terça-feira, 15 de setembro de 2009

O Caçador de Pipas (Khaled Hosseini)

Amir cresceu na Cabul da década de 70, época em que "as crianças ainda não reconheciam o barulho de uma bomba". Ele e seu pai, ou baba, são parte de uma etnia poderosa e moram com os empregados Ali e seu filho Hassan, que tomou o leite da mesma mulher que Amir formando, entre eles, um elo maior que o da fraternidade. Hassan defende o amigo de todas as brigas, enquanto Amir vive em um mundo de imaginação, muitas vezes longe do companheiro. Quando ele se vê na situação de defender Hassan, foge, e esse evento lhe criará obstáculos até a fase adulta.
Só pela história eu já me interessei, afinal é complicado encontrar personagens masculinos que sejam amigos e SÓ amigos (parece que homem não tem amigo, entende) e uma amizade que se passa no Afeganistão, um lugar que eu conheço apenas pelo que vejo nas notícias. E, ah, o livro traz muito mais do que isso.
Por exemplo, a relação de Hassan e Amir que uma hora é como amizade e depois se torna de criadagem; as atitudes honradas de baba em contradição com o relacionamento dele com Amir no início do livro; o modo como o autor transita entre o passado e o futuro, sem confusão; a vida dessa "família" afegã nos Estados Unidos; o exemplo de como as atitudes do passado podem afetar o futuro (no caso de Amir e Assef) ou como você pode dar a volta por cima e esquecer os dilemas (no caso de Hassan); e, o mais incrível, a descrição da história afegã em todos os capítulos do livro, desde o simples torneio de pipas até o regime talibã: o retrato de uma nação com "muitas crianças, mas pouca infância".
Cada ação alegre e feliz é seguida de um acontecimento desanimador, assim como na vida (as vezes uma notícia pode fazer o seu dia ou acabar com ele). Você vibra com o torneio de pipas, mas no decorrer da história se lembra de que existem crianças por aí sofrendo os maiores abusos do mundo. Você se anima com os casamentos e depois surge uma morte. Nas últimas páginas você chega até a não aguentar todo esse vai-e-vem, porém, também tem a certeza de que tudo pode mudar de uma hora para a outra.
O que posso dizer, é lindo. Eu chorei no desfecho, não por causa do sofrimento, mas sim porque descobrimos que, mesmo com a dor e as lutas, sempre temos chances na vida que podem transformar toda uma geração. As vezes essas decisões podem passar despercebidas, outras vezes não; cada um dos personagens mostrou uma forma diferente de encarar a vida e cabe ao leitor se identificar com aquele que mais lhe chama a atenção e, então, se emocionar com o livro.

5 comentários:

acontadora disse...

Eu li esse livro logo que lançou, achei linda a história, de emocionar mesmo. Quando saiu o filme uma amiga minha assistiu e detestou, por conta disso eu não quis arriscar ver o filme, prefiro ficar com a história boa que li.


gostei do seu blog, cheguei aqui através do blog 'Coloridas Canetas'

bjo!

Isa disse...

ADOREI com A maiusculo HSHahushuaHUSuha
Beeijos to te seguindo passa no meu
www.bellafelippe.blogspot.com

Raquel disse...

Você já viu um documentário chamado Promessas de um novo mundo? Tem no Youtube. Aqui tem uma parte:
http://www.youtube.com/watch?v=u7sBdxpof7Q

Achei muito interessante.

Giovanna disse...

O livro é MUITOOOO BOM *-* e acredito na ingenuidade de Amir, que fez com que ele cometesse alguns erros Inreparaveis. Mas com Sohrab, filho de Hassan, Amir vai viver e mudar muita coisa que errou ao longo de sua vida x) Deveriam fazer uma segunda edição pra gente ver Sohrab crescer junto de Amir.

Natália disse...

Pelo jeito como tu comenta dá pra se ter uma noção de como é maravilhosa e gostosa de se ler essa história! beijos