sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Julie e Julia (Julie Powell) e um pouco mais

1. O livro
Julie e Julia relata o período de um ano em que Julie Powell se propôs a cozinhar todas as receitas de Mastering the Art of French Cooking, o livro de Julia Child que apresenta a culinária francesa de maneira simples para as donas de casa americanas; os resultados dessa aventura eram apresentados no blog atualizado por Julie.
O ritmo do livro e suas características lembram muito um chick-lit, as experiências são contadas de forma divertida e o texto é delicioso, literalmente, porque você termina de ler com vontade de cozinhar todos os pratos só para descobrir qual é o sabor que eles possuem.

2. O blog
Se você é blogueiro (o que provavelmente seja), Julie e Julia é um livro com a sua cara. A autora mostra todas aquelas coisas que parecem meio bobas, mas que você adora quando acontecem no seu blog: uma postagem de repente cheia de comentários, os leitores (bleaders, como Julie chama) que não desistem do seu cantinho e cobram por atualizações, as opiniões contrárias ou ao favor ao seu texto. Cada um desses detalhes só um blogueiro consegue entender e perceber porque, apesar das agendas complicadas e das crises de criatividade, continuamos a manter um blog, e a autora expõe essas histórias que vieram direto da blogosfera.

Para não dizer que só eu sinto esse amor por um blog, conversei com duas colegas que falaram um pouco sobre suas experiências nesses antigamente chamados “diários virtuais”. A primeira é a Julianna Steffens do blog Lost in Chick-lit, um dos primeiros a tratar sobre esse tipo de literatura e meio pelo qual ela fez várias amizades:
O Lost me propiciou muitas coisas boas até hoje, e a maior e melhor delas com certeza são as amizades. Amigos são pessoas que você se importa, pela o qual se identifica e conversa sobre as coisas que gostam e tem em comum, então encontrar pessoas tão "piradas" por livros, com o qual posso ficar falando horas sobre os mínimos detalhes de alguma leitura é mais do que perfeito. E isso é apenas o inicio do vinculo, não dá nem pra comentar sobre os outros milhares de detalhes maravilhosos.
A segunda blogueira é a Paula Gondim do blog Canetas Coloridas e criadora dos projetos Diário Viajante e 12 livros em 12 meses, sobre os quais ela comenta abaixo:
Eu adoro mexer com coisas que envolvam criatividade, tenho meu próprio jeito de fazer scrapbooks (que não é bem aquele formato tradicional americano), adoro cartas, viagens, e de certa forma o Diário Viajante é uma mistura de tudo isso. Achei que seria bacana um mesmo caderno circular por diversas cidades por todo o Brasil e até por outros países, onde cada pessoa pudesse deixar sua marca do seu próprio jeito. O Diário acaba unindo os blogueiros, pois cada um que folheia o caderno pode ler os registros dos outros participantes.
A idéia do projeto 12 livros em 12 meses surgiu por causa de uma outra paixão minha que são os livros. Como eu sei que muita gente não tem o hábito da leitura, achei que seria uma forma de incentivar, para que no final de um ano o participante tivesse lido ao menos 12 livros. O maior problema que eu tive com esse projeto foi a falta de comprometimento das pessoas. Tive inúmeras inscrições, mas a grande maioria desistiu no meio do caminho.

3. O projeto
Como a Paulinha comentou, manter um projeto não é simples e depende não só de uma dose de persistência e comprometimento, como também de fatores externos como tempo e disponibilidade. Apesar de tudo, concluir um plano (ou um ano, como acontece hoje) sabendo que você alcançou um objetivo gera, no mínimo, uma pontinha de orgulho e satisfação.
A vida de Julie no início do livro não tinha nenhum alvo ou ambição, ela simplesmente continuava em seu trabalho e voltava para casa com o marido. Foi a partir do projeto que ela começou a encontrar uma razão a mais para voltar para casa: cozinhar. E desistir das 524 receitas, mesmo quando a cozinha estava um caos de sujeira, não era uma perspectiva, pois leitores a esperavam no blog e ela precisava provar a si mesma e aos outros que podia terminar o projeto em um ano. Conseguiu, publicou um livro, continuou bem com o marido e saiu do emprego chato.
Não sou adepta de promessas de ano novo porque dificilmente consigo cumpri-las, mas sempre temos algumas metas ou sonhos que queremos alcançar. São esses alvos que muitas vezes nos estimulam e por mais difíceis que possam parecer, no final é sempre uma alegria saber que eu ou você, pessoas normais, conseguimos terminar aquilo que parecia tão complicado no início. Para 2011, acho que minha mensagem hoje é mantenha seus objetivos e tenha projetos, mesmo que eles sejam estranhos como cozinhar comida francesa durante um ano, no desfecho você sempre aprende alguma coisa, percebe que o final pode ser feliz e descobre que não é tão difícil desossar um pato (essa é para a Julie Powell).

