armazenar momentos inusitados, a vida e as expressões das mais diferentes pessoas.
Henri Cartier-Bresson trabalhou para revistas como a Life, a Vogue e a Harper's Bazaar e, assim, viajou para Índia, Europa Ocidental, Estados Unidos, China, entre outros países. Morreu na França, em 2004.
Os flagrantes, que hoje parecem tão fáceis de serem capturados, na década de 30 eram uma novidade. A diferença é que, ás vezes, com tanta tecnologia ao nosso dispor, esquecemos do valor estético da imagem, atributo que nas fotografias de Bresson nunca falta. Estes flagrantes só tornam-se uma arte quando também são belos e bem criados; quando no ato de fotografar colocamos "na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração" como diria Henri Cartier-Bresson.Eu gostei daquele post Cliques do Otto e por isso resolvi falar sobre mais um fotógrafo. Sempre que encontrar alguém com imagens interessantes, coloco por aqui. Ainda sobre Cartier-Bresson, recomendo essa galeria só com retratos feitos por ele.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Sobre capas e adolescentes

Em uma das idas a Livraria Cultura, deparei-me com essa edição americana de Orgulho e Preconceito. Sempre achei essas capas escuras muito bonitas. Por exemplo, não li Crepúsculo, mas acho as capas bem legais com aqueles tons de vermelho e preto. E foi pensando nisso que notei a semelhança das flores com as flores da capa de Lua Nova.
É uma versão (bem sucedida, diga-se de passagem) com o intuito de chamar a atenção dos leitores da Stephanie Meyer. A edição vem com o texto integral de O&P e uns extras como um teste para descobrir qual irmã Bennet você é (a Capricho se orgulharia), 10 curiosidades sobre Jane Austen e um perfil no Facebook da Elizabeth e do Darcy (com direito a O Diário de Bridget Jones entre os filmes favoritos).
A coleção ainda tem Romeu e Julieta e O Morro dos Ventos Uivantes com uma "discreta" etiqueta: "O livro favorito de Edward e Bella". Sou muito mais essas edições do que sair colocando zombies e monstros marinhos nos clássicos (aliás, eu acertei Emma e lobisomens, mas passei longe de Mansfield Park e múmias. Prefiro minha versão com vampiros).E, assim, a gente também espera que, com tantas edições dos livros da Jane Austen, as capas se afastem daquele típico tema guardanapo de cozinha com fotos e desenhos de flores sem graça. Uma coleção linda é essa da One World Classic (via Jane Austen Club) com fotografias bem delicadas nas capas. E, abaixo, mais algumas imagens (via Jane Austen em português) para fazer qualquer um assaltar uma livraria (essa segunda é um sonho de consumo só por causa da ilustração):
PS: Pode ser mais um post para minhas teorias litérárias (1, 2, 3) Gostei disso :)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Sentimentos natalinos

* Os primeiros sintomas do final de ano começam quando surgem aqueles períodos assustadores de entrega de trabalho. Você não preparou nada durante o semestre e, quando percebe, tem TRÊS trabalhos para a mesma semana. Uma dose extra de choro, agonia, stress e, depois de muito surtar e lutar para ter uma ideia original, a gente corre atrás de entrevistas, videos e o MovieMaker salva as nossas vidas. Estranhamente, sempre surge uma semana vazia entre essa correria e a época de provas. Você, muito consciente, acredita que realmente vai estudar nesse período (doce ilusão...)

* O problema é que a semana de testes é a última mesmo e naquela correria de cada um sair em um horário e no nervosismo pós-prova, a gente sempre esquece de pedir email de um colega, ou marcar um encontro nas férias. São coisas banais que você poderia ter feito no semestre inteiro, mas só lembra quando sente falta da pessoa e percebe que não vai encontrá-la todos os dias.

* Pior do que isso é que, só agora, surge um tempo para você lembrar: "Ih, acabou o ano". E aí? E aí que acabou, começa um novo ano logo no dia seguinte e, na bagagem, vão todas aquelas promessas registradas e que nem tiveram tempo de serem colocadas na sua agenda atarefada (e preparem-se, elas podem ficar na gaveta até 2011).

* Para completar o clima natalino, temos o terror das lojas querendo vender de tudo um pouco e sites fazendo promoções que você não pode perder. Mas eu não me preocupo mais com isso porque hoje EU vi o Papai Noel: passando em frente ao shopping, aparece no ponto de ônibus um velhinho de cabelo e barba branca, porém não aquela coisa sebosa e suja que alguns hippies preservam, era uma barba bem arrumada e fofa como algodão. O senhor, com uma mala nos ombros, subiu a rampa do shopping e eu cheguei a duvidar que era ele mesmo, já que o homem não era simpático. Enganei-me. Na saída, eu encontro o Papai Noel novamente, dessa vez batendo sininhos, com uma roupa vermelha e, quem diria, um baita sorrisão.
Hoje eu posso dizer: "Eu vi o Papai Noel, mas ele não anda de trenó. Ele vai de lotação mesmo."

(Post inútil, eu sei, foi mais para desabafar. Pelo menos, ninguém pode dizer que eu não entrei no clima do natal.)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O que Olga faria

A verdade é que eu nunca fui uma menina muito corajosa. Não sei se é timidez ou medo mesmo, mas eu não sou daquelas que puxam assunto com qualquer um, que não tem vergonha de fazer o quer, que tem coragem de desabafar tudo na cara da pessoa que não gosta muito, que tem orgulho de dizer que faz parte do grupinho tal e apoia o governo do fulano.

Na última semana eu resolvi ler Olga, e a vergonha da minha falta de coragem só tem aumentado. Se eu tenho medo de revelar e fazer umas coisas insignificantes, Olga tinha audácia de se filiar ao Partido Comunista aos 15 anos e, na semana seguinte, sair pela cidade colando cartazes proibidos pelo governo. Aquela fase da adolescência que acreditamos ser marcada por indecisões e receios não parecia ser assim para os jovens alemães. Olga saiu de casa aos 18 anos e fazia parte de um grupo quase inteiramente composto por "crianças" que, sem se sentirem intimidados, invadiram um julgamento para salvar um companheiro.
Isso tudo até a metade do livro, parte na qual Olga entra na frente do marido Prestes e, desarmada, o protege da polícia que está à caça de comunistas para serem torturados.

E a gente aqui com medo de chamar alguém para sair ou de pedir informação na rua.

domingo, 22 de novembro de 2009

Nostálgica

Ontem o Biscoito & Bolo fez um ano (uhul!). Ao contrário do que eu imaginava, dei uma olhada na minha agenda e, nesse mesmo dia, no ano passado, eu estava cheia de coisas para fazer: era semana de provas da faculdade e eu ainda queria prestar Fuvest (sem ter estudado). E, no meio da bagunça, eu resolvi abrir um blog. Pra quê?!

