sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Despedida

Mais um final de tarde frio na praia. Algumas famílias passeavam por lá com o vento cortando seus rostos. Crianças, em um canto, brincavam na areia enquanto o tempo gelado não as afastava do local. O mar agitado só parecia afugentar os poucos corajosos que andavam pelo local.

Em um banquinho de cimento, duas pessoas permaneciam sentadas. Apesar do frio, a menina e o menino só ficavam ali, parados, esperando alguma coisa que não iria acontecer. Os casacos de moletom bem escuros estavam por cima de outras blusas que davam cor aos amigos.

Era o último dia e os dois tinham compartilhado todos os momentos que consideravam importantes. Eram poucos, mas aos 13 anos tudo parece bem maior do que realmente é: o primeiro dia na escola, a primeira cola na prova, os tropeções durante a corrida, o curso de inglês, a troca de brinquedos, a primeira (e logo esquecida) decepção amorosa e, neste momento, a primeira separação que eles viviam.

Juntos, naqueles últimos minutos, pensaram em tirar uma foto, porém a imagem não descreveria os anos de convivência e amizade. Uma mera descrição, por mais detalhada que fosse, não relataria com fidelidade os sentimentos. Deixaram para lá e decidiram guardar as lembranças somente com a mente. Se algo fosse esquecido era porque não tinha importância e, assim, foram embora felizes porque, com a grandiosidade do momento, tinham a certeza de que tudo seria lembrado.

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Sinceramente, não gostei tanto. Depois de ler o tema no Blorkutando fiquei com essa ideia de "dia frio na praia" a semana inteira. O único porém é que a história não saia do "dia frio na praia" e sempre acabava em algo bem clichê de casalzinho. Tentei fugir, virei, dei voltas e, para mim, continua clichê (pelo menos sem casalzinho).

Outra coisa, isso não é um texto descritivo: um texto descritivo, necessariamente, não tem passagem de tempo e não tem verbos de ação, no geral, só de ligação. É isso (nossa língua, nossa língua...)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Confissões de uma canhota

(Super Interessante, Agosto/2009.)

"Por que existem canhotos?
A razão de algumas pessoas preferirem a mão direita e outros a esquerda é um dos mistérios da ciência. Sério, está ali, ali com 'de onde viemos' e 'para onde vamos'. Ninguém sabe ao certo por que não somos todos ambidestros (as vantagens seriam óbvias) ou, se era para escolher um lado, todos destros de uma vez. O fato é que 10% da humanidade teima em ser canhota, intrigando geneticistas, neurologistas e antropólogos. (...)"

Além de ter que ouvir desde de "Eu gostaria de ser canhoto, é tão bonito!" até "É muito estranho te ver segurando o garfo com a mão esquerda. Como você consegue?", ainda somos uma minoria e um mistério da ciência (releia o grifo meu).
Quando a professora dizia na pré-escola, "Levantem a mão direita, aquela que vocês escrevem", precisamos inverter a frase. O tempo passa, a tesoura aparece e ou você apela para uma adaptada ou aprende a usar a normal (coisa que eu não sei como consegui). O vestibular chega e em toda prova é preciso analisar o seu assento e pedir gentilmente ao supervisor uma carteira de canhoto. Na escola os lugares para os esquerdistas são os piores e você acaba se adaptando as carteiras para destros e virando todo seu corpo para a direita e quase escrevendo de ponta cabeça.
Se não bastasse tudo isso, sempre surge alguma pesquisa dizendo que canhotos são mais inteligentes, morrem mais cedo ou são mais criativos. E, por causa de todos esses aspectos, eu não me surpreenderia nem um pouco se descobrissem que canhotos tem uma baixa auto-estima, mas que, em um futuro pouco distante, dominarão o mundo dos destros por se adaptarem melhor às dificuldades (risada maligna).

Um registro...

Recebi este selo da Mari, blog Amores, Suspiros e Divagações. Obrigada!

