terça-feira, 29 de setembro de 2009

O Diabo Veste Prada (Lauren Weisberger)

Desde que eu soube do lançamento de O Diabo Veste Prada, fiquei animada para assistir. É um filme super simpático, com uma mensagem bonitinha e, depois de assisti-lo, resolvi que iria ler o livro. A versão original não é tão simpática quanto a do cinema, mas é melhor ficar longe de comparações.
A história todo mundo já conhece, se não, a Wikipédia te responde (neste caso...). Andrea acabou de sair da faculdade e sonha com um emprego na revista The New Yorker. Até aí tudo bem, porém ela não parece nem um pouco disposta a sair para batalhar por esse emprego. Ela simplesmente está preocupada em deixar a cidade do interior onde mora com seus pais e, tentar, encontrar um apartamento em Nova York para não ter que morar com a amiga, Lily, que também já está cansada da folga de Andrea.
Inesperadamente (e depois todo mundo entende por quê), a garota que veste calça de moleton com a blusa por dentro encontra um emprego como assistente júnior da editora de moda da revista Runway, Miranda Priestly. Nos primeiros meses, Miranda está viajando e quase não aparece, o que é meio triste já que as piadas estão no fato de Andrea ter que manter a compostura enquanto coloca o café da manhã na mesa da chefe. Todavia, sempre tem algum chato por perto, no caso a assistente sênior Emily. Ela é uma personagem bem divertida que passa do "é super legal desempacotar os presentes de Miranda" para "aquela mal-agradecida me ligou no meio da madrugada" com uma facilidade e um medo da chefe que gera piadas sem querer.
Outras personagens interessantes são aqueles ao redor de Andrea, como Lily, o namorado professor-de-criancinhas-malvadas Alex e a família da garota. Todos bem simples, daqueles que encontram prazer nas pequenas coisas da vida e totalmente diferentes do mundo em que Andrea acaba entrando e se tornando (mesmo negando esse fato até o final do livro).
Eu li o livro para, talvez, vivenciar um pouco dessa realidade da moda que parece tão fascinante e, ao mesmo tempo, traiçoeira. Se for como no livro, esse mundo está muito longe do meu. Viver em um local onde se joga comida fora três vezes ao dia somente porque quando sua chefe chegar o café estará meio frio? Descrever um namorado com marcas de roupas, ressaltando as grifes, sem nem explicar direito qual é a aparência dele? Não, não consigo conviver com isso (ou talvez o erro seja eu ter lido este livro depois de O caçador de pipas).
O filme, em diversas partes, é melhor que o livro, tanto que algumas das melhores cenas não estão na versão original. No entanto, o desfecho do livro é mais "real" do que aquele que colocaram no filme em que todos os problemas na vida de Andrea foram solucionados como mágica. É um livro legal, mas talvez eu tenha posto muita expectativa e por isso não me agradei. Uma coisa é certa: é preciso ter muita paciência para aguentar cinco nomes de grifes em cada parágrafo.

PS: Agradeço a todos os comentários nos últimos posts. Ainda não respondi a todos, mas logo os retornarei :)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Dia de princesa do meu jeito