Antes de esse espaço existir, eu tive um blog "secreto" que foi criado na época (obscura) em que eu fiz cursinho. Eu não gostava das aulas, das piadas dos professores e nem da ideia de eu ter que fazer cursinho, contrariando todo o resto dos vestibulandos que, aparentemente, amam o estilo cursinho de ser. Estranhamente, nessa época minha lista de leitura dobrou, eu estava lendo demais e percebi que precisava armazenar todas as minhas opiniões em algum lugar. Para isso que surgiu o blog secreto.
Depois do longo semestre de cursinho, eu comecei a fazer jornalismo e em todas as palestras e aulas diziam que era uma boa ideia os alunos terem um blog. Eu resolvi sair da obscuridade e criar um blog decente e, ao menos, um pouco conhecido. Aí, sim, surgiu o Biscoito & Bolo, com o nome inspirado na clássica piadinha que eu e meus amigos faziamos no Ensino Médio: "Já terminamos o trabalho? Agora podemos ir para casa comer biscoito e bolo" (sem comentários).
Enfim, como vocês sabem pelo meu perfil e pelos próprios textos, esse negócio de blog jornalístico não deu certo: não conseguia postar toda semana um texto que meus professores fossem virar e dizer "oh, entrevistou diversas fontes para entender o fato". Acabou que os textos são muito mais o que eu penso, faço, leio e escuto. E saibam que eu prefiro assim.

Agradeço a todos os visitantes e seguidores que acompanharam as postagens. E, aproveitando, resolvi tirar aqueles biscoitos do layout porque já tinha enjoado deles. Encontrei as duas imagens no Tumblr, mas as originais pertencem a ilustradora Ozge Samanci e a Jerrod Maruyama (que faz umas imagens fofinhas ao quadrado).

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Cliques do Otto

O fotógrafo Otto Stupakoff afirmava que fazer boas imagens de pessoas famosas era algo fácil, pois elas pareceriam sensacionais naturalmente. A exposição do Instituto Moreira Salles, sobre um dos primeiros fotógrafos de moda do Brasil, mostra esse pensamento do artista: capturas humanas em que não precisa ser Tom Jobim para fazer os visitantes emocionarem-se. Um simples garoto de castigo já faz pensar sobre o mundo.O profissional trabalhou em revistas como a Life, nos Estados Unidos, e a Vogue, na França. Mesmo as fotografias de moda mostram um lado sensível em que modelos são colocadas em ambientes bucólicos e rotineiros, como uma praia ou a janela olhando aquilo que se passa na rua. As fotos de celebridades seguem o mesmo caminho.Engana-se aquele que acha que essa simplicidade com glamour só é possível com personagens famosos. O acervo também possui imagens de crianças, mulheres e homens comuns em atividades do cotidiano. Um entregador de bebidas é modelo para uma fotografia em que ele brinca com um cachorrinho; a moça com a bicicleta torna-se o ponto central de uma imagem mostrando a natureza.
Otto Stupakoff retratou e conviveu com tantas pessoas em suas fotografias, mas viveu seus últimos dias sozinhos, em São Paulo, onde nasceu e morreu, aos 73 anos, em abril deste ano. A qualidade do fotógrafo não está somente nas mundialmente conhecidas imagens de moda. A cada clique, Stupakoff conseguia retratar a humanidade, seus dilemas e hábitos mais comuns e, dessa forma, atingir os pensamentos e emoções mais profundas de cada um de nós.Obs: Esse "momento útil do blog" tinha que ser postado na quarta, mas a internet não colaborou. Fica aqui a dica: é só colocar "Otto Stupakoff" no Google e aproveitar as belas imagens. Agradecimentos a Raquel que me ajudou a arrumar a fonte da postagem.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Eu, fotógrafo

Muitos acreditam na atual banalização da fotografia. Tirar muitas fotos não é tornar esta arte um nada, são as imagens mal pensadas - ou nem pensadas - que levam a banalização.
As fotos com câmeras analógicas e filmes exigiam uma concentração maior daquele que não queria perder o suado dinheirinho gasto no negativo e, depois, na revelação. Uma foto, essa era a sua oportunidade. Mais do que isso significaria perder uma imagem para conseguir outra, talvez, perfeita. Todos que tiravam uma fotografia pensavam, elaboravam o sentido que dariam ao mundo naquelas poucas figuras.
O ser humano não perdeu esse talento em reconhecer o belo e de pensar antes de agir, mas optou pela preguiça. Aquela foto tirada em frente o espelho do banheiro fazendo biquinho não ficou boa da primeira vez? É só apagar e tirar outra, e outra, e outra... Os aniversários tornaram-se álbuns virtuais gigantescos com poucas imagens que traduzem a verdadeira felicidade do momento.
Não importa a mídia utilizada - se você ainda curte aqueles flashes enormes e os negativos ou prefere a câmera do celular - a fotografia é e sempre será um instante congelado da sua vida e do mundo. As formas, as cores, os personagens, os lugares, os objetos e tudo naquele retângulo é um segundo registrado do seu dia a dia e cabe ao fotógrafo (que pode ser qualquer um) trabalhar corretamente com aquela imagem para transmitir uma mensagem aqueles que a veem sem ter que apelar para o photoshop. A fotografia, acima de tudo, é uma arte e deve ser tratada como tal: dedicando-lhe o devido tempo e dedicação para torná-la inesquecível.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Orgulho e Preconceito (Jane Austen)

(Contem spoilers do livro, série, filme...)

Jane Austen, pelo menos escrevendo, era mesmo incrível. E não duvido que fosse diferente disso na vida real. Ela conseguiu colocar em seus livros os sentimentos, as imagens e acontecimentos tanto da sociedade do século XVIII como da vida dela. Por tudo o que li e assisti sobre Jane (não foi tanto assim) imagino que ela era muito mais uma Elizabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito, do que uma Fanny Price (como eu me imagino às vezes).
Elizabeth (Lizzie) é a segunda filha de uma família com cinco meninas. Mesmo com pais não muito abastados, as garotas estariam a salvo com casamentos que lhes trouxessem benefícios (e não estamos falando de felicidade matrimonial, é sustento mesmo). O que deixa a Sra. Bennet desesperada é que, por exemplo, a mais velha das filhas, Jane, já passou dos 20 anos e ainda não arrumou um pretendente. Quem dirá as demais, principalmente Lizzie que não aceita casar-se com qualquer um só por causa de um bom dote.
Lizzie não é simplesmente a boa menina, ela tem consciência da realidade e encara os fatos do dia a dia com maturidade (diferente das irmãs que vivem em um mundo cor-de-rosa). Ela entende que não tem nenhum dote, mas isso não a faz se rebaixar para qualquer pretendente. Ela parece conhecer tanto sobre o mundo que facilmente enganou-se em uma de suas "brilhantes" conclusões.
A vida da família Bennet muda quando o Sr. Bingley chega na região. Bingley é um amor e logo conquista o coração de Jane (que também é uma fofura). Junto com o moço vem o melhor amigo dele, Mr. Darcy, um tipo quieto, mal encarado e que, apesar das posses, não instiga simpatia.
A primeira vez que li Orgulho e Preconceito, eu esperava um romance de proporções gigantescas, assim como foi entre Marianne e Willougby em Razão e Sensibilidade (só que sem o final infeliz). Não encontrei isso: eu não entendia o jeito do Darcy, fiquei chocada, REALMENTE chocada com a proposta de casamento que ele fez a Lizzy e só depois que fui gostar mesmo dele.
Nesta segunda leitura, conheci um novo Mr. Darcy. Eu percebi que ele tinha se apaixonado desde o início pela Lizzie, não foi surpresa nenhuma a proposta. Aliás, em minha opinião, ele não tinha coragem de se declarar a ela, não só pelo orgulho de estar em uma posição superior, mas pela falta de coragem no sentido literal e puro da palavra. Ao final, ele decide descer do palanque de superioridade e aceitar a Lizzie como ela é (e com a família que vem junto). Ele tomou o primeiro passo, e Lizzie esqueceu os preconceitos que tinha criado sobre a imagem de Darcy.Em cima de uma história tão simples - um romance entre duas pessoas que não conseguem perceber que se amam - Jane Austen monta um cenário da sociedade: desde o pároco caricaturado até a relação entre pai e filha (minha parte favorita). Cada personagem possui uma carcterística especial e você acaba se apaixonando por todos (só o Sr. Collins que não, esse é chato mesmo).
Paro por aqui, eu sei que o post está meio aberto, mas eu já contei a história toda e mais do que isso, só se deliciando com as palavras da Miss Austen.

