sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Orgulho e Preconceito (Jane Austen)

(Contem spoilers do livro, série, filme...)

Jane Austen, pelo menos escrevendo, era mesmo incrível. E não duvido que fosse diferente disso na vida real. Ela conseguiu colocar em seus livros os sentimentos, as imagens e acontecimentos tanto da sociedade do século XVIII como da vida dela. Por tudo o que li e assisti sobre Jane (não foi tanto assim) imagino que ela era muito mais uma Elizabeth Bennet, de Orgulho e Preconceito, do que uma Fanny Price (como eu me imagino às vezes).
Elizabeth (Lizzie) é a segunda filha de uma família com cinco meninas. Mesmo com pais não muito abastados, as garotas estariam a salvo com casamentos que lhes trouxessem benefícios (e não estamos falando de felicidade matrimonial, é sustento mesmo). O que deixa a Sra. Bennet desesperada é que, por exemplo, a mais velha das filhas, Jane, já passou dos 20 anos e ainda não arrumou um pretendente. Quem dirá as demais, principalmente Lizzie que não aceita casar-se com qualquer um só por causa de um bom dote.
Lizzie não é simplesmente a boa menina, ela tem consciência da realidade e encara os fatos do dia a dia com maturidade (diferente das irmãs que vivem em um mundo cor-de-rosa). Ela entende que não tem nenhum dote, mas isso não a faz se rebaixar para qualquer pretendente. Ela parece conhecer tanto sobre o mundo que facilmente enganou-se em uma de suas "brilhantes" conclusões.
A vida da família Bennet muda quando o Sr. Bingley chega na região. Bingley é um amor e logo conquista o coração de Jane (que também é uma fofura). Junto com o moço vem o melhor amigo dele, Mr. Darcy, um tipo quieto, mal encarado e que, apesar das posses, não instiga simpatia.
A primeira vez que li Orgulho e Preconceito, eu esperava um romance de proporções gigantescas, assim como foi entre Marianne e Willougby em Razão e Sensibilidade (só que sem o final infeliz). Não encontrei isso: eu não entendia o jeito do Darcy, fiquei chocada, REALMENTE chocada com a proposta de casamento que ele fez a Lizzy e só depois que fui gostar mesmo dele.
Nesta segunda leitura, conheci um novo Mr. Darcy. Eu percebi que ele tinha se apaixonado desde o início pela Lizzie, não foi surpresa nenhuma a proposta. Aliás, em minha opinião, ele não tinha coragem de se declarar a ela, não só pelo orgulho de estar em uma posição superior, mas pela falta de coragem no sentido literal e puro da palavra. Ao final, ele decide descer do palanque de superioridade e aceitar a Lizzie como ela é (e com a família que vem junto). Ele tomou o primeiro passo, e Lizzie esqueceu os preconceitos que tinha criado sobre a imagem de Darcy.Em cima de uma história tão simples - um romance entre duas pessoas que não conseguem perceber que se amam - Jane Austen monta um cenário da sociedade: desde o pároco caricaturado até a relação entre pai e filha (minha parte favorita). Cada personagem possui uma carcterística especial e você acaba se apaixonando por todos (só o Sr. Collins que não, esse é chato mesmo).
Paro por aqui, eu sei que o post está meio aberto, mas eu já contei a história toda e mais do que isso, só se deliciando com as palavras da Miss Austen.

(Este post faz parte da "Leitura Coletiva" promovida pelo blog Fio de Ariadne)

PS: Desculpem a falta de postagens. No domingo eu pisquei e, oh!, já era sexta-feira, nem vi a semana passar.

9 comentários:

Jana disse...

Ah, eu sempre tive vontade de ver o filme e depois que soube que era livro também, fiquei mais curiosa ainda.
O que me chama atenção é o titulo, bem diferente. E tbm, uma coisinha em particular: eu adoro o Mr. Darcy de O diario de Bridget Jones. rs Será que eles tem a ver?! Bem, não sei, mas estou mesmo curiosa, culpada! rs
Quanto a Razão e sensibilidade, eu assisti o filme enquanto ainda eram em VHS (é o novo... rs) nem me lembro mais direito, mas lembro que gostei. ^^
O livro ainda não li tbm, mas vou procurar adiantar estas duas leituras.

Ah, muito obrigada plea visitinha, tá? Adoro quando vc aparece lá pelo meu blog. E obrigada por me desejar sotre no que eu escolher. Desejo o mesmo pra você, viu?

Beijão bem grande e bom fim de semana que "nóis merece". kkk
:-*

(ai, Cristo, como eu falo...)

Raquel disse...

Bárbara,
gostei muito de sua leitura e peço permissão para colocar um pequeno trecho no Jane Austen em português, remetendo, com todos os devidos links, para cá.

bisou , raquel

Raquel disse...

obrigada, querida!

Elaine disse...

Cada leitura que fazemos nos revela um pouco mais dos romances (bem, de alguns romances. Os da Jane Austen, certamente).

Até hoje me surpreendo com a falta de delicadeza e tato no primeiro pedido de casamento do sr. Darcy, mas isso, como pude perceber na releitura do livro, é fruto da forma como Jane Austen construiu O&P. É uma narração em terceira pessoa que não é onisciente, a gente acompanha a Lizzie o tempo todo - é quase como se fosse a própria Lizzie narrando. Acabamos vendo o sr. Darcy pelos olhos dela, o que foi uma jogada habilíssima da Jane para que também sintamos pelo o sr. Darcy todos os sentimentos que a Elizabeth sente: desprezo, repulsa, e, depois da carta reveladora, compreensão e amor.

P.S.: Aliás, por falar em "Razão e Sensibilidade" e segundas leituras, o Willoughby melhorou sensivelmente a meus olhos depois que reli o livro. Será que alguém mais partilha essa impressão?

Giovanna disse...

Nunca li ;x Deve ser ótimo

Vanessa disse...

Oi Bárbara, ficou ótima sua resenha. Muitíssimo obrigada pela sua participação e , bem, eu tb nunca fui com a cara do Darcy.

Abraço!

Anna disse...

Orgulho e Preconceito é um dos meus livros favoritos, com certeza no top 3. Fiquei envolvida demais com o livro desde a primeira leitura, acompanhava cada rastro de emoção da Lizzie, chegando a ficar ofegante e até suando frio com algumas passagens ("Meus sentimentos não podem ser reprimidos e preciso que me permita dizer-lhe que eu a admiro e amo ardentemente")
Você me perguntou sobre Razão e Sensibilidade e eu não sei o que está acontecendo, mas estou achando ele boring as hell. Mesmo. Já estou na terceira parte e até agora achei que as emoções foram meio irrisórias se comparadas as passagens mais rotineiras que compõe quase todo livro e até trazem certo enfado. Espero que o final recompense ou que em outra leitura eu encontre mais empolgação.
beijos

Natália disse...

Nunca li, deve ser tri :D beijos

Sofia A. disse...

Estou lendo agorinha, este livro.
Ainda estou no início, mas me encanta a forma como ela descreve, de forma tão perfeita, a sociedade e os costumes da época.
além de tudo, me identifico muito com a Lizzy.
Um beeijo!