Sexta-feira, último dia da Meg Cabot em São Paulo, as senhas seriam entregues ás 10h, horário em que a FNAC abre, e eu estava saindo de casa ás 9h e, não, eu não moro na esquina da Av. Paulista. Sai com aquele sentimento pessimista "se a fila estiver muito grande, volto para casa", eu não podia encarar 10 horas de espera como na Livraria Cultura ou, pior, aquela fila assutadora da Bienal do Livro no Rio de Janeiro. Não aconteceu nada disso. Cheguei e a fila estava com umas 90 pessoas, a maioria meninas bonitinhas com roupas coloridas.
Sentei no chão e por dois minutos imaginei o que eu estava fazendo ali. Na realidade eu li somente dois livros da Meg e ambos neste ano, nenhum era o Diário da Princesa. O pessoal da fila lia Meg Cabot há dez anos, cresceu com a autora, não deixou de comprar um livro, e eu lá, assim, parecendo perdida. Mas... e daí? Eu gostei dos dois livros, lia o blog dela a cada nova postagem, me senti incentivada ao ler a história de como os livros tinham sido rejeitados 17 vezes e prometi seguir cada conselho dado por ela para os novos escritores (me deixem sonhar, tá).
Depois destes devaneios fiquei eu, O diabo veste Prada (não é a melhor companhia do mundo), a fome e uma vontade de tomar capuccino, já que todas as meninas a minha volta estavam tomando um e a Andrea não sairia do livro para tomar conta do meu lugar enquanto eu ia à lanchonete. Atrás de mim estava um menino com um livro da Mediadora e eu fiquei imaginando como os garotos se sentem ao ler Meg Cabot. Sério, se algum menino já teve essa experiência, responda-me: vocês sonham com a protagonista como namorada perfeita, leem para tentar imitar o heroi da história ou nenhuma das anteriores? É verdade, sempre quis saber, também vale para leitores de Jane Austen.
Apesar daquela quantidade alarmante de meninas jovens, não teve histeria. No máximo alguns gritinhos na hora de entrar na livraria, mas nada ao estilo tiete. Todas bem educadas, sentadas esperando a sua vez com alguns guarda-chuvas abertos para proteger do sol.
Durante a espera, pensei em várias coisas que eu poderia falar, mas nenhuma me parecia muito boa. Cheguei na frente da Meg, abracei-a e tirei essa foto em que ela saiu com a boca meio torta (escritores tem fome, tinha pão de queijo na mesinha):E qual a única frase que eu consigo soltar enquanto ela assina? "Você é canhota, eu também." Juro, na hora não pareceu tão bobo quanto agora. Ela soltou um "Ah, é bem complicado para a gente" (os canhotos são uma classe unida, lembrem-se disso). Eu ia completar e iniciar minhas filosofias sobre como é difícil usar a mão esquerda, mas não houve tempo. Agradeci e sai com um sorriso que só foi desfeito quando eu realmente percebi que ainda estava com os dentes a mostra no meio da rua. O livro autografado não voltou para a prateleira, ficou em cima da escrivaninha e toda a hora eu o abro para dar uma olhada no autógrafo e soltar mais um sorrisão como foi na hora:

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Esperando pelo sapo

Durante o Ensino Médio, uma amiga escreveu uma redação em que a personagem realmente procurava pelo seu princípe encantado. A professora ao ler aquilo soltou, com desgosto: "Mas vocês ainda esperam um princípe encantado?" Apesar de todas as risadinhas finas e comentários "não, imagina, pff", eu fiquei pensando se, mesmo inconscientemente, não tem muita gente caçando um princípe por aí.
Algumas meninas saem falando do "namorado" como se fosse O escolhido. Simplesmente, É ele. Na semana seguinte, terminam tudo, ficam tristes durante um tempo e até o próximo "namorado" não acreditam que o Sr. Encantado exista.
Ás vezes, eu preciso concordar com o que vários garotos comentam: é difícil agradar as mulheres, quem dirá se tornar o cavaleiro sobre cavalo branco delas. Diferente dos contos de fadas, em que os protagonistas vivem romances que me encantam até o "felizes para sempre", nós vivemos em um mundo em que as pessoas possuem opiniões. Por que o princípe da Branca de Neve era maravilhoso? Ora, porque nem se ele soubesse do que ia acontecer ele iria se opor a ela comer a maçã.
Esses princípes dos livros ficam por aí, parados, sem discutir, aceitando o que lhes for proposto. As princesas também não são muito diferentes. E, oh, todos sonham com o dia em que o mundo será assim. Fora desse universo alternativo, seu namorado não vai querer te ver usando determinada roupa, assim como você não vai querer trocar de roupa só porque ele pediu. E, de repente, o mundo feliz-e-saltitante do amor não existe.
Encarando a realidade: o princípe encantado não vai aceitar tudo o que ela propor, nem ela vai gostar de tudo o que ele pedir. Ele não vai chegar no cavalo branco (ou no carro do ano) e ela não vai usar vestido longo e sair maquiada todo dia. Ele não estará presente em cada segundo da sua vida e até ela vai querer uma noite só com as amigas.
O princípe não vai bater a sua porta te convidando para o baile de máscaras, tampouco estará naqueles meninos que você beijou na noite de sexta. Ele não vai te agradar em todos os aspectos e até você fará uma ceninha e o tirará do sério. E, mesmo com esses problemas e dilemas, ainda temos esperança em encontrar o princípe encantado, mesmo com a forma de um sapo. No mundo real, talvez seja ele parecer um anfíbio que o torne interessante (ou você não é apaixonada pelos heróis austenianos nem tão perfeitos?)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Música de fundo