(Este post faz parte da "Leitura Coletiva" promovida pelo blog Fio de Ariadne)

PS: Desculpem a falta de postagens. No domingo eu pisquei e, oh!, já era sexta-feira, nem vi a semana passar.

sábado, 31 de outubro de 2009

Apressada

Um post para as minhas teorias "literárias" (nem tanto). Mais aqui e aqui.

No início deste semestre fui avisada de que teria que fazer um trabalho sobre um livro cujo nome é uma mistura de tecnologia com Shakespeare. Decidi que o leria quando faltassem três semanas para a entrega, totalmente possível finalizar a obra nesse período. Algumas semanas depois, o blog Fio de Ariadne divulgou uma nova leitura coletiva, dessa vez com Orgulho e Preconceito; eu, sempre a procura de uma desculpa para ler Jane Austen, não perdi a oportunidade.
Teria um mês para ler a obra austeniana. Comecei muito calmamente, em um dia eu lia, as vezes, poucas páginas, mas aproveitava cada linha. Até eu receber a notícia assustadora: o professor anunciou que na semana seguinte queria um relatório de como estava indo o trabalho, e eu nem sabia a cara do livro. Sai afobada para a biblioteca, peguei a obra e no dia do relatório já tinha lido mais da metade.
No início, fiquei chateada em deixar Orgulho e Preconceito de lado e pensei até em ler este de forma afobada também. Mas, mesmo que eu leve um tempo a mais para ler Jane Austen, não tem (tanto) problema. A realidade é que livros bons não foram feitos em uma semana e, muito menos, são lidos tão rapidamente. Não me importo de deixar essa leitura para depois, desde que eu possa aproveitá-la de forma merecida. Jane Austen me entenderia.
PS: Apesar deste post, fiquem calmos que semana que vem Orgulho e Preconceito já estará lido e eu posto a resenha por aqui, como prometido para a blogagem do "Fio de Ariadne" :)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Conversa de banheiro

Em uma das cabines do banheiro, ouço duas meninas conversando do lado de fora (conversa de banheiro nunca é confidencial, fato).

- No colégio eu comia muito, um pacote de bolacha todo dia, aí eu fiquei... gorda.
Análise da fala: Magrinhos falam (ou não) que foram "gordos", mas eu nunca me deparei com um gordinho falando que é "gordo". Com exceção de casos humorísticos, gordinho é "gordinho" e por isso deduzi que a menina era magra. E acertei, como vocês verão adiante.

- Aí eu entrei na adolescência e comecei a me controlar.
- Ah, você é magra mesmo.
- É, estou com 55 quilos agora. Mas, você que é magra.
- Ah, eu peso 51 quilos.

E eu lá na cabine e, como vocês já devem ter percebido através da análise da minha fala, eu sou gordinha. Não sou enorme, mas estou (muito) longe dos 55 quilos ali. *E se eu saísse no banheiro e as meninas comentassem, escondidinhas, "nossa, você viu aquela menina... não-magra ali." É, eu pensei nisso e, depois de muito analisar, resolvi não ligar para o que elas pensassem. Demorei para tomar essa decisão, mas sai, até porque eu não queria mais ficar no banheiro.

Sai da cabine, naquela super confiança e... ouço as duas garotas passando pela porta e conversando animadamente. Não deu tempo nem de reparar se elas eram mesmo magrinhas (poderiam ter 50 quilos e serem baixinhas). Pelo menos fiquei feliz por ter me sentido em uma cena de Tamanho 42 não é gorda.

*Isso não é um manifesto contra magrinhos, ok?!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

De mal a...

Seria bem legal se eu pudesse dizer que "cada um fazer para o outro aquilo que deseja para si", resolveria todos os males do mundo. Ninguém deixaria o trabalho "encostado" no grupo porque não gostaria de fazer o projeto sozinho e ainda se sentir na obrigação de colocar o nome de todos. Assassinos não surgiriam de uma hora para a outra porque qualquer dia a pessoa na frente da pistola poderia ser ele próprio. Perceber a importância dos outros e deixar de lado a ideia de que VOCÊ é o centro do mundo; talvez, esse seja o início para uma humanidade mais forte, um mundo mais consciente.
E isso parece tão distante. Na verdade, não cabe a mim, alguém que nem saiu da adolescência direito (ou acabou de sair, não sei), tentar entender e explicar os motivos para alguém roubar, pichar a carteira da escola, plagiar um texto ou qualquer coisa pior. Só posso ficar com meus pensamentos, imaginando aquilo que pode ser mudado, expressando minhas opiniões. Pelo menos eu não ignoro a realidade que está a minha volta.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Merchan...

Hoje publicaram a minha resenha de O diabo veste Prada no blog O que elas estão lendo!?; um espaço para mulheres (e homens) que... leem. Caso queiram saber mais sobre o que achei do livro, já comentei aqui. Hoje me senti meio malvada, não estou acostumada a criticar de maneira tão forte um livro (é, aquilo é forte para mim).

Isso não significa que o post abaixo pode ser esquecido. Ele só ficou um dia aqui em cima, então, se você ainda tem um tempinho, por favor, o leia (eu peço de coração).

domingo, 18 de outubro de 2009

Diferente da geração da Coca-cola...

Aquilo que mais pedem em escolas, empresas, faculdades, cursos e até em casa é para o "envolvido" dedicar-se dia e noite naquilo que está fazendo. Esse contexto, claro, fica mais complicado com uma agenda cheia.
Enquanto você estuda para a prova, pensa no assunto do próximo post do blog. Quando está na aula, lembra que precisa fazer o almoço. No computador, fica ligado em todas as redes sociais ao mesmo tempo que termina de redigir um artigo. Aparentemente, nunca usamos nosso tempo para somente UMA atividade.
Até que chega o momento decisivo, a hora H. É o dia da prova do vestibular, a estreia da sua peça de teatro, a noite da festa que você estava planejando, a hora da entrevista de emprego, o momento de apresentar seu projeto. É agora e você esquece os problemas que estão lá fora. Esquece que você vai ficar parado em um congestionamento terrível, esquece que a internet existe, esquece do livro que estava lendo, esquece que quando chegar em casa terá que estudar para o teste do dia seguinte. Sua mente pertence ao universo daquele instante, daqueles poucos (ou muitos) minutos.
Apesar de sermos parte da chamada Geração Y que é tão bem conhecida por ser infiel e distraída, ainda temos nossos momentos. Sabemos quando podemos dedicar o tempo a vários assuntos e quando é hora de viver intensamente os minutos. As vezes, só falta darem um pouco de crédito.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