Era fácil continuar com nossos empregos abominavelmente maçantes, pelo menos isso nos poupava de fazer escolhas. Mas por quanto tempo eu conseguiria suportar uma vida assim tão fácil? Areia movediça era fácil. Caramba, morrer era fácil. (...) Talvez eu precisasse fazer como uma batata, separar o joio do meu trigo, tornar-me parte de algo que não fosse fácil, apenas simples.
Feliz 2011!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

2010: Livros


Começar um texto com clichê é horrível, mas, mesmo assim, parece que foi ontem que eu estava de férias e lendo A menina que roubava livros. Já faz um ano e hoje apareço com uma das postagens que eu mais gosto. Foram 25 obras, o que me deixou satisfeita porque eu sempre quis dizer que leio dois livros por mês (o que é mentira: em julho eu li bastante, mas Madame Bovary me segurou por um período que pareceu um semestre inteiro). Resolvi colocar um trecho de cada livro, com exceção aos quais eu já comentei por aqui e estão com os links (podem ver esse tipo de postagem como um arquivo para frases no MSN). Não gostei de todos os livros da lista, mas quem quiser saber mais sobre algum livro pode perguntar pelos comentários:

- Sua resposta vale um bilhão (Vikas Swarup)

- Cidade do Sol (Khaled Hosseini)

- Folha explica: Freud (Luiz Tenório Oliveira Lima)

- Tão Ontem(Scott Westerfeld)

- The wonderful wizard of Oz (L. Frank Baum)
“(...) she clapped the heels of her shoes together three times, saying: ‘Take me home to aunt Em’.”
- A arte de argumentar (Antonio Suarez) - Madame Bovary (Gustave Flaubert)
“Sentiu-se triste como uma casa sem mobília.”
- Qual é a tua obra? (Mário Sérgio Cortella)

- O livreiro de Cabul
(Asne Seierstad)

- O dia do Curinga
(Jostein Gaarder)

- Noites brancas
(Fiodor Dostoievski)
“Crio romances inteiros em meus devaneios.”
- Melancia (Marian Keyes)
“Na vida real muitas vezes é quase impossível dizer qual a decisão que se deve tomar, porque o que se ganha e o que se perde muitas vezes são equivalentes.”
- Desventuras em série: Mau começo (Lemony Snicket)
“O simples fato de você dizer que detesta alguma coisa e ter alguém que concorda com você pode ajudá-lo a suportar uma situação horrível.”
- O apanhador no campo de centeio (J. D. Salinger)

- Bonequinha de luxo (Truman Capote)

- Persuasion
(Jane Austen)
“My Idea of good company, Mr Elliot, is the company of clever, well-informed people, Who have a great deal of conversation; that is what I call good company.”
- O diário de Bridget Jones (Helen Fielding)

- Reparação
(Ian McEwan)

- The Jane Austen book club
(Karen Joy Fowler)

- Metamorfose
(Franz Kafka)
“Apesar da sua atual aparência triste e asquerosa (...) as obrigações da família exigiam que se deixasse pra lá a repugnância e se procurasse exercer a tolerância, muita tolerância.”
- 100 crônicas (Mário Prata)
“Pode ter certeza, a sua cidade é a maior tranqüilidade nas férias. Deixe que todos tirem férias e fique em casa. De férias. Não existe nada melhor.”

