quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Uns e outros


(post um pouco desabafo, pode ficar confuso :P)

Férias, aproveitei para ir até o CCSP e sair a caça de livros e partituras. Na fila da xerox ouço a conversa de uma mulher com um rapaz que leva o violino nas costas: "Minha filha fará o teste para piano na Municipal" (vejo os estudos de Anna Magdalena Bach na mão dela) O moço, não querendo ficar para trás, disse que estudava na UNESP e comentou algo sobre a ULM (eu estava ouvindo a conversa dos outros, fica difícil entender :P) A mãe continuou: "Minha filha fez um ano de violino na ULM e toca na Orquestra do Bacarelli. Ela tem habilidade para ser maestrina por isso já está tendo a formação. E eu acho que isso é talento, nasce com a pessoa, eu não estudo música e ela tem o dom." Na hora saio a procura da menina e vejo uma garotinha de 9 anos com vestido cor-de-rosa (*hífen :/*), cabelo preso e correndo de um lado para o outro.

Hum, não sabia o que pensar. De um lado, se a garota gosta de música deve ser a maior alegria dela ir até a aula, tocar na orquestra, cuidar das musiquinhas. Lembro de mim quando tinha 9 anos e comecei na flauta-doce. Por outro lado, eu só tocava flauta-doce, ela já toca violino, piano e está tendo formação para ser maestrina (!) Imagino se aos 18 ela mudar de idéia e decidir estudar outra coisa. Tudo bem, no caso é quase impossível, então penso no outro lado. Penso nos outros estudantes que só foram saber o que era maestro quando realmente decidiram o que queriam tocar, naqueles que viram em suas aulas de "musicalização infantil" uma nova brincadeira, algo divertido, que é como a música deve ser. Não estou falando que a mãe estava errada (mesmo que eu ainda não tenha idade para entender as mães), pelo contrário, acho que é lucro investir desde cedo no que o filho gosta. Só que essas situações me fazem pensar o porquê de uma grande maioria imaginar que o mercado musical não é difícil. Temos aqueles que estudam a vida inteira para terem uma chance, temos os outros que descobrem sua vocação mais tarde (e precisam esforçar-se mais, mas nada impossível) e ainda aqueles que conseguem gravar até o "funk de uma palavra só" (e isso é o que dá raiva...).

Um comentário:

Elaine disse...

É a síndrome de Mozart. Espero que essa menina tenha a oportunidade de mudar de ideia se quiser - e que essa mãe a compreenda.