É complicado trabalhar com um cupido

Eu já estou cansado desse trabalho! Essa coisa de ficar jogando flechinha nos outros, você deve achar muito romântico, mas é como o seu emprego onde você escreve relatórios. Eu escrevo romances e eles dão muito trabalho. Se não bastasse toda a burocracia aqui da agência, ainda tenho que aguentar colegas chatos que fazem qualquer coisa para ganhar uma comissão maior que a dos outros.
Esses dias eu encontrei um futuro casal perfeito, feitos um para o outro. Joguei a flecha na menina e, quando percebo, um outro cupido jogou a flecha no menino e isso fez com que ele se apaixonasse por outra pessoa, não pela garota que EU escolhi. E agora ela fica chorando pelos cantos, inconsolável, enquanto o menino tenta ganhar o coração de outra que, ao meu ver, não tem potencial para romance.
Depois dessa eu resolvi que iria me aliar a alguns colegas, talvez o trabalho ficasse mais simples. Doce ilusão... sabe aquela frase no amor e na guerra tudo é válido? Provavelmente foi um cupido que criou. Decidi com um colega qual seria o casal-vítima. Ele, muito esperto, resolveu acertar mais algumas pessoas por aí e, assim, economizar tempo e conseguir uns namoradinhos a mais. Agora nós temos um triângulo amoroso, dois meninos apaixonados por uma menina que pensa que gosta de ambos. E mais uma dor de cabeça para o cupido aqui que não sabe como resolver esse problema...
Apesar de todos esses "poréns", semana passada eu vi algo que é, provavelmente, o motivo pelo qual eu estou nesse ramo desde a Grécia Antiga. Em um desses desentendimentos, uma menina apaixonada foi ignorada pelo amor da vida dela. Pensei que seria mais um desconto na minha folha de pagamento, mas não. Apesar de estar com medo, assustada, insegura, ela ainda estava apaixonada e foi conversar com o garoto. Não digo que ele logo se apaixonou por ela, mas eles tiveram uma conversa legal e vai saber o que acontece depois.
O emprego de cupido pode não ser um mar de rosas como todo mundo imagina, mas nós ainda despertamos algo nos seres humanos que está em falta e os muda de maneira radical para fazer coisas que eles nem imaginavam que poderiam. Vai, é um emprego interessante.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Livros bons não são resumidos

Esses dias tentei resumir Emma, da Jane Austen, para uma amiga. A história ficou mais ou menos assim:
"Emma já está em uma idade para ser considerada solteirona. Ela mora com o pai, é bem rica e tenta encontrar parceiros para as meninas. Até que, em uma dessas tentativas, ela diz à menina que um moço gosta dela, mas, na verdade, ele não gosta e aí ela precisa resolver tudo."

Se eu lesse esse resumo eu desistiria na hora de ler Emma. Parece mais um romance chato com desfecho previsível. Só que explicar mais do que isso seria contar o final.

Agora tente resumir um livro que você não goste. Eu sempre disse que A Cidade e as Serras é a história do rato do campo e do rato da cidade com seres humanos nos papéis principais. Ou que Iracema é a Pocahontas brasileira. Simples e fácil, pelo jeito só consigo indicar livros para os meus inimigos.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Simpatia de ônibus

- Quer que eu segure a bolsa?
- Ah, obrigada.
Continuo lendo até a moça ao meu lado levantar e sair. A garota, cuja bolsa eu estava segurando, sentou junto comigo e comentou:
- Eu estou lendo um livro parecido com o seu, é história do Brasil bla-bla.
- É, esse livro é para a faculdade.
- Ah, o meu também.
E eu volto para a leitura com a estranha impressão de que a garota queria continuar a conversa.
Não que eu não seja simpática, sempre falo "bom dia" ao cobrador e peço licença antes de sentar ao lado de alguém, mas esse era um daqueles dias em que eu mais queria era me esconder do mundo e ficar quietinha em um canto.
Eu geralmente pego o mesmo ônibus, faço um tchauzinho para o motorista e papeio um pouco com o cobrador. E sempre, sentado logo nos primeiros bancos, tem um menino que desce no mesmo ponto que eu, pega a mesma rua e, pasmem, vai para o mesmo prédio da faculdade. Como ele entra primeiro no ônibus, EU fico parecendo a perseguidora.
Um belo dia resolvi cortar a social e subir em outro ônibus que faz um caminho totalmente diferente, mas vai para o mesmo lugar. Quando entro, quem está no primeiro banco? O MENINO! Fiquei com vergonha, pensei em descer ali mesmo com a desculpa de que tinha pego o ônibus errado. E, de repente, eu queria voltar para o cobrador simpático e, talvez, até conversar com a garota do outro dia.

PS: a falta de posts esse semana foi por conta da falta de internet, não de simpatia. A falta de criatividade também tem sido um problema, vide esse post sem-graça.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Ok, mudei

Pelo menos aqui em casa, todo mundo já sabe: não dá para marcar um compromisso de repente, de última hora. Tirando aqueles momentos em que eu estou sem nada para fazer, caçando algum lugar para ir, nos demais dias eu preciso me preparar psicologicamente antes de sair de casa. Agora imagina a minha situação para uma mudança de verdade...
O ser humano vive na sua "zona de conforto", onde está tudo bem, não é preciso mudar. Aliás, para quê mudar? Mudanças nos trazem tristezas, decepções, desânimo para continuar a vida. Ninguém quer ir morar em outra casa, terminar o colégio, ficar velho, arranjar um emprego ou sair do útero quentinho da mamãe.
É, quando nascemos saímos daquela barriga aconchegante que nos alimenta e protege. Chegamos a um mundo brilhante e barulhento com gente vestindo roupa branca que nos coloca em uma mesa gelada e nos separa de nossa mãe. E aí? E aí choramos.
Apesar do choro, da ansiedade e da dor de barriga, as mudanças, e, consequentemente, as decisões, fazem parte do cotidiano e sem elas o mundo não se move. São com as reviravoltas da vida que acordamos para a realidade, percebemos que nem tudo é fácil e que precisamos lutar para conseguir aquilo que queremos. Apesar de uma mudança vir depois da outra, sempre temos um intervalo de felicidade em que dizemos "pronto, terminei e superei mais uma".

