terça-feira, 23 de junho de 2009

Com ou sem no jornalismo

O STF derrubou a exigência do diploma para o cargo de jornalista. E eu ainda não vi nenhum motivo para dizer "oh, que coisa horrível eles fizeram".
Eu entrei em jornalismo porque tinha muitas outras opções. Eu gosto de música, artes, cinema, literatura, fotografia, design e até atualidades e queria uma área que, em algum futuro remoto, eu estivesse em contato com tudo isso. Jornalista é isso mesmo, precisa saber de tudo um pouco e por isso que na faculdade sempre pedem para você ler muito, ir ao cinema e ao teatro com frequência, essas coisas que deveriam ser feitas por toda nação, mas que, estranhamente, precisam ser exigidas.
Agora, quem pode escrever melhor de Economia: um economista (dã...) que fica lá na Bolsa todo dia, acorda e vai dormir pensando nisso, ou um jornalista que vai, faz umas perguntinhas necessárias, volta para a Redação, googleia e escreve a matéria? Se o repórter fez tudo direitinho e tal, ele dará conta do recado, mas confesso que ler um texto com o final: "Fulano de tal é isso, isso e acolá" dá muito mais credibilidade ao que você acabou de saber, sem falar que o autor pode te dar muito mais informações por causa do conhecimento na área.
Esse primeiro argumento é o mais bobinho, vamos a outros que ouvi por aí: "Na faculdade de jornalismo você aprende as técnicas de um bom texto e passa isso ao leitor". Primeiro, ninguém vai te ensinar a escrever na faculdade. Você precisa chegar com vontade mesmo de escrever e ler, nem adianta choramingar. Tem isso? Então vamos as regrinhas das matérias que o G1 joga todo dia na internet:
1. No primeiro parágrafo (lide) você responde seis perguntas: o quê, quem, quando, onde, como e por quê.
2. Feito isso coloque as demais informações em ordem de importância.
3. Envie para a sua avó ou qualquer parente não jornalista ou cult e veja se ele entendeu. Se entendeu, tudo bem, pode publicar :D
Isso a gente aprende no primeiro dia e nunca mais, decorou. Serve para matéria de jornal diário, pura informação, você não chega na Piauí escrevendo isso. Por isso que eu, sem experiência na marra em jornalismo, acho que podem chamar muita gente para fazer esse tipo de matéria. Mas, jornalismo literário ou qualquer texto mais "complexo" (não é bem isso...) vão continuar chamando quem é formado em jornalismo. Lembra da história do economista, então, jornalista é bom e tem experiência em escrever (pelo menos deveria).
Mais uma coisa que eu ouvi: "Você precisa conhecer a ética jornalística". Esse eu nem tenho argumentos, parece que o pessoal das outras áreas não é ético, só os jornalistas que são. Aham, qualquer um com um pouco de consciência sabe que não pode escrever mentira, publicar notícia falsa ou inventar fontes.
"Tá, então por que você continua fazendo Jornalismo?" Porque eu gosto, oras. Eu quero escrever, quero publicar matérias, quero mandar emails para conseguir fontes, quero pesquisar e descobrir aquilo que eu nunca pensei que pudesse ser verdade. Jornalismo não tem mais diploma, porém não deixou de ser profissão. E, como em toda campo, o profissional precisa gostar do que faz, eu amo o que aprendo na faculdade e percebo que é isso que eu quero fazer, mesmo que as vezes a dúvida venha e bata à porta.

(Enfim, espero que comentem bastante o assunto...)

Um comentário:

Elaine disse...

Entre meus coleguinhas, a grita é geral. Eu dei de ombros: para mim, a decisão não foi surpresa nenhuma, o processo de "cassação" do diploma já estava encaminhado há muito tempo. Não estou com medinho nenhum de perder espaço. Minha única preocupação é o piso salarial baixar ainda mais, isso sim é alarmante.