Diga oito características suas (minhas listas nunca são muito boas, mas vamos lá):
1. Tentando ser jornalista; 2. Tentando ser musicista (ou pelo menos tocar bem); 3. Tenho vontade de escrever um livro; 4. Blogueira dificilmente satisfeita com suas atualizações; 5. Apaixonada por alguns (vários) personagens de livros; 6. Incômodo desses mesmos livros por sempre querer mudar alguma coisinha; 7. Gosto de assistir videoclipes (e ainda imagino roteiros para algumas músicas); 8. E uma coisa que todo mundo já sabe: ama a internet.

Quem quiser pegar o selinho, sinta-se a vontade.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Sobre livros arrumadinhos

Gosto muito de olhar livros infantis e tenho uma vontade enorme de ler Clara Luna e Apolo Onze. Livros para crianças são bonitinhos, coloridos, com textos alinhados e capas chamativas. Toda essa coisa, que dizem ser pedagógica, ainda chama minha atenção e um livro de literatura desse jeito ficaria lindo.

Como disse no post anterior, sempre olho o tamanho da letra de um livro antes de lê-lo e, principalmente, comprá-lo. Eu não vou pagar por um livro de 400 páginas com uma letra minúscula que vai do topo da página até o final sem espaçamento mínimo entre as linhas. Prefiro um livro grosso do que minha vista cansada. E se o problema são as árvores e, por isso, querer economizar papel, partam para o reciclado. Diagramação limpinha é o que eu peço.

Pode parecer frescura, mas já tive casos desse tipo. Durante o Ensino Médio tive que ler A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós. Comprei uma edição mais barata e bem antes da prova para ler com calma. Ao abrir o livro viro a primeira página e, pronto, o livro começou. Não tinha uma dedicatória, um prólogo, um comentário, um nada dessas coisas que eu sempre leio quando acabo o livro. Tudo bem, parti para o texto com os menores tipos que eu já vi na minha vida, as linhas indo até a borda da folha fazendo você pensar que cortaram as páginas de forma errada, parágrafos que pareciam ainda maiores porque, com essa economia de espaço, você demorava um bom tempo para virar a página. No final, li metade do livro um dia antes da prova, não gosto de A Cidade e as Serras até hoje e não tenho vergonha de colocar um pouquinho da culpa na diagramação assustadora. Bem que poderia ser arrumadinho como os livros infantis, não?!

Foto: Jornal que fizemos semestre passado e eu, gentilmente pressionada, fui a diagramadora. No início achei que eu só teria que encaixar o texto no layout do InDesign, mas isso se tornou muito mais complicado. Esse jornal ia e voltava e os textos nunca terminavam no lugar certo, as fotos sempre ocupavam espaço demais para o meu gosto e as letras de uma matéria eram maiores que as outras. Depois de muitas idas e vindas o negócio saiu e me fez pensar: se dá tanto trabalho, pelo menos mostre que tem garra e faça uma diagramação organizada para uma leitura confortável.

PS: É a minha matéria, ok?! :) E o scanner também se voltou contra mim e cortou todo o espaço que eu deixei na borda, omg.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Cada um tem a sua

Chorar quando está com raiva. Comer chocolate quando está ansiosa. Inventar diálogos em inglês quando está sozinha. Ler deitada. Estudar ouvindo música. Pensar durante uma semana no texto que vai postar e, na hora, querer apagar tudo e esquecer do blog. Analisar o tamanho da letra dos livros que pretende ler. Escrever, com a pior letra possível, quando quer desabafar.

Manias estranhas são aquilo que faz cada um ser um pouco mais diferente. Saber lidar com os nossos vícios e se adaptar as manias dos outros é o que torna a convivência complicada e, ao mesmo tempo, empolgante. O mundo seria muito chato se todo mundo fosse neurótico em apertar a pasta de dente pelo meio.

(Post para o Blorkutando)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Jane Austen e... e... e...

Assim como a versão de Little Women feita pela Meg Cabot, esse vídeo também me agradou. Principalmente pelo fato de que o Willougby finalmente levou o que merecia por ter traído meu coração... quer dizer, o coração da Marianne. Detalhe para a Dashwood super corajosa que pulou no lago (com o vestido já molhado) para salvar o amado e, a melhor parte, o nome do livro rodeado de respingos de sangue, digno de uma paródia de filme de terror.