Um registro [2]

Mais alguns selinhos... O primeiro quem me passou foi a Letícia do blog Apenas teu sorriso. Obrigada!
Regras:
1.Exibir selinho no seu blog.
2.Quem indicou o selinho?
3.Cinco desejos de consumo que te deixariam mais glamourosa:
1. Escrever em uma revista de música (glamour!); 2. Escrever um best-seller; 3. Ler todos os livros que eu tenho na espera; 4. Assistir um musical da Broadway ou uma apresentação ao estilo de Glee (ok, isso foi de uns tempos pra cá); 5. Ter uma camera fotográfica daquelas bem legais (sim, essa é a melhor definição).
4.Indicar 5 amigas glamourosas e avisá-las que foram escolhidas. (todo mundo sabe que eu não consigo indicar. Quem quiser o selinho, fique a vontade para pegar)

O segundo selinho veio do blog da Pati Araújo, obrigada!
Regras:
Indicar nove blogs para receber o selo. (Idem regra 4 do selo anterior)
Escrever nove características suas.
1. Leitora voraz; 2. Criativa (pelo menos acho); 3. No momento, louca por algumas séries; 4.Viciada em internet; 5. Leitora de mangás (:B); 6. Feliz; 7. De vez em quando, infantil; 8. Tem um xodó pelo blog; 9. Por essas e outras, nerd.
Qual o seu doce preferido.
Torta de morango (sem comentários *.*)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O Diabo Veste Prada (Lauren Weisberger)

Desde que eu soube do lançamento de O Diabo Veste Prada, fiquei animada para assistir. É um filme super simpático, com uma mensagem bonitinha e, depois de assisti-lo, resolvi que iria ler o livro. A versão original não é tão simpática quanto a do cinema, mas é melhor ficar longe de comparações.
A história todo mundo já conhece, se não, a Wikipédia te responde (neste caso...). Andrea acabou de sair da faculdade e sonha com um emprego na revista The New Yorker. Até aí tudo bem, porém ela não parece nem um pouco disposta a sair para batalhar por esse emprego. Ela simplesmente está preocupada em deixar a cidade do interior onde mora com seus pais e, tentar, encontrar um apartamento em Nova York para não ter que morar com a amiga, Lily, que também já está cansada da folga de Andrea.
Inesperadamente (e depois todo mundo entende por quê), a garota que veste calça de moleton com a blusa por dentro encontra um emprego como assistente júnior da editora de moda da revista Runway, Miranda Priestly. Nos primeiros meses, Miranda está viajando e quase não aparece, o que é meio triste já que as piadas estão no fato de Andrea ter que manter a compostura enquanto coloca o café da manhã na mesa da chefe. Todavia, sempre tem algum chato por perto, no caso a assistente sênior Emily. Ela é uma personagem bem divertida que passa do "é super legal desempacotar os presentes de Miranda" para "aquela mal-agradecida me ligou no meio da madrugada" com uma facilidade e um medo da chefe que gera piadas sem querer.
Outras personagens interessantes são aqueles ao redor de Andrea, como Lily, o namorado professor-de-criancinhas-malvadas Alex e a família da garota. Todos bem simples, daqueles que encontram prazer nas pequenas coisas da vida e totalmente diferentes do mundo em que Andrea acaba entrando e se tornando (mesmo negando esse fato até o final do livro).
Eu li o livro para, talvez, vivenciar um pouco dessa realidade da moda que parece tão fascinante e, ao mesmo tempo, traiçoeira. Se for como no livro, esse mundo está muito longe do meu. Viver em um local onde se joga comida fora três vezes ao dia somente porque quando sua chefe chegar o café estará meio frio? Descrever um namorado com marcas de roupas, ressaltando as grifes, sem nem explicar direito qual é a aparência dele? Não, não consigo conviver com isso (ou talvez o erro seja eu ter lido este livro depois de O caçador de pipas).
O filme, em diversas partes, é melhor que o livro, tanto que algumas das melhores cenas não estão na versão original. No entanto, o desfecho do livro é mais "real" do que aquele que colocaram no filme em que todos os problemas na vida de Andrea foram solucionados como mágica. É um livro legal, mas talvez eu tenha posto muita expectativa e por isso não me agradei. Uma coisa é certa: é preciso ter muita paciência para aguentar cinco nomes de grifes em cada parágrafo.

PS: Agradeço a todos os comentários nos últimos posts. Ainda não respondi a todos, mas logo os retornarei :)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Dia de princesa do meu jeito

Sexta-feira, último dia da Meg Cabot em São Paulo, as senhas seriam entregues ás 10h, horário em que a FNAC abre, e eu estava saindo de casa ás 9h e, não, eu não moro na esquina da Av. Paulista. Sai com aquele sentimento pessimista "se a fila estiver muito grande, volto para casa", eu não podia encarar 10 horas de espera como na Livraria Cultura ou, pior, aquela fila assutadora da Bienal do Livro no Rio de Janeiro. Não aconteceu nada disso. Cheguei e a fila estava com umas 90 pessoas, a maioria meninas bonitinhas com roupas coloridas.
Sentei no chão e por dois minutos imaginei o que eu estava fazendo ali. Na realidade eu li somente dois livros da Meg e ambos neste ano, nenhum era o Diário da Princesa. O pessoal da fila lia Meg Cabot há dez anos, cresceu com a autora, não deixou de comprar um livro, e eu lá, assim, parecendo perdida. Mas... e daí? Eu gostei dos dois livros, lia o blog dela a cada nova postagem, me senti incentivada ao ler a história de como os livros tinham sido rejeitados 17 vezes e prometi seguir cada conselho dado por ela para os novos escritores (me deixem sonhar, tá).
Depois destes devaneios fiquei eu, O diabo veste Prada (não é a melhor companhia do mundo), a fome e uma vontade de tomar capuccino, já que todas as meninas a minha volta estavam tomando um e a Andrea não sairia do livro para tomar conta do meu lugar enquanto eu ia à lanchonete. Atrás de mim estava um menino com um livro da Mediadora e eu fiquei imaginando como os garotos se sentem ao ler Meg Cabot. Sério, se algum menino já teve essa experiência, responda-me: vocês sonham com a protagonista como namorada perfeita, leem para tentar imitar o heroi da história ou nenhuma das anteriores? É verdade, sempre quis saber, também vale para leitores de Jane Austen.
Apesar daquela quantidade alarmante de meninas jovens, não teve histeria. No máximo alguns gritinhos na hora de entrar na livraria, mas nada ao estilo tiete. Todas bem educadas, sentadas esperando a sua vez com alguns guarda-chuvas abertos para proteger do sol.
Durante a espera, pensei em várias coisas que eu poderia falar, mas nenhuma me parecia muito boa. Cheguei na frente da Meg, abracei-a e tirei essa foto em que ela saiu com a boca meio torta (escritores tem fome, tinha pão de queijo na mesinha):E qual a única frase que eu consigo soltar enquanto ela assina? "Você é canhota, eu também." Juro, na hora não pareceu tão bobo quanto agora. Ela soltou um "Ah, é bem complicado para a gente" (os canhotos são uma classe unida, lembrem-se disso). Eu ia completar e iniciar minhas filosofias sobre como é difícil usar a mão esquerda, mas não houve tempo. Agradeci e sai com um sorriso que só foi desfeito quando eu realmente percebi que ainda estava com os dentes a mostra no meio da rua. O livro autografado não voltou para a prateleira, ficou em cima da escrivaninha e toda a hora eu o abro para dar uma olhada no autógrafo e soltar mais um sorrisão como foi na hora:

