quinta-feira, 3 de setembro de 2009

E os culpados são...

Sempre tive uma tendência a colocar a culpa de todos os males da sociedade na educação. Meu primeiro palpite para algo não dar certo é porque fulano de tal (ou eu mesma) não estudou, dedicou, pesquisou o bastante. O grande porém é que falando de deliquência juvenil, não dá para colocar a culpa só na educação.
Como eu posso dizer que um menino da favela que rouba ou vende drogas caiu nesse mundo porque não teve um ensino de qualidade na escola se, no outro lado da cidade, um grupo de "filhinhos de papai", que pagou mais de 1000 reais em uma mensalidade, sai queimando e chutando mendigos por aí. Ora, eu imagino que nenhuma professora disse para eles que maltratar os outros é super legal.
Ah, então deve ter sido culpa da família que nunca esteve presente e ao lado dos parentes. Porém, vale lembrar de todas as histórias sobre jovens que sustentam as famílias sozinhos porque o pai/mãe fica fora o dia inteiro trabalhando para receber um salário mínimo no final do mês.
Bom, no final deve ser culpa do governo que não prende logo todo mundo que comete um crime. Ah é?! Engraçado que a gente sempre termina colocando a culpa no governo, mas quando chamam para um trabalho voluntário, ou para um grupo de ajuda a criança carente, ninguém está a fim de participar. Puxa, se o governo não faz nada, melhor você começar por algum lugar.

Não estou falando que eu sou perfeita e salvo a pátria todo dia. Sinceramente, me sinto no dever de fazer muito mais, só que as vezes um post nesse blog (talvez pouco lido) é o máximo que eu alcanço. O caso é: não dá para encontrar UM culpado para todos os crimes que acontecem nesse mundo. Os problemas não aparecem bem divididos entre o bem e o mal, sempre há mais de um fator envolvido. Jovens cometem delitos todos os dias pelos mais diferentes motivos, desde chamar a atenção dos pais até comprar uma arma, passando até por problemas psicológicos. Em todos esses crimes há um único culpado? Não, cada um cometeu o erro por um motivo que achou suficientemente convincente.

A única solução que eu posso imaginar para toda essa bagunça é conhecer profundamente cada uma dessas crianças e adolescentes, conversar e chegar a se tornar amigo delas. Não importa se é uma, duas, o irmão da sua amiga ou seu vizinho. Também não acho que isso vá mudar todas as gerações, mas uma pessoa a menos propensa a matar alguém já é meio caminho andado. O cotidiano seria diferente se o ser humano soubesse valorizar cada semelhante e descobrisse as fraquezas e forças do próximo.

Mas, para quê? Estamos muito ocupados com o dia a dia até esses problemas baterem a nossa porta...

(Post para o Blorkutando que eu não ia participar essa semana, mas senti uma certa necessidade. A verdade é que este texto ficou otimista que nem o post abaixo...)

EDIT: Fiquei em terceiro lugar nessa edição do Blorkutando. Obrigada!

Nenhum comentário: