sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O que Olga faria

A verdade é que eu nunca fui uma menina muito corajosa. Não sei se é timidez ou medo mesmo, mas eu não sou daquelas que puxam assunto com qualquer um, que não tem vergonha de fazer o quer, que tem coragem de desabafar tudo na cara da pessoa que não gosta muito, que tem orgulho de dizer que faz parte do grupinho tal e apoia o governo do fulano.

Na última semana eu resolvi ler Olga, e a vergonha da minha falta de coragem só tem aumentado. Se eu tenho medo de revelar e fazer umas coisas insignificantes, Olga tinha audácia de se filiar ao Partido Comunista aos 15 anos e, na semana seguinte, sair pela cidade colando cartazes proibidos pelo governo. Aquela fase da adolescência que acreditamos ser marcada por indecisões e receios não parecia ser assim para os jovens alemães. Olga saiu de casa aos 18 anos e fazia parte de um grupo quase inteiramente composto por "crianças" que, sem se sentirem intimidados, invadiram um julgamento para salvar um companheiro.
Isso tudo até a metade do livro, parte na qual Olga entra na frente do marido Prestes e, desarmada, o protege da polícia que está à caça de comunistas para serem torturados.

E a gente aqui com medo de chamar alguém para sair ou de pedir informação na rua.

domingo, 22 de novembro de 2009

Nostálgica

Ontem o Biscoito & Bolo fez um ano (uhul!). Ao contrário do que eu imaginava, dei uma olhada na minha agenda e, nesse mesmo dia, no ano passado, eu estava cheia de coisas para fazer: era semana de provas da faculdade e eu ainda queria prestar Fuvest (sem ter estudado). E, no meio da bagunça, eu resolvi abrir um blog. Pra quê?!

Antes de esse espaço existir, eu tive um blog "secreto" que foi criado na época (obscura) em que eu fiz cursinho. Eu não gostava das aulas, das piadas dos professores e nem da ideia de eu ter que fazer cursinho, contrariando todo o resto dos vestibulandos que, aparentemente, amam o estilo cursinho de ser. Estranhamente, nessa época minha lista de leitura dobrou, eu estava lendo demais e percebi que precisava armazenar todas as minhas opiniões em algum lugar. Para isso que surgiu o blog secreto.
Depois do longo semestre de cursinho, eu comecei a fazer jornalismo e em todas as palestras e aulas diziam que era uma boa ideia os alunos terem um blog. Eu resolvi sair da obscuridade e criar um blog decente e, ao menos, um pouco conhecido. Aí, sim, surgiu o Biscoito & Bolo, com o nome inspirado na clássica piadinha que eu e meus amigos faziamos no Ensino Médio: "Já terminamos o trabalho? Agora podemos ir para casa comer biscoito e bolo" (sem comentários).
Enfim, como vocês sabem pelo meu perfil e pelos próprios textos, esse negócio de blog jornalístico não deu certo: não conseguia postar toda semana um texto que meus professores fossem virar e dizer "oh, entrevistou diversas fontes para entender o fato". Acabou que os textos são muito mais o que eu penso, faço, leio e escuto. E saibam que eu prefiro assim.

Agradeço a todos os visitantes e seguidores que acompanharam as postagens. E, aproveitando, resolvi tirar aqueles biscoitos do layout porque já tinha enjoado deles. Encontrei as duas imagens no Tumblr, mas as originais pertencem a ilustradora Ozge Samanci e a Jerrod Maruyama (que faz umas imagens fofinhas ao quadrado).

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Cliques do Otto

O fotógrafo Otto Stupakoff afirmava que fazer boas imagens de pessoas famosas era algo fácil, pois elas pareceriam sensacionais naturalmente. A exposição do Instituto Moreira Salles, sobre um dos primeiros fotógrafos de moda do Brasil, mostra esse pensamento do artista: capturas humanas em que não precisa ser Tom Jobim para fazer os visitantes emocionarem-se. Um simples garoto de castigo já faz pensar sobre o mundo.O profissional trabalhou em revistas como a Life, nos Estados Unidos, e a Vogue, na França. Mesmo as fotografias de moda mostram um lado sensível em que modelos são colocadas em ambientes bucólicos e rotineiros, como uma praia ou a janela olhando aquilo que se passa na rua. As fotos de celebridades seguem o mesmo caminho.Engana-se aquele que acha que essa simplicidade com glamour só é possível com personagens famosos. O acervo também possui imagens de crianças, mulheres e homens comuns em atividades do cotidiano. Um entregador de bebidas é modelo para uma fotografia em que ele brinca com um cachorrinho; a moça com a bicicleta torna-se o ponto central de uma imagem mostrando a natureza.
Otto Stupakoff retratou e conviveu com tantas pessoas em suas fotografias, mas viveu seus últimos dias sozinhos, em São Paulo, onde nasceu e morreu, aos 73 anos, em abril deste ano. A qualidade do fotógrafo não está somente nas mundialmente conhecidas imagens de moda. A cada clique, Stupakoff conseguia retratar a humanidade, seus dilemas e hábitos mais comuns e, dessa forma, atingir os pensamentos e emoções mais profundas de cada um de nós.Obs: Esse "momento útil do blog" tinha que ser postado na quarta, mas a internet não colaborou. Fica aqui a dica: é só colocar "Otto Stupakoff" no Google e aproveitar as belas imagens. Agradecimentos a Raquel que me ajudou a arrumar a fonte da postagem.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Eu, fotógrafo