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Complicações do recesso

Eu confesso: eu sou aquele tipo de pessoa sem-graça que quando está de férias não vê a hora de voltar à rotina normal e quando volta, não vê a hora de ficar de férias. Durante as primeiras semanas eu não reclamo, mas quase dois meses de recesso é pedir demais da minha paciência paulistana.
Para mim as férias deveriam vir em pequenas doses. Ninguém precisa de seis semanas diretas de folga e acordando tarde (falando parece muito bom, mas deixe-me explicar); o que a gente precisa é de 15 dias para descanso depois da semana estressante de provas, trabalhos e madrugadas acordadas. Quando o sono precisa ser restaurado não aparece nem um dia oferecendo a possibilidade de acordar depois das 10h, essa maravilha só surge no final do semestre, mas até lá eu já agi feito um zumbi durante três meses.
Alguns podem argumentar que as longas férias possibilitam viagens e altas aventuras com os amigos, mas isso não é a realidade. Diferente das férias que aparecem em seriados americanos, eu não saio muito mais com os meus amigos, eu não faço nada extraordinário, não vivo nenhum amor de verão e não vivo com a adrenalina a flor da pele. Eu geralmente faço uma boa viagem com minha família, fico no computador, e leio. Nada anormal e nada que precise de seis semanas.
Talvez o meu maior problema com as férias é que elas representam o fim de um semestre e, no caso de dezembro, o fim de um ano. Eu não gosto de fins, e não adianta dizer que eu devo ver como um “novo começo”, porque eu tenho dificuldade em olhar dessa maneira. Férias são boas, mas eu sei que daqui umas semanas sentirei saudades da minha rotina atrapalhada de provas e compromissos.

PS: Por enquanto, admito, estou aproveitando essa folguinha e preguiça merecida.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

2010: filmes

Primeiramente, peço desculpas por esse hiatus não avisado e indeterminado. O final do semestre foi confuso e não tive tempo de postar. Agradeço a todos vocês que, mesmo assim, continuam acompanhando o blog. Obrigada.
2010 foi um ano estranho: enquanto o natal de 2009 parece que foi ontem, as Olimpíadas de Inverno parece que aconteceram há uma eternidade (vocês nem lembravam mais que tinha sido nesse ano). Por isso resolvi fazer uma série de postagens tentando lembrar um pouco do que mais fiz nesse ano, seguindo critérios sem regras escritas e dependendo da minha vontade.
Começo com os filmes que marcaram esse ano. Nem todos foram estreias, não são os melhores, mas são os que me fazem lembrar de 2010 e, coincidentemente, todos caiem no tema mudança e transformação:

- 500 dias com elaA estreia é do ano passado, mas eu assisti no início de 2010. Uma história de amor com um final infeliz para um dos lados, quer coisa mais verdadeira? Nem todo o amor dá certo, a Summer (Zooey Deschannel) já não amava mais o Tom (Joseph Gordon-Levitt) e simplesmente terminou o romance, isso é comum. Porém o mais bonito é a forma como termina, não só com corações despedaçados, mas com o “príncipe” voltando a vida, procurando um emprego que lhe agrada, esquecendo o passado e caminhando em frente. Além dessa história de superação, ainda tem o casal de atores um tanto desconhecidos e perfeitos para os papeis, uma trilha sonora maravilhosa e uma edição inovadora.

- Amor sem EscalasJá comentei por aqui e merece destaque por causa da sensibilidade: o filme te faz sentir uma pontinha da dor do que é ser demitido e do que é terminar um relacionamento e sentir-se sozinho.

- Juventude TransviadaClássico e entende-se o por quê, começando pela atuação primorosa, não só do James Dean, mas também da Natalie Wood e do Sal Mineo que interpreta o Platão, um dos meus personagens favoritos. A base da história está nas mudanças e em uma rebeldia que não é praticada por maldade, mas pela vontade de alterar a vida e o mundo através de atitudes que eles ainda estão descobrindo se são corretas ou não. São jovens tentando encontrar o caminho que querem seguir e não aquele que devem seguir.