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Esperando pelo sapo

Durante o Ensino Médio, uma amiga escreveu uma redação em que a personagem realmente procurava pelo seu princípe encantado. A professora ao ler aquilo soltou, com desgosto: "Mas vocês ainda esperam um princípe encantado?" Apesar de todas as risadinhas finas e comentários "não, imagina, pff", eu fiquei pensando se, mesmo inconscientemente, não tem muita gente caçando um princípe por aí.
Algumas meninas saem falando do "namorado" como se fosse O escolhido. Simplesmente, É ele. Na semana seguinte, terminam tudo, ficam tristes durante um tempo e até o próximo "namorado" não acreditam que o Sr. Encantado exista.
Ás vezes, eu preciso concordar com o que vários garotos comentam: é difícil agradar as mulheres, quem dirá se tornar o cavaleiro sobre cavalo branco delas. Diferente dos contos de fadas, em que os protagonistas vivem romances que me encantam até o "felizes para sempre", nós vivemos em um mundo em que as pessoas possuem opiniões. Por que o princípe da Branca de Neve era maravilhoso? Ora, porque nem se ele soubesse do que ia acontecer ele iria se opor a ela comer a maçã.
Esses princípes dos livros ficam por aí, parados, sem discutir, aceitando o que lhes for proposto. As princesas também não são muito diferentes. E, oh, todos sonham com o dia em que o mundo será assim. Fora desse universo alternativo, seu namorado não vai querer te ver usando determinada roupa, assim como você não vai querer trocar de roupa só porque ele pediu. E, de repente, o mundo feliz-e-saltitante do amor não existe.
Encarando a realidade: o princípe encantado não vai aceitar tudo o que ela propor, nem ela vai gostar de tudo o que ele pedir. Ele não vai chegar no cavalo branco (ou no carro do ano) e ela não vai usar vestido longo e sair maquiada todo dia. Ele não estará presente em cada segundo da sua vida e até ela vai querer uma noite só com as amigas.
O princípe não vai bater a sua porta te convidando para o baile de máscaras, tampouco estará naqueles meninos que você beijou na noite de sexta. Ele não vai te agradar em todos os aspectos e até você fará uma ceninha e o tirará do sério. E, mesmo com esses problemas e dilemas, ainda temos esperança em encontrar o princípe encantado, mesmo com a forma de um sapo. No mundo real, talvez seja ele parecer um anfíbio que o torne interessante (ou você não é apaixonada pelos heróis austenianos nem tão perfeitos?)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Música de fundo

Durante a tarde, em uma sala meio amarelada por causa do sol indo embora, eu pedia à minha mãe colocar uns LPs (!) com músicas evangélicas para crianças. Vestia-me feito uma bailarina e dançava pelo cômodo (só fingia, nunca fiz aula de dança, eu achava que iria aprender sozinha).
Quando cresci um pouco entrei em uma fase Eliana: não gostava de Angélica, Xuxa e das outras apresentadoras loiras. Hoje eu acho a Eliana um antipática sem noção, mas naquela época eu gostava das musiquinhas. Fazer o quê, meu passado musical me condena.
Aos 10 anos, minha mãe trouxe para casa uma fita cassete (!²) com gravações de músicas da Chiquinha Gonzaga, do Pixinguinha e do Villa Lobos. Nem preciso dizer que amei tudo aquilo, até porque eu tinha começado a estudar flauta-doce e minha paixão por essas músicas instrumentais estava só no início.
Prestes a entrar no Ensino Médio, comecei uma fase de ficar doida por animes e mangás. Cada abertura/ encerramento já era mais uma música para eu procurar por aí. Alguns cantores hoje machucam meus ouvidos com vozes finas demais, mas outros mostraram que são bons de verdade.
Até aí eu não conhecia uma grande variedade de músicas; na verdade, era bem fácil listar aquilo que eu ouvia. Comecei a pensar que eu tinha que mudar isso: eu ficava de fora de algumas conversas e, o pior, eu queria seguir na área de jornalismo musical! Como fazer isso se eu conhecia meia dúzia de cantores desconhecidos para maioria? Ganhei um mp4 e sai a caça de todos os artistas, pesquisei sobre notícias de gente que eu nem gostava tanto.
O que acontece hoje é o mesmo que aconteceu com a minha realidade dos livros: eu percebi que nunca conseguirei ouvir tudo que esse mundo produziu, nunca entenderei todos os gêneros musicais e, por mais que eu queira que a minha trilha sonora tenha mais de 100 faixas, os momentos importantes não são compostos pelas músicas que você tenta conhecer e apreciar, mas, sim, por aquelas canções que você realmente gosta. Como aquelas músicas nas tardes ensolaradas dançando ao som dos LPs e tentando ser uma bailarina.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O Caçador de Pipas (Khaled Hosseini)

Amir cresceu na Cabul da década de 70, época em que "as crianças ainda não reconheciam o barulho de uma bomba". Ele e seu pai, ou baba, são parte de uma etnia poderosa e moram com os empregados Ali e seu filho Hassan, que tomou o leite da mesma mulher que Amir formando, entre eles, um elo maior que o da fraternidade. Hassan defende o amigo de todas as brigas, enquanto Amir vive em um mundo de imaginação, muitas vezes longe do companheiro. Quando ele se vê na situação de defender Hassan, foge, e esse evento lhe criará obstáculos até a fase adulta.
Só pela história eu já me interessei, afinal é complicado encontrar personagens masculinos que sejam amigos e SÓ amigos (parece que homem não tem amigo, entende) e uma amizade que se passa no Afeganistão, um lugar que eu conheço apenas pelo que vejo nas notícias. E, ah, o livro traz muito mais do que isso.
Por exemplo, a relação de Hassan e Amir que uma hora é como amizade e depois se torna de criadagem; as atitudes honradas de baba em contradição com o relacionamento dele com Amir no início do livro; o modo como o autor transita entre o passado e o futuro, sem confusão; a vida dessa "família" afegã nos Estados Unidos; o exemplo de como as atitudes do passado podem afetar o futuro (no caso de Amir e Assef) ou como você pode dar a volta por cima e esquecer os dilemas (no caso de Hassan); e, o mais incrível, a descrição da história afegã em todos os capítulos do livro, desde o simples torneio de pipas até o regime talibã: o retrato de uma nação com "muitas crianças, mas pouca infância".
Cada ação alegre e feliz é seguida de um acontecimento desanimador, assim como na vida (as vezes uma notícia pode fazer o seu dia ou acabar com ele). Você vibra com o torneio de pipas, mas no decorrer da história se lembra de que existem crianças por aí sofrendo os maiores abusos do mundo. Você se anima com os casamentos e depois surge uma morte. Nas últimas páginas você chega até a não aguentar todo esse vai-e-vem, porém, também tem a certeza de que tudo pode mudar de uma hora para a outra.
O que posso dizer, é lindo. Eu chorei no desfecho, não por causa do sofrimento, mas sim porque descobrimos que, mesmo com a dor e as lutas, sempre temos chances na vida que podem transformar toda uma geração. As vezes essas decisões podem passar despercebidas, outras vezes não; cada um dos personagens mostrou uma forma diferente de encarar a vida e cabe ao leitor se identificar com aquele que mais lhe chama a atenção e, então, se emocionar com o livro.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Chove chuva, chove sem parar

Nos filmes, os casais mais apaixonados se beijam com as roupas molhadas sob a água da chuva. Assim como os casais mais lindos e perfeitos que foram feitos um para o outro se separam na chuva com o moço olhando para o horizonte aonde sua amada corre sem olhar para trás.

É, tudo muito lindo, mas esqueça toda essa poesia porque ontem choveu e, ah, como choveu.