Durante a tarde, em uma sala meio amarelada por causa do sol indo embora, eu pedia à minha mãe colocar uns LPs (!) com músicas evangélicas para crianças. Vestia-me feito uma bailarina e dançava pelo cômodo (só fingia, nunca fiz aula de dança, eu achava que iria aprender sozinha).
Quando cresci um pouco entrei em uma fase Eliana: não gostava de Angélica, Xuxa e das outras apresentadoras loiras. Hoje eu acho a Eliana um antipática sem noção, mas naquela época eu gostava das musiquinhas. Fazer o quê, meu passado musical me condena.
Aos 10 anos, minha mãe trouxe para casa uma fita cassete (!²) com gravações de músicas da Chiquinha Gonzaga, do Pixinguinha e do Villa Lobos. Nem preciso dizer que amei tudo aquilo, até porque eu tinha começado a estudar flauta-doce e minha paixão por essas músicas instrumentais estava só no início.
Prestes a entrar no Ensino Médio, comecei uma fase de ficar doida por animes e mangás. Cada abertura/ encerramento já era mais uma música para eu procurar por aí. Alguns cantores hoje machucam meus ouvidos com vozes finas demais, mas outros mostraram que são bons de verdade.
Até aí eu não conhecia uma grande variedade de músicas; na verdade, era bem fácil listar aquilo que eu ouvia. Comecei a pensar que eu tinha que mudar isso: eu ficava de fora de algumas conversas e, o pior, eu queria seguir na área de jornalismo musical! Como fazer isso se eu conhecia meia dúzia de cantores desconhecidos para maioria? Ganhei um mp4 e sai a caça de todos os artistas, pesquisei sobre notícias de gente que eu nem gostava tanto.
O que acontece hoje é o mesmo que aconteceu com a minha realidade dos livros: eu percebi que nunca conseguirei ouvir tudo que esse mundo produziu, nunca entenderei todos os gêneros musicais e, por mais que eu queira que a minha trilha sonora tenha mais de 100 faixas, os momentos importantes não são compostos pelas músicas que você tenta conhecer e apreciar, mas, sim, por aquelas canções que você realmente gosta. Como aquelas músicas nas tardes ensolaradas dançando ao som dos LPs e tentando ser uma bailarina.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O Caçador de Pipas (Khaled Hosseini)

Amir cresceu na Cabul da década de 70, época em que "as crianças ainda não reconheciam o barulho de uma bomba". Ele e seu pai, ou baba, são parte de uma etnia poderosa e moram com os empregados Ali e seu filho Hassan, que tomou o leite da mesma mulher que Amir formando, entre eles, um elo maior que o da fraternidade. Hassan defende o amigo de todas as brigas, enquanto Amir vive em um mundo de imaginação, muitas vezes longe do companheiro. Quando ele se vê na situação de defender Hassan, foge, e esse evento lhe criará obstáculos até a fase adulta.
Só pela história eu já me interessei, afinal é complicado encontrar personagens masculinos que sejam amigos e SÓ amigos (parece que homem não tem amigo, entende) e uma amizade que se passa no Afeganistão, um lugar que eu conheço apenas pelo que vejo nas notícias. E, ah, o livro traz muito mais do que isso.
Por exemplo, a relação de Hassan e Amir que uma hora é como amizade e depois se torna de criadagem; as atitudes honradas de baba em contradição com o relacionamento dele com Amir no início do livro; o modo como o autor transita entre o passado e o futuro, sem confusão; a vida dessa "família" afegã nos Estados Unidos; o exemplo de como as atitudes do passado podem afetar o futuro (no caso de Amir e Assef) ou como você pode dar a volta por cima e esquecer os dilemas (no caso de Hassan); e, o mais incrível, a descrição da história afegã em todos os capítulos do livro, desde o simples torneio de pipas até o regime talibã: o retrato de uma nação com "muitas crianças, mas pouca infância".
Cada ação alegre e feliz é seguida de um acontecimento desanimador, assim como na vida (as vezes uma notícia pode fazer o seu dia ou acabar com ele). Você vibra com o torneio de pipas, mas no decorrer da história se lembra de que existem crianças por aí sofrendo os maiores abusos do mundo. Você se anima com os casamentos e depois surge uma morte. Nas últimas páginas você chega até a não aguentar todo esse vai-e-vem, porém, também tem a certeza de que tudo pode mudar de uma hora para a outra.
O que posso dizer, é lindo. Eu chorei no desfecho, não por causa do sofrimento, mas sim porque descobrimos que, mesmo com a dor e as lutas, sempre temos chances na vida que podem transformar toda uma geração. As vezes essas decisões podem passar despercebidas, outras vezes não; cada um dos personagens mostrou uma forma diferente de encarar a vida e cabe ao leitor se identificar com aquele que mais lhe chama a atenção e, então, se emocionar com o livro.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Chove chuva, chove sem parar