Muitos acreditam na atual banalização da fotografia. Tirar muitas fotos não é tornar esta arte um nada, são as imagens mal pensadas - ou nem pensadas - que levam a banalização.
As fotos com câmeras analógicas e filmes exigiam uma concentração maior daquele que não queria perder o suado dinheirinho gasto no negativo e, depois, na revelação. Uma foto, essa era a sua oportunidade. Mais do que isso significaria perder uma imagem para conseguir outra, talvez, perfeita. Todos que tiravam uma fotografia pensavam, elaboravam o sentido que dariam ao mundo naquelas poucas figuras.
O ser humano não perdeu esse talento em reconhecer o belo e de pensar antes de agir, mas optou pela preguiça. Aquela foto tirada em frente o espelho do banheiro fazendo biquinho não ficou boa da primeira vez? É só apagar e tirar outra, e outra, e outra... Os aniversários tornaram-se álbuns virtuais gigantescos com poucas imagens que traduzem a verdadeira felicidade do momento.
Não importa a mídia utilizada - se você ainda curte aqueles flashes enormes e os negativos ou prefere a câmera do celular - a fotografia é e sempre será um instante congelado da sua vida e do mundo. As formas, as cores, os personagens, os lugares, os objetos e tudo naquele retângulo é um segundo registrado do seu dia a dia e cabe ao fotógrafo (que pode ser qualquer um) trabalhar corretamente com aquela imagem para transmitir uma mensagem aqueles que a veem sem ter que apelar para o photoshop. A fotografia, acima de tudo, é uma arte e deve ser tratada como tal: dedicando-lhe o devido tempo e dedicação para torná-la inesquecível.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Orgulho e Preconceito (Jane Austen)

(Contem spoilers do livro, série, filme...)

Jane Austen, pelo menos escrevendo, era mesmo incrível. E não duvido que fosse diferente disso na vida real. Ela conseguiu colocar em seus livros os sentimentos, as imagens e acontecimentos tanto da sociedade do século XVIII como da vida dela. Por tudo o que li e assisti sobre Jane (não foi tanto assim) imagino que ela era muito mais uma Elizabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito, do que uma Fanny Price (como eu me imagino às vezes).
Elizabeth (Lizzie) é a segunda filha de uma família com cinco meninas. Mesmo com pais não muito abastados, as garotas estariam a salvo com casamentos que lhes trouxessem benefícios (e não estamos falando de felicidade matrimonial, é sustento mesmo). O que deixa a Sra. Bennet desesperada é que, por exemplo, a mais velha das filhas, Jane, já passou dos 20 anos e ainda não arrumou um pretendente. Quem dirá as demais, principalmente Lizzie que não aceita casar-se com qualquer um só por causa de um bom dote.
Lizzie não é simplesmente a boa menina, ela tem consciência da realidade e encara os fatos do dia a dia com maturidade (diferente das irmãs que vivem em um mundo cor-de-rosa). Ela entende que não tem nenhum dote, mas isso não a faz se rebaixar para qualquer pretendente. Ela parece conhecer tanto sobre o mundo que facilmente enganou-se em uma de suas "brilhantes" conclusões.
A vida da família Bennet muda quando o Sr. Bingley chega na região. Bingley é um amor e logo conquista o coração de Jane (que também é uma fofura). Junto com o moço vem o melhor amigo dele, Mr. Darcy, um tipo quieto, mal encarado e que, apesar das posses, não instiga simpatia.
A primeira vez que li Orgulho e Preconceito, eu esperava um romance de proporções gigantescas, assim como foi entre Marianne e Willougby em Razão e Sensibilidade (só que sem o final infeliz). Não encontrei isso: eu não entendia o jeito do Darcy, fiquei chocada, REALMENTE chocada com a proposta de casamento que ele fez a Lizzy e só depois que fui gostar mesmo dele.
Nesta segunda leitura, conheci um novo Mr. Darcy. Eu percebi que ele tinha se apaixonado desde o início pela Lizzie, não foi surpresa nenhuma a proposta. Aliás, em minha opinião, ele não tinha coragem de se declarar a ela, não só pelo orgulho de estar em uma posição superior, mas pela falta de coragem no sentido literal e puro da palavra. Ao final, ele decide descer do palanque de superioridade e aceitar a Lizzie como ela é (e com a família que vem junto). Ele tomou o primeiro passo, e Lizzie esqueceu os preconceitos que tinha criado sobre a imagem de Darcy.Em cima de uma história tão simples - um romance entre duas pessoas que não conseguem perceber que se amam - Jane Austen monta um cenário da sociedade: desde o pároco caricaturado até a relação entre pai e filha (minha parte favorita). Cada personagem possui uma carcterística especial e você acaba se apaixonando por todos (só o Sr. Collins que não, esse é chato mesmo).
Paro por aqui, eu sei que o post está meio aberto, mas eu já contei a história toda e mais do que isso, só se deliciando com as palavras da Miss Austen.

(Este post faz parte da "Leitura Coletiva" promovida pelo blog Fio de Ariadne)

PS: Desculpem a falta de postagens. No domingo eu pisquei e, oh!, já era sexta-feira, nem vi a semana passar.