E já que temos Razão e Sensibilidade com monstros marinhos e Orgulho e Preconceito com zombies, por que não criar os outros? Para Abadia de Northanger eu colocaria uns fantasminhas. Apesar de todo aquele clima gótico que a Catherine adora, eu não acho que o pessoal da Abadia seja lá tão corajoso, então uns gasparzinhos já estão de bom tamanho.
Para Emma, talvez lobisomens. Imaginei o Frank Churchill como um lobo parecendo durão, mas quando o Knightley surge para deixá-lo bem longe de Emma, o garoto (lobinho?) foge. Para completar, temos Jane Fairfax gritando de um lado para o outro.
Para Manfield Park, com todo aquele clima pesado, vampiros. Os Crawford seriam os vampiros sedentos por novas vítimas. Maria Bertram já foi mordida por Henry; Edmund e Fanny são os desesperados fugindo dos vampiros. Porém, no final, descobrimos que Edmund já foi mordido por Miss Crawford e ficamos imaginando o que acontecerá com Fanny. MUAHAHAHA!
Persuasão eu deixo para vocês que leram o livro e queiram incomodar o sossego da Jane Austen. Acreditem, é algo divertido.



Mudando de assunto: eu vejo esse negócio de trailer para livros como algo que deveria ser incentivado. Por exemplo, todo mundo fala que não leu o livro, mas assistiu o filme. Aí você tem o "filme", todavia sem o final e, por isso, sente vontade de ler o livro. É uma boa ideia, afinal...

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Querida Globo,

Eu nunca entendi porque vocês gastavam tanto para fazer uma novela sem história e que não ensina muita coisa. Nunca entendi porque vocês tiveram que usar um estilo de jornal em que as notícias passam logo para ninguém pensar no assunto e sempre termina com uma novidade feliz e um "boa noite" do William Bonner. Nunca entendi porque deixar de lado os grupos com os quais vocês tem "birra" sendo que o jornalismo deveria dar lugar a todos.

Na verdade, eu sempre soube os por quês, mas vocês me deixaram na dúvida. Por que, então, vocês produziram uma série que conta exatamente a resposta? Uma série como Som e Fúria em que o dilema em todos os capítulos é qualidade x dinheiro, fama, orgulho.

Depois de Capitu (em que o universo de Machado foi revelado) , vocês aparecem com Shakespeare, teatro puro, cenas inteiras, atuações maravilhosas. Vocês percebem o que o seu público tem recebido? O que empresários, empregadas, lixeiros, professores e qualquer um do Oiapoque ao Chuí pode ter assistido? Não é qualquer coisa. Em Capitu foi literatura brasileira da melhor qualidade com trechos que vieram direto do livro. Em Som e Fúria foi o contato com o teatro e falas que ultrapassam o "bom dia, como vai?". Vocês deram até qualidade ao público que pode não aceitar mais qualquer coisa e mudar toda sua posição diante da TV.

Se perceberam tudo isso, espero que tenham gostado e continuem com essas séries. Se não gostaram, fico triste, porque eu, sinceramente, esperava mais trabalhos neste estilo nas telas. Acho que vou ter que aguentar umas atuações como essa:

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

E finalmente...

... eu fui ao cinema. Não, não foi a minha primeira vez em um cinema, mas, como eu já comentei aqui, não sou a pessoa mais presente em frente os telões. Suspeito que isso seja por causa de uma "síndrome" que atingiu minha família e nos faz ir ao cinema para assistir somente filmes infantis. Por isso que, na quarta, eu, minha irmã e minha mãe fomos assistir Era do Gelo 3 (uhul!)

"Oh, vocês assistiram em 3D?!" Não! Fomos em um cinema perto de casa famoso por colocar os filmes em cartaz só depois de todas as outras salas (Inimigos Públicos está como "em breve"). E o melhor, ele possui alta tecnologia em seu modo de exibição utilizando aquelas cameras que rodam a fita com o filme, o que garante que a projeção sofra algumas interferências (durante uns três minutos a tela ficou escura e você só ouvia o filme). Lógico que a camera só começa a rodar depois que todos entraram na sala pelo simples motivo de que o funcionário que liga a projeção é o mesmo que vende os ingressos e que faz a pipoca (imagina o stress!). As acomodações são um caso a parte porque, como todos preferem sentar no meio do cinema, aqui não temos esse problema: a partir da terceira fileira já é o meio da sala.