- Toy Story 3Só de ser animação e ainda por cima da Pixar merecia aparecer em qualquer lista. Continuações geralmente são sinônimos de produções ruins, mas essa é TOTALMENTE o oposto, talvez até tenha superado os dois primeiros filmes. A franquia cresceu junto comigo e Andy entrou na faculdade um pouco depois de quando eu entrei, fazendo com que a história pareça muito mais próxima. Apesar de todo o amadurecimento, uma parte da sua infância sempre lutará para permanecer guardada e influenciará toda a sua vida (positivamente ou negativamente depende de como você viveu ou quer viver).

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

The Jane Austen Book Club (Karen Joy Fowler)

Esse ano eu conclui uma promessa atrasada que fiz no final de 2008: li todos os livros da Jane Austen. Fui ousada em pegar Persuasão em inglês e agora estou a espera da nova edição em português para que eu possa ler a obra com cuidado e entender todos os detalhes; porém, mesmo assim, eu li os seis filhotes da Miss Austen e antes que eu começasse a rele-los desesperadamente, resolvi prestar um tributo a escritora e não poderia ter escolhido melhor leitura para isso: The Jane Austen Book Club.
Jocelyn, dona de um canil e solteira (não que ela se importe com isso), resolve fundar um Clube de Leitura para distrair sua amiga Sylvia, que está passando por um divórcio após 25 anos de casada. Nada melhor para esse coração partido do que os livros escritos por Jane Austen e além das duas amigas, também participam Allegra, a sentimental filha de Sylvia, Bernadette, a amiga de bem com a vida de 67 anos que já experimentou os mais diversos casamentos, Prudie, a professora de francês perdida nas aulas do ensino médio, e o homem do grupo, Grigg, viciado em ficção científica que nunca leu um livro de Austen e conheceu Jocelyn por acaso.
Seis pessoas diferentes, um livro para cada uma. A escritora, Karen Joy Fowler, envolve as características das criações de Jane Austen para cada um dos seus próprios personagens. Prudie tem problemas na família como Fanny, em Mansfield Park, Jocelyn é solteirona e arruma encontros para os outros como Emma, e por aí vai. Cada personagem possui um capítulo cuja narrativa relaciona o passado pessoal deles com o presente no Clube de Leitura, até chegar ao capítulo final mostrando como a leitura das obras influenciou suas escolhas e pensamentos.
The Jane Austen Book Club é uma homenagem linda a escritora, isso tudo sem mudar a obra original (como muitos tentam fazer), mas mostrando a influencia que um bom livro tem na vida de quem o lê.Aproveitando, a obra originou um filme com o mesmo nome. No longa os personagens são mais jovens, o clube começa pela iniciativa de Bernadette com a ajuda de Jocelyn, entre outras mudanças que não atrapalham o resultado. A produção é bem simples, mas a história do filme é tão interessante quanto a do livro e duvido que alguém não se apaixone pelo Grigg.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Reparação (Ian McEwan)

Reparação é um título curto que resume essa obra de Ian McEwan perfeitamente bem. Quem nunca se viu com um problema, querendo eliminá-lo pela raiz, voltar no tempo, esquecer tudo e mudar o destino? Ás vezes não é possível, e ninguém sabe melhor dessa verdade do que a jovem Briony Tallis.
Como muitas crianças de 12 anos, Briony tem a imaginação ativa, está descobrindo o universo adulto e, quanto antes, também quer pertencer a ele. Em um momento de frustração literária, ou seja, não havia ideias para sua nova história, a garota se depara com uma cena inusitada: sua irmã Cecília mergulhando na fonte do pátio, sob o olhar de Robbie, amigo de infância e filho da empregada. Com o início preparado, Briony começa a especular histórias em cima dos acontecimentos daquela noite de verão que não seria esquecida com tanta facilidade.
Tanto em cenas de amor quanto em passagens da guerra, Ian McEwan tem uma incrível facilidade em descrever tudo com os mínimos detalhes, sem ser cansativo. Cada sensação, emoção ou pensamento é tão profundo que o personagem parece estar ao seu lado, falando diretamente com você. A narrativa passa do romance para a guerra e alia esses dois mundos através da visão dos três personagens já comentados. Cada passagem é de uma beleza incrível, cada frase tem sua importância e nada é jogado em vão, todos os detalhes são necessários na história.
Reparação é maravilhoso, como o The Economist escreveu, merece a alcunha de "obra-prima". Um livro que revela toda a culpa do ser humano em um grau máximo, onde o perdão nem sempre está próximo e a reparação não é tão simples quanto parece.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Cliques de Archibald