Para quem acordou as 6 da manhã, como eu, percebeu que o dia estava da melhor maneira possível: o céu amarelado, o clima ameno e o ventinho gostoso que parecia vindo da praia. Porém, as 8h ficou noite e o termo "terra da garoa" não tinha nada a ver com São Paulo.
Choveu, choveu e... choveu. Minha mãe ligou para casa pedindo para eu não ir a aula, eu respondi que se a chuva não estivesse muito forte, eu iria sim (eh, sou nerd). Bom, quem mandou desrespeitar a mamãe: quando eu resolvi almoçar, a energia acabou. Fiquei com fome tentando achar um cantinho com "luz" para eu ler alguma coisa. Depois de meia hora agradeci pelo sistema de eletricidade não ser como no tempo dos meus pais (a energia acabava toda semana durante horas, segundo eles), almocei e, como não chovia demais e ainda estava no horário, fui me trocar para sair. Pronto, cai o céu novamente e tudo fica escuro.
Como minhas últimas batalhas contra as forças da natureza não deram muito certo (sem ônibus, voltei a pé para casa sem usar guarda-chuva porque eu não tenho paciência para segurá-lo), resolvi ficar em casa, sem mexer no computador com medo de que desse um blackout e o coitado morresse.

Esquecendo todas essas reclamações fúteis, preciso agradecer a Deus por não ter perdido nada e nem ninguém, como várias famílias, por não ter ficado presa no metrô, no ônibus, na rua e por não ter sido atingida por um raio (meio impossível numa cidade feita de prédios). E toda poesia que envolve a chuva deve demorar a voltar.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Até quando eu passar fome

Sempre me disseram que para cozinhar você precisa de paciência, amor, cuidado. Bom, eu não sigo essas regras. Quando vou almoçar primeiro procuro o que dá para cozinhar mais rápido já que eu fiquei enrolando no computador e, quando percebo, estou atrasada para a faculdade. Se não tem nada, aí preciso cozinhar "de verdade".
Enquanto frito alguma coisa, saio correndo e vou me trocar. Quando volto, mexo a água da outra panela e corro para o computador porque, mesmo atrasada, ainda não terminei de assistir o episódio de algum seriado. Para finalizar, eu estou mais preocupada em ter alguma coisa para comer e não passar fome durante o dia do que saborear um prato suculento (até porque eu tenho noção dos meus não-dotes culinários e sei que nada que eu fizer ficará "suculento").
E, enquanto me alimento do seja-lá-o-que-eu-esquentei, penso nesse post e começo a entender porque o pessoal de The Big Bang Theory só come comida pronta ou sanduíche: as vezes minha necessidade básica, a alimentação, não parece tão importante quanto eu terminar um trabalho para a faculdade ou assistir um season finale (isso até eu ficar com fome no meio da aula por ter comido só um hamburguer).

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

E os culpados são...

Sempre tive uma tendência a colocar a culpa de todos os males da sociedade na educação. Meu primeiro palpite para algo não dar certo é porque fulano de tal (ou eu mesma) não estudou, dedicou, pesquisou o bastante. O grande porém é que falando de deliquência juvenil, não dá para colocar a culpa só na educação.
Como eu posso dizer que um menino da favela que rouba ou vende drogas caiu nesse mundo porque não teve um ensino de qualidade na escola se, no outro lado da cidade, um grupo de "filhinhos de papai", que pagou mais de 1000 reais em uma mensalidade, sai queimando e chutando mendigos por aí. Ora, eu imagino que nenhuma professora disse para eles que maltratar os outros é super legal.
Ah, então deve ter sido culpa da família que nunca esteve presente e ao lado dos parentes. Porém, vale lembrar de todas as histórias sobre jovens que sustentam as famílias sozinhos porque o pai/mãe fica fora o dia inteiro trabalhando para receber um salário mínimo no final do mês.
Bom, no final deve ser culpa do governo que não prende logo todo mundo que comete um crime. Ah é?! Engraçado que a gente sempre termina colocando a culpa no governo, mas quando chamam para um trabalho voluntário, ou para um grupo de ajuda a criança carente, ninguém está a fim de participar. Puxa, se o governo não faz nada, melhor você começar por algum lugar.

Não estou falando que eu sou perfeita e salvo a pátria todo dia. Sinceramente, me sinto no dever de fazer muito mais, só que as vezes um post nesse blog (talvez pouco lido) é o máximo que eu alcanço. O caso é: não dá para encontrar UM culpado para todos os crimes que acontecem nesse mundo. Os problemas não aparecem bem divididos entre o bem e o mal, sempre há mais de um fator envolvido. Jovens cometem delitos todos os dias pelos mais diferentes motivos, desde chamar a atenção dos pais até comprar uma arma, passando até por problemas psicológicos. Em todos esses crimes há um único culpado? Não, cada um cometeu o erro por um motivo que achou suficientemente convincente.

A única solução que eu posso imaginar para toda essa bagunça é conhecer profundamente cada uma dessas crianças e adolescentes, conversar e chegar a se tornar amigo delas. Não importa se é uma, duas, o irmão da sua amiga ou seu vizinho. Também não acho que isso vá mudar todas as gerações, mas uma pessoa a menos propensa a matar alguém já é meio caminho andado. O cotidiano seria diferente se o ser humano soubesse valorizar cada semelhante e descobrisse as fraquezas e forças do próximo.

Mas, para quê? Estamos muito ocupados com o dia a dia até esses problemas baterem a nossa porta...

(Post para o Blorkutando que eu não ia participar essa semana, mas senti uma certa necessidade. A verdade é que este texto ficou otimista que nem o post abaixo...)

EDIT: Fiquei em terceiro lugar nessa edição do Blorkutando. Obrigada!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Vergonha alheia

Eu fiquei com raiva desse video. Lá fora, um monte de gente já cantou o hino para jogo de baseball, basquete e sei lá mais o quê. Aqui, uma vez que tentam, pronto, olha o que aconteceu. E o músico ainda tentou salvar, mas no final tiveram que cortar o microfone mesmo se não continuaria com o "povo vivído do berço do Ipiranga". Na verdade, a raiva do vídeo já passou, a raiva da Vanusa também, mas a vergonha pelo que fazem com o hino, ainda não.
Na escola, todo dia do índio a gente se pintava, na semana do Tiradentes contavam a história da Inconfidência e mostravam aquele quadro do Pedro Américo, os livros tinham o hino impresso na contra-capa. Até a oitava série, toda segunda-feira a escola se reunia para cantar o hino nacional: colocavam o CD no rádio e os alunos ficavam olhando para frente, com as mãos nas costas, só cantando. Ao terminar, todos sentavam e sem aplaudir porque era falta de educação. E, sabe de uma coisa, com isso tudo a gente pensava que o país era perfeito.
Conforme você cresce, as coisas mudam. O pensamento que vem é "Para quê eu vou cantar o hino se o Sarney fez aquilo, o Senado tá assim, a Amazônia acabou, o povo não vai para as ruas, ..." Eu gostaria de saber o que o hino tem a ver com isso. Sabe aquela história de começar a consertar o erro pelos pequenos detalhes? Então, comece pelo hino. Não importa se tudo acaba em pizza e você é o maior pessimista do mundo. Você nasceu no Brasil? Ora, isso não dá para mudar, pelo menos aceite com respeito a sua nação, mesmo quando não for época da Copa. Não precisa esquecer e jogar fora todo o trabalho que o Joaquim Osório e o Francisco Manuel tiveram. Por pior que você ache que o país está, você nasceu aqui e aquela histórinha de "respeito aos símbolos nacionais" continua valendo. Pelo menos já é um passo adiante.