Nos filmes, os casais mais apaixonados se beijam com as roupas molhadas sob a água da chuva. Assim como os casais mais lindos e perfeitos que foram feitos um para o outro se separam na chuva com o moço olhando para o horizonte aonde sua amada corre sem olhar para trás.

É, tudo muito lindo, mas esqueça toda essa poesia porque ontem choveu e, ah, como choveu.

Para quem acordou as 6 da manhã, como eu, percebeu que o dia estava da melhor maneira possível: o céu amarelado, o clima ameno e o ventinho gostoso que parecia vindo da praia. Porém, as 8h ficou noite e o termo "terra da garoa" não tinha nada a ver com São Paulo.
Choveu, choveu e... choveu. Minha mãe ligou para casa pedindo para eu não ir a aula, eu respondi que se a chuva não estivesse muito forte, eu iria sim (eh, sou nerd). Bom, quem mandou desrespeitar a mamãe: quando eu resolvi almoçar, a energia acabou. Fiquei com fome tentando achar um cantinho com "luz" para eu ler alguma coisa. Depois de meia hora agradeci pelo sistema de eletricidade não ser como no tempo dos meus pais (a energia acabava toda semana durante horas, segundo eles), almocei e, como não chovia demais e ainda estava no horário, fui me trocar para sair. Pronto, cai o céu novamente e tudo fica escuro.
Como minhas últimas batalhas contra as forças da natureza não deram muito certo (sem ônibus, voltei a pé para casa sem usar guarda-chuva porque eu não tenho paciência para segurá-lo), resolvi ficar em casa, sem mexer no computador com medo de que desse um blackout e o coitado morresse.

Esquecendo todas essas reclamações fúteis, preciso agradecer a Deus por não ter perdido nada e nem ninguém, como várias famílias, por não ter ficado presa no metrô, no ônibus, na rua e por não ter sido atingida por um raio (meio impossível numa cidade feita de prédios). E toda poesia que envolve a chuva deve demorar a voltar.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Até quando eu passar fome

Sempre me disseram que para cozinhar você precisa de paciência, amor, cuidado. Bom, eu não sigo essas regras. Quando vou almoçar primeiro procuro o que dá para cozinhar mais rápido já que eu fiquei enrolando no computador e, quando percebo, estou atrasada para a faculdade. Se não tem nada, aí preciso cozinhar "de verdade".
Enquanto frito alguma coisa, saio correndo e vou me trocar. Quando volto, mexo a água da outra panela e corro para o computador porque, mesmo atrasada, ainda não terminei de assistir o episódio de algum seriado. Para finalizar, eu estou mais preocupada em ter alguma coisa para comer e não passar fome durante o dia do que saborear um prato suculento (até porque eu tenho noção dos meus não-dotes culinários e sei que nada que eu fizer ficará "suculento").
E, enquanto me alimento do seja-lá-o-que-eu-esquentei, penso nesse post e começo a entender porque o pessoal de The Big Bang Theory só come comida pronta ou sanduíche: as vezes minha necessidade básica, a alimentação, não parece tão importante quanto eu terminar um trabalho para a faculdade ou assistir um season finale (isso até eu ficar com fome no meio da aula por ter comido só um hamburguer).

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

E os culpados são...