Timothy Archibald é fotógrafo, retrata as emoções através de suas imagens. Seu filho, Eli, tem exatamente essa dificuldade: o garoto sofre de Transtorno do Espectro Autista, uma doença que não envolve somente o autismo, mas também Síndrome de Asperger (dificuldade de interpretar emoções e sentimentos dos outros), complicações na comunicação, para estabelecer relacionamentos e atrasos na linguagem.Archibald resolveu utilizar a fotografia como uma forma de aproximar-se do filho. O projeto Echolilia foi feito em parceria com o menino que, através de sua visão própria, inspira e dá ideias de diferentes fotografias ao pai.Alguns podem considerar invasivo utilizar a imagem do garoto autista, mas o trabalho é muito mais sobre mostrar a intimidade entre um pai e um filho. As fotografias são pessoais, próximas, passam a sensação de um silêncio que parece envolver todo relacionamento familiar. Exatamente a quietude do menino e a dificuldade do pai em entendê-lo são os elementos presentes no trabalho de Thimothy.Essas delicadas fotografias eu descobri pelo blog a pattern a day; mais do trabalho de Thimothy Archibald aqui.
E desculpas, novamente, pela demora nas postagens...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Lendo e escrevendo

Há (muitas) semanas ganhei três selos da Patrícia, do blog Complicated Imperfect. Obrigada! (lembrando que eu não vou indicar, fiquem livres para usá-los nos seus blogs). Um deles vem acompanhado de perguntas ótimas sobre o que escrevo e leio:

Qual é o seu melhor texto?
Se perguntasse qual a minha pior postagem, a lista teria muitos títulos, principalmente porque no início do Biscoito e Bolo eu ainda não havia pego o jeito do blog para escrever postagens, ou seja, os textos eram um tanto pobres.
Agora escolher o melhor é complicado porque eu sempre acho algum defeito depois de um tempo. Em geral gosto dos comentários sobre livros e filmes, das últimas postagens que fiz para o blorkutando (como por exemplo a do tema Aniversários), e da série Cliques do... (mesmo que elas tenham mais imagens do que texto). Vale uma menção honrosa ao texto Só uma peça de teatro, aham que é um estilo diferente do que costumo usar, a postagem fez um sucesso relativo e eu ainda gosto do que escrevi.

O que mais te inspira a escrever?
Não sei definir. Desde que comecei a estudar Jornalismo tento encontrar assunto para escrever sobre qualquer coisa, e isso é possível. O caso é que nem tudo faz o perfil do blog, ou da mídia em que vou publicar: tento afastar assuntos fechados na região em que moro ou que tornem o público leitor muito restrito; também elimino assuntos pessoais que fiquem sem sentido para os leitores. Isso levou um tempo para eu perceber e ainda hoje tento pensar, antes de escrever uma postagem, no que é de interesse de vocês e ainda assim faz o meu perfil.

Escrever para você é...

Transmitir para fora tudo aquilo que antes estava só na sua mente. O texto pode se tornar público, pode ser algo que você nunca disse para alguém, pode ser baseado em fatos reais ou só seus sentimentos. No final é a sua mente na forma de palavras.

Você admira algum escritor? Qual?

Jane Austen, não só por causa dos livros lindíssimos, mas também pela própria vida da autora. Também gosto de José de Alencar, Khaled Hosseini, Jostein Gaarder, Charles Dickens e muitos outros.

Indique um bom livro.

Dos últimos que li indico O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger.

Indique um blog.