(geração otimista mode on)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Despedida

Mais um final de tarde frio na praia. Algumas famílias passeavam por lá com o vento cortando seus rostos. Crianças, em um canto, brincavam na areia enquanto o tempo gelado não as afastava do local. O mar agitado só parecia afugentar os poucos corajosos que andavam pelo local.

Em um banquinho de cimento, duas pessoas permaneciam sentadas. Apesar do frio, a menina e o menino só ficavam ali, parados, esperando alguma coisa que não iria acontecer. Os casacos de moletom bem escuros estavam por cima de outras blusas que davam cor aos amigos.

Era o último dia e os dois tinham compartilhado todos os momentos que consideravam importantes. Eram poucos, mas aos 13 anos tudo parece bem maior do que realmente é: o primeiro dia na escola, a primeira cola na prova, os tropeções durante a corrida, o curso de inglês, a troca de brinquedos, a primeira (e logo esquecida) decepção amorosa e, neste momento, a primeira separação que eles viviam.

Juntos, naqueles últimos minutos, pensaram em tirar uma foto, porém a imagem não descreveria os anos de convivência e amizade. Uma mera descrição, por mais detalhada que fosse, não relataria com fidelidade os sentimentos. Deixaram para lá e decidiram guardar as lembranças somente com a mente. Se algo fosse esquecido era porque não tinha importância e, assim, foram embora felizes porque, com a grandiosidade do momento, tinham a certeza de que tudo seria lembrado.

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Sinceramente, não gostei tanto. Depois de ler o tema no Blorkutando fiquei com essa ideia de "dia frio na praia" a semana inteira. O único porém é que a história não saia do "dia frio na praia" e sempre acabava em algo bem clichê de casalzinho. Tentei fugir, virei, dei voltas e, para mim, continua clichê (pelo menos sem casalzinho).

Outra coisa, isso não é um texto descritivo: um texto descritivo, necessariamente, não tem passagem de tempo e não tem verbos de ação, no geral, só de ligação. É isso (nossa língua, nossa língua...)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Confissões de uma canhota

(Super Interessante, Agosto/2009.)

"Por que existem canhotos?
A razão de algumas pessoas preferirem a mão direita e outros a esquerda é um dos mistérios da ciência. Sério, está ali, ali com 'de onde viemos' e 'para onde vamos'. Ninguém sabe ao certo por que não somos todos ambidestros (as vantagens seriam óbvias) ou, se era para escolher um lado, todos destros de uma vez. O fato é que 10% da humanidade teima em ser canhota, intrigando geneticistas, neurologistas e antropólogos. (...)"

Além de ter que ouvir desde de "Eu gostaria de ser canhoto, é tão bonito!" até "É muito estranho te ver segurando o garfo com a mão esquerda. Como você consegue?", ainda somos uma minoria e um mistério da ciência (releia o grifo meu).
Quando a professora dizia na pré-escola, "Levantem a mão direita, aquela que vocês escrevem", precisamos inverter a frase. O tempo passa, a tesoura aparece e ou você apela para uma adaptada ou aprende a usar a normal (coisa que eu não sei como consegui). O vestibular chega e em toda prova é preciso analisar o seu assento e pedir gentilmente ao supervisor uma carteira de canhoto. Na escola os lugares para os esquerdistas são os piores e você acaba se adaptando as carteiras para destros e virando todo seu corpo para a direita e quase escrevendo de ponta cabeça.
Se não bastasse tudo isso, sempre surge alguma pesquisa dizendo que canhotos são mais inteligentes, morrem mais cedo ou são mais criativos. E, por causa de todos esses aspectos, eu não me surpreenderia nem um pouco se descobrissem que canhotos tem uma baixa auto-estima, mas que, em um futuro pouco distante, dominarão o mundo dos destros por se adaptarem melhor às dificuldades (risada maligna).

Um registro...

Recebi este selo da Mari, blog Amores, Suspiros e Divagações. Obrigada!

Diga oito características suas (minhas listas nunca são muito boas, mas vamos lá):
1. Tentando ser jornalista; 2. Tentando ser musicista (ou pelo menos tocar bem); 3. Tenho vontade de escrever um livro; 4. Blogueira dificilmente satisfeita com suas atualizações; 5. Apaixonada por alguns (vários) personagens de livros; 6. Incômodo desses mesmos livros por sempre querer mudar alguma coisinha; 7. Gosto de assistir videoclipes (e ainda imagino roteiros para algumas músicas); 8. E uma coisa que todo mundo já sabe: ama a internet.

Quem quiser pegar o selinho, sinta-se a vontade.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Sobre livros arrumadinhos

Gosto muito de olhar livros infantis e tenho uma vontade enorme de ler Clara Luna e Apolo Onze. Livros para crianças são bonitinhos, coloridos, com textos alinhados e capas chamativas. Toda essa coisa, que dizem ser pedagógica, ainda chama minha atenção e um livro de literatura desse jeito ficaria lindo.

Como disse no post anterior, sempre olho o tamanho da letra de um livro antes de lê-lo e, principalmente, comprá-lo. Eu não vou pagar por um livro de 400 páginas com uma letra minúscula que vai do topo da página até o final sem espaçamento mínimo entre as linhas. Prefiro um livro grosso do que minha vista cansada. E se o problema são as árvores e, por isso, querer economizar papel, partam para o reciclado. Diagramação limpinha é o que eu peço.

Pode parecer frescura, mas já tive casos desse tipo. Durante o Ensino Médio tive que ler A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós. Comprei uma edição mais barata e bem antes da prova para ler com calma. Ao abrir o livro viro a primeira página e, pronto, o livro começou. Não tinha uma dedicatória, um prólogo, um comentário, um nada dessas coisas que eu sempre leio quando acabo o livro. Tudo bem, parti para o texto com os menores tipos que eu já vi na minha vida, as linhas indo até a borda da folha fazendo você pensar que cortaram as páginas de forma errada, parágrafos que pareciam ainda maiores porque, com essa economia de espaço, você demorava um bom tempo para virar a página. No final, li metade do livro um dia antes da prova, não gosto de A Cidade e as Serras até hoje e não tenho vergonha de colocar um pouquinho da culpa na diagramação assustadora. Bem que poderia ser arrumadinho como os livros infantis, não?!

Foto: Jornal que fizemos semestre passado e eu, gentilmente pressionada, fui a diagramadora. No início achei que eu só teria que encaixar o texto no layout do InDesign, mas isso se tornou muito mais complicado. Esse jornal ia e voltava e os textos nunca terminavam no lugar certo, as fotos sempre ocupavam espaço demais para o meu gosto e as letras de uma matéria eram maiores que as outras. Depois de muitas idas e vindas o negócio saiu e me fez pensar: se dá tanto trabalho, pelo menos mostre que tem garra e faça uma diagramação organizada para uma leitura confortável.

PS: É a minha matéria, ok?! :) E o scanner também se voltou contra mim e cortou todo o espaço que eu deixei na borda, omg.