Sempre tive uma tendência a colocar a culpa de todos os males da sociedade na educação. Meu primeiro palpite para algo não dar certo é porque fulano de tal (ou eu mesma) não estudou, dedicou, pesquisou o bastante. O grande porém é que falando de deliquência juvenil, não dá para colocar a culpa só na educação.
Como eu posso dizer que um menino da favela que rouba ou vende drogas caiu nesse mundo porque não teve um ensino de qualidade na escola se, no outro lado da cidade, um grupo de "filhinhos de papai", que pagou mais de 1000 reais em uma mensalidade, sai queimando e chutando mendigos por aí. Ora, eu imagino que nenhuma professora disse para eles que maltratar os outros é super legal.
Ah, então deve ter sido culpa da família que nunca esteve presente e ao lado dos parentes. Porém, vale lembrar de todas as histórias sobre jovens que sustentam as famílias sozinhos porque o pai/mãe fica fora o dia inteiro trabalhando para receber um salário mínimo no final do mês.
Bom, no final deve ser culpa do governo que não prende logo todo mundo que comete um crime. Ah é?! Engraçado que a gente sempre termina colocando a culpa no governo, mas quando chamam para um trabalho voluntário, ou para um grupo de ajuda a criança carente, ninguém está a fim de participar. Puxa, se o governo não faz nada, melhor você começar por algum lugar.

Não estou falando que eu sou perfeita e salvo a pátria todo dia. Sinceramente, me sinto no dever de fazer muito mais, só que as vezes um post nesse blog (talvez pouco lido) é o máximo que eu alcanço. O caso é: não dá para encontrar UM culpado para todos os crimes que acontecem nesse mundo. Os problemas não aparecem bem divididos entre o bem e o mal, sempre há mais de um fator envolvido. Jovens cometem delitos todos os dias pelos mais diferentes motivos, desde chamar a atenção dos pais até comprar uma arma, passando até por problemas psicológicos. Em todos esses crimes há um único culpado? Não, cada um cometeu o erro por um motivo que achou suficientemente convincente.

A única solução que eu posso imaginar para toda essa bagunça é conhecer profundamente cada uma dessas crianças e adolescentes, conversar e chegar a se tornar amigo delas. Não importa se é uma, duas, o irmão da sua amiga ou seu vizinho. Também não acho que isso vá mudar todas as gerações, mas uma pessoa a menos propensa a matar alguém já é meio caminho andado. O cotidiano seria diferente se o ser humano soubesse valorizar cada semelhante e descobrisse as fraquezas e forças do próximo.

Mas, para quê? Estamos muito ocupados com o dia a dia até esses problemas baterem a nossa porta...

(Post para o Blorkutando que eu não ia participar essa semana, mas senti uma certa necessidade. A verdade é que este texto ficou otimista que nem o post abaixo...)

EDIT: Fiquei em terceiro lugar nessa edição do Blorkutando. Obrigada!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Vergonha alheia

Eu fiquei com raiva desse video. Lá fora, um monte de gente já cantou o hino para jogo de baseball, basquete e sei lá mais o quê. Aqui, uma vez que tentam, pronto, olha o que aconteceu. E o músico ainda tentou salvar, mas no final tiveram que cortar o microfone mesmo se não continuaria com o "povo vivído do berço do Ipiranga". Na verdade, a raiva do vídeo já passou, a raiva da Vanusa também, mas a vergonha pelo que fazem com o hino, ainda não.
Na escola, todo dia do índio a gente se pintava, na semana do Tiradentes contavam a história da Inconfidência e mostravam aquele quadro do Pedro Américo, os livros tinham o hino impresso na contra-capa. Até a oitava série, toda segunda-feira a escola se reunia para cantar o hino nacional: colocavam o CD no rádio e os alunos ficavam olhando para frente, com as mãos nas costas, só cantando. Ao terminar, todos sentavam e sem aplaudir porque era falta de educação. E, sabe de uma coisa, com isso tudo a gente pensava que o país era perfeito.
Conforme você cresce, as coisas mudam. O pensamento que vem é "Para quê eu vou cantar o hino se o Sarney fez aquilo, o Senado tá assim, a Amazônia acabou, o povo não vai para as ruas, ..." Eu gostaria de saber o que o hino tem a ver com isso. Sabe aquela história de começar a consertar o erro pelos pequenos detalhes? Então, comece pelo hino. Não importa se tudo acaba em pizza e você é o maior pessimista do mundo. Você nasceu no Brasil? Ora, isso não dá para mudar, pelo menos aceite com respeito a sua nação, mesmo quando não for época da Copa. Não precisa esquecer e jogar fora todo o trabalho que o Joaquim Osório e o Francisco Manuel tiveram. Por pior que você ache que o país está, você nasceu aqui e aquela histórinha de "respeito aos símbolos nacionais" continua valendo. Pelo menos já é um passo adiante.

(geração otimista mode on)