Os blogs que eu indico estão ali na aba O que leio?
Mas como propaganda é tudo, novamente comento sobre o Nas tribos, o espaço que meus amigos e eu criamos para comentar sobre tribos. As postagens que escrevi por lá estão interessantes e até um tanto no estilo Biscoito e Bolo.

sábado, 2 de outubro de 2010

Bonequinha de Luxo (Truman Capote)

Quando o longa Bonequinha de Luxo estava para ser gravado, a atriz cotada para o papel de Holly era Marylin Monroe. Na época em que assisti o filme não concordava com essa escolha, mas hoje posso dizer que até entendo o porquê.
Bonequinha de Luxo é um conto de 1958 que narra, através do olhar do escritor Paul Varjak, a história da garota de programa Holly Golightly. Imagine essa personagem aparecendo no início da década de 60: a moça sai com vários homens (e mulheres, se preciso), faz dessa prática sua profissão, mora sozinha com um gato-sem-nome, não possui um relacionamento firme e se alguém quiser brigar com ela, Holly simplesmente foge pela escada de incêndio e se abriga no apartamento do vizinho. A Srta. Goligthly é o exagero da modernidade, são todas as liberdades almejadas pelas mulheres das décadas passadas nas mãos de uma única menina espevitada.
No filme, temos a meiga e magricela Audrey Hepburn no papel principal, o que faz com que seja muito estranho chamá-la de “garota de programa” (ou prostituta, o que é mais absurdo ainda). A moça encontra uma nova vida, percebe suas dificuldades e resolve compartilhar momentos, antes solitários, com alguém, Paul Varjak. Quantas meninas tem essa oportunidade? Muito poucas, já que o conto de fadas não mora no apartamento de cima para todas nós (e, as vezes, nem queremos isso).
A obra de Truman Capote, com sua linguagem cheia de detalhes, provável característica vinda dos livros reportagens, mostra a realidade de Holly. A vida não é cheia de amores e soluções, a Holly Golightly de Capote tenta ser loira e poderosa como Marylin, não se importa com o que Varjak deseja, mas procura o relacionamento que a leve a ter o sustento para o dia seguinte. Ela é, na realidade, a figura da mulher moderna tentando viver em um mundo que não lhe dá oportunidades.
Com isso não pretendo desvalorizar nem o livro e nem o filme, são obras distintas: o primeiro tentando mostrar a vida real, o segundo criando uma reviravolta. Na prática, ambos tratam da mesma garota: aquela que para na frente da Tiffany's para delirar com dias melhores.

Quero ter o meu ego bem juntinho de mim. Quero ainda ser eu mesma quando me acordar uma bela manhã para tomar meu café na Tiffany's.

sábado, 25 de setembro de 2010

Minhas desculpas ao twitter

Há mais de um ano eu escrevi esta postagem falando sobre a minha entrada no twitter. Não entendia o por quê de eu ter criado uma conta, o texto do post está péssimo e, cá estou eu, hoje uma usuária da rede social do passarinho (e da baleia).
Já que eu escrevi reclamando, vale a pena dar os devidos créditos ao Twitter, afinal, todo dia eu entro na internet, coloco a senha e começo a caçar atualizações na timeline. Ainda acredito que não é uma ferramenta para você escrever, literalmente, "o que está fazendo", mas também descobri que quem usa o twitter para este fim ainda não aprendeu a utilizar direito.
Se você adiciona um conhecido - ou até menos que isso - no Orkut, a pessoa ficará lá parada no seu profile e você esquecerá dela. No twitter não dá para esquecer: se você adiciona um mala sem alça, ele aparecerá todo dia nas suas atualizações; se você adiciona um intelectual, as palavras dele aparecerão todo dia na sua janela; se você adiciona o @realwbonner, você saberá até que ele viajou para a África do Sul para se encontrar com a Fátima e passear com os trigêmeos.
Ou seja, o twitter "obriga" o usuário a transmitir algo interessante, porque, se ele vira um chato, só meia dúzia de amigos o seguirão por pena. Lógico que o meu twitter não é uma fábrica de filosofia (vide o nome bastante adulto @ba_cookies), assim como o da grande maioria. Porém, quem eu sigo - e, provavelmente, quem me segue - é porque oferece alguma novidade, um link bacana e com quem eu posso compartilhar dos assuntos que gosto.
Verdade seja dita: eu gosto do twitter e tento explicar a real utilidaede dele para meus amigos que não utilizam essa rede. Aquela postagem ficou no passado, até porque, eu escrevi no dia 1º de Abril, era esperado que eu mudasse de opinião.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Desculpas

Se este blog fosse uma conta bancária, eu estaria atolada em dívidas. Estaria pedindo empréstimos em todos os cantos para encontrar tempo para uma postagem. Estaria fazendo bicos para conseguir responder aos comentários atrasados.