Isso tudo já me garantiu umas boas risadas. Mas o público foi a melhor parte. Quem estava na sessão das 15h: um pai e sua filha (normal), eu, minha mãe e minha irmã (quase normal :P), um rapaz de, sei lá, 20 anos, sozinho, preparado com uma sacolinha de lanches (estranho...), uma mãe e sua filha (normal), quatro velhinhas super animadas por terem chegado a tempo (muito estranho).

Depois de todo esse cenário, como eu poderia prestar atenção no filme? Fiquei rindo na saída do cinema. Mas, como eu sei que vocês querem saber sobre a animação, darei meu parecer: não é lá essas coisas. É engraçado para passar uma tarde preguiçosa, mas o primeiro Era do Gelo foi melhor. No terceiro meu personagem favorito, o Diego (o tigre), quase nem aparece e, quando surge na tela, conta umas piadas nem tão irônicas. Ele parece passar por uma crise existencial como um solteirão de meia idade. O mamute que era "sou bonzinho, mas me faço de durão", agora é só "sou bonzinho", culpa da paternidade. O Syd continuou o mesmo, mas, para mim, o mais engraçado foi a doninha louca que vive no meio de um apocalipse.

Pelos meus comentários vocês podem perceber que, apesar de não ir tanto ao cinema, de Era do Gelo eu conheço tudo. Vai entender...

PS: Confesso que eu tenho orgulho desse filme por ele ter sido dirigido por um brasileiro bem jovem que foi crescendo e chegou nesse estágio. Até me anima...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

But it's a cruel, cruel world...

Competir foi o que fez as torres gêmeas cairem. Competir é o que faz a rainha querer matar a princesa por essa ser mais bonita. Competir foi o que fez Caim matar Abel. Competir é o que faz o Crocker querer capturar os Padrinhos Mágicos. E, apesar de todos os pesares, competir é o que faz as pessoas acordarem para mais um dia.

Vai lá, competir não é de todo mal, é, simplesmente, natural. O ser humano compete até para pegar o ônibus e conseguir sentar na janelinha. Competir, com respeito, é o que move o mundo. Você não estuda porque acha super legal. Você pode gostar (eu gosto), mas o verdadeiro motivo é porque você quer um emprego e te disseram que se você não estudar, sem emprego. Ué, isso é competir, é quase um campo de treinamento espartano.

Você não vive cada dia como se todos os seus objetivos já tivessem sido alcançados. Não, tem sempre mais um, bem pequenininho e, para consegui-lo, encontramos motivos para competir até com nós mesmos. O grande problema, como sempre, está em como usamos a competição, se queremos esfolar o moço da nossa frente ou se vai naturalmente.

Comigo vai naturalmente (pelo menos não tenho costume de pular em cima dos outros e atacá-los). Sou até inocente para essas coisas, só tento tomar cuidado para o mundo não me devorar...

(Post para o Blorkutando)

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

E o show continua...

Fui ao Teatro Municipal e por alguns minutos lembrei de Lúcia e Paulo trocando olhares entre os camarotes. Lembrei de Dom Casmurro antes de tentar matar o filho e lembrei que "A vida é uma ópera" como diria Machado. Por alguns minutos lembrei de Som e Fúria que eu estava assistindo antes de sair de casa. Lembrei de Shakespeare e de quando, no ensino fundamental, eu li várias obras dele. Infelizmente não lembro se eram uma daquelas adaptações que colocam em bibliotecas de escola, só lembro de ter lido e gostado muito de Sonhos de uma noite de verão e A megera domada.

Isso me fez lembrar de quando pequena ter ido com a minha mãe ao Teatro Municipal e assistido ao ensaio geral de um balé. Não recordo de detalhes, só que haviam vários grupos de excursão, eu sentei em um lugar muito bom onde podia ver tudo, dos sons que a orquestra "escondida" fazia enquanto afinava os instrumentos, do chapéu de um pequeno ator que caiu e de que conhecia todos os personagens porque eu sabia a história que o balé contava.

Também lembro que sai bem tarde e muitas pessoas dormiam nos arredores do teatro coisa que ainda não mudou.