quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Cinco Minutos - José de Alencar


"Non ti scordar di me!"

"A idéia de que estava perto dela, que via a luz que a esclarecia, que tocava a relva que ela pisara, fazia-me feliz."

"(...) por curta que seja a minha existência, teremos vivido por cada minuto séculos de amor e de felicidade."

Cinco Minutos começou a ser publicado na forma de folhetins em 1856 e foi a estréia de José de Alencar na ficção. Veio antes de tudo, antes até de Iracema que quase todo mundo é obrigado a ler para a escola por ser a "expressão máxima" do indianismo. A verdade é que eu não vou com a cara da Iracema (Pocahontas brasileira), não gostei do livro, mas nem por isso deixei Alencar de lado. Não tenho muito ânimo para ler outro romance indianista, porém os romances urbanos me cativaram: Senhora, Diva, etc. e Cinco Minutos.

O engraçado é que a história não tem nada de espetacular e por isso conquista o leitor: um homem perde seu ônibus por causa de cinco minutos e pega o próximo. Senta-se perto de uma mulher que tem o rosto escondido e, mesmo um não conhecendo o outro, eles começam a trocar carícias, chegando a até um beijo no ombro da moça (OH!). A "misteriosa" sai do ônibus deixando como lembrança ao amante somente o odor de seu perfume e a frase "Non ti scordar di me!" (Não te esqueças de mim!) da ópera Il Trovatore de Verdi. O homem sai a procura da amada e depois de encontros e desencontros recebe uma carta escrita por ela onde explicava que sofria de uma doença incurável e não queria entregar-se ao amor sabendo que logo morreria e decepcionaria o querido dela. O moço vai atrás mesmo assim não se importando com os males que pudesse sofrer. Depois de até se perder no meio do mar, os dois conseguem ficar juntos e quando a mulher estava a um passo do último suspiro eles se beijam e ela sente a vida retornar ao seu corpo. E viveram felizes para sempre...

Acabou, o livro é só isso. Parece um tanto fantasioso, como escreveu Carlos Moisés nos comentários da edição "uma armação até simplória, para enganar as mocinhas sonhadoras de quase um século e meio atrás". Porém o livro adquire nossa confiança apesar de saber que quase nada poderia acontecer como está descrito; ficamos com um sentimento de contos de fada querendo que no final tudo dê certo. É uma história quase atemporal feita para qualquer um que sonhe com romances onde as personagens terminam juntas e com seus sonhos realizados. *.*

PS: a foto é da edição da FTD lançada em 1999 e que eu comprei por 3,00 reais na Bienal \o/

2 comentários:

Elaine disse...

Confesso que não gosto de José de Alencar, com a exceção de "Senhora" (uma crítica deliciosa) e "O Guarani" - possivelmente o primeiro romance de ação do Brasil. Sempre achei que Peri poderia ser interpretado pelo Stallone.

Cookie & Cake disse...

"Senhora" fico sem comentários. "O Guarani" ainda não li por causa do meu trauma com Iracema, como disse no post. Quem sabe agora que você comentou eu não leia ;)