Mas este blog não é um cofre e tudo que me resta é pedir desculpas.

Obviamente, vocês perceberam que o número de textos por aqui caiu drasticamente. As postagens tem se limitado a uma por semana e, para aqueles que acompanham o Biscoito e Bolo e gostam daqui, meus atrasos devem ser um tormento.
E é com essas pessoas que eu estou falando. Vocês que sempre passam por aqui para deixar um recado; vocês que, felizmente, não tem medo de opinar respeitosamente e me fazem analisar o texto uma centésima vez para que eu perceba que, realmente, sempre há um detalhe a ser melhorado; vocês que fazem deste amontoado de palavras um blog, já que se não houvesse interação, isso seria só um arquivo morto para eu mesma. É para vocês que eu peço desculpas pelos atrasos, os textos nem tão bons e os assuntos, ás vezes, pouco interessantes que tem aparecido por aqui nas últimas semanas.
Eu não vou fechar o blog porque eu AMO esse espaço, as conversas via comentários e, por mais estranho que pareça, todo dia eu penso em uma nova pauta e em algo que poderia escrever por aqui. Ás vezes dá certo, outras não, mas o blog já faz parte da minha vida e ele não vai sumir, pelo menos por enquanto. No momento, eu só peço um pouco de paciência e agradeço pelo carinho que vocês continuam oferecendo a mim e às minhas palavras.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Só as crianças entendem II

- Quem é aquela menina?
- É minha irmã. - eu respondo para a garotinha de 5 anos e pergunto: - Você tem irmãos?
- Não, eu não posso. Nem cachorro.
Juro que tentei fazer todas as associações possíveis e encontrar semelhanças entre ter um irmão e um cachorro. Até desistir e questionar:
- Por quê?
- Eu não posso ter cachorro e nem irmão. Meu apartamento é pequeno.
Quem dera todas as perguntas do mundo tivessem uma resposta tão simples.

Postagem rápida e com divulgação: em uma das matérias deste semestre da faculdade, o trabalho é manter um blog. Meus amigos e eu criamos o Nas tribos, um espaço para comentar sobre grupos/ tribos. Ele está começando, tem poucas postagens, mas peço que vocês deem uma olhada e, se possível, comentem. Obrigada :)

domingo, 29 de agosto de 2010

I'm not gonna write you a love song

Houve uma época em que eu assistia aquelas horas da MTV em que só passam clipes, um atrás do outro. Confesso que a grande maioria eu nem gostava muito, mas ainda assim continuava vendo na esperança de encontrar algo bom. E esse dia chegou, eu assisti ao clipe dessa música:

Foi paixão a primeira vista por esse piano, por essas cores, pela música, pela cantora: Sara Bareilles. Ela nasceu em 1979, na Califórnia, e lançou seu primeiro CD em 2003, Careful Confessions. Só em 2007 Sara fez sucesso com Little Voice, com o single Love Song, a música do video acima. Em 2008 veio Live at the Fillmore, com performances de músicas já gravadas, mas nas versões que sairam no DVD (lindo) com o mesmo nome. No dia 07 de Setembro sai Kaleidoscope Heart, cujo primeiro single, King of Anything, já mostra que o que vem por aí é muito bom.
Podem não concordar comigo, mas para mim o estilo da Sara Bareilles é um "Norah Jones animadinho". Os sons dos instrumentos e os acordes harmonizam e criam um ambiente para a música, uma sensação de calma e conforto que embala as letras que contam histórias. Vale a pena prestar atenção em Fairytale só pelas brincadeiras com contos de fadas e os casamentos "finais felizes" que não deram tão certo:

E o que me fez escrever essa postagem? Os covers. Covers que não são simplesmente "recantar" uma música utilizando os mesmos acordes e ritmo, são versões novas com o estilo da cantora incrustado nas canções já conhecidas. Depois de Umbrella, eu me deparo com Single Ladies em um espírito jazzístico:

Para terminar, eu só posso dizer uma coisa sobre a música da Sara Bareilles: "Love, you're all I ever could need":

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Só daqui dois anos...

Nos idos anos 2000, eu ainda tinha a oportunidade de participar de excursões da escola. Estava na quarta série e a classe iria visitar a Bienal do Livro, a primeira grande feira para a qual eu iria sozinha e controlaria o dinheiro dado pelos meus pais, escolhendo as melhores compras e contando as moedinhas para poder levar cada vez mais livros. Desde então, comecei a desejar que dois anos passassem mais rápido: visitei a Bienal com o meu pai, com a família inteira, no Centro de Exposições Imigrantes, no Anhembi, tomando o ônibus do Terminal Tietê, indo de carro. Não fazia muitas compras, mas pegava todos os folders e sacolinhas que minha mão pudesse carregar, babava em cima de inúmeros lançamentos, cansava as pernas depois de circular todos os corredores. Esse ano pratiquei a proeza de visitar o evento QUATRO vezes.
Não sei se a Bienal em si estimula a leitura, mas pelo menos cria um programa interessante para o final de semana a tarde das famílias paulistanas que querem fugir do passeio "shopping-cinema". Muita gente sai com sacolinhas e espero mesmo que eles leiam tudo o que compraram e ainda mais (e não fiquem só com os "mangás" da Turma da Mônica Jovem que infestaram o pavilhão neste ano). Durante a semana, o evento - como é normal - estava cheio de crianças e adolescentes em seus uniformes azuis. A grande atração, aparentemente, foi o cartaz do Justin Bieber no qual muitas meninas se penduravam para tirar foto.
No fim de semana o evento estava LOTADO, principalmente no começo da noite. Os ambientes para alimentação estavam bem complicados (preço, acomodação), mas, ao que parece, a organização não esperava todo esse público. Em 2012 imagino que melhorarão estes detalhes.Minhas compras foram somente estes dois exemplares. O primeiro foi Qual é a tua obra?, de Mário Sérgio Cortella, que eu já tinha lido e comentado aqui no blog. Agora eu tenho o livro e está autografado! O segundo foi o pocket em inglês de Persuasão, da Jane Austen.Finalizando, a Bienal do Livro deste ano foi como o esperado: com alguns problemas por causa da lotação e a falta de infra-estrutura, mas nada que não possa ser resolvido para as próximas vezes. Destaco os vários convidados e ambientes que a feira teve, o que foi o grande diferencial desta edição de 2010, a variedade de títulos e editoras, e, claro, o espaço digital que me deu a chance de mexer em um e-book (mesmo que tenha sido o mais simples e eu não tenha achado tanta graça assim).

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O Apanhador no Campo de Centeio (J. D. Salinger)

Filmes "sessão da tarde" já contaram essa história muito bem e várias vezes: um jovem tem uns dias livres, longe dos olhares dos pais e dos professores, e essa é a chance dele fazer o que sempre quis. Se a trama parece conhecida, durante a década de 50 deve ter causado certa bagunça.
O Apanhador no Campo de Centeio foi escrito por J. D. Salinger, escritor de poucas obras e que morreu solitário neste ano. O livro conta a história de Holden Caulfield, um adolescente de 17 anos prestes a ser reprovado em quase todas as matérias e expulso do internato masculino onde mora. O rapaz decidi fugir durante um fim de semana antes de ter que encarar os pais com a notícia e, nesses poucos dias, vive da maneira que deseja, tomando conta de suas próprias atitudes.
A história não passa disso e as reflexões de Holden também não são excepcionais. O protagonista, na verdade, lembra muito o personagem de James Dean em Juventude Transviada: um rapaz normal e que está em mudança, mas vivendo em um mundo estagnado; eles não querem o mal, nem mesmo querem viver de maneira louca e abestalhada, os dois jovens só querem entender suas próprias mentes e, dessa forma, visualizar um futuro possível e que lhes agrade.
O livro causou burburinho por retratar a mente do jovem - uma figura que tinha poder nenhum de argumentação na sociedade - e pela a linguagem escolhida por Salinger que se aproxima do público através do uso de gírias e palavrões (vocabulário enquadrado para a época, ou seja, a linguagem é parecida com a de um filme do horário da tarde, nada que vá te assustar).
O Apanhador no Campo de Centeio é um livro voltado para os jovens ou qualquer um que esteja precisando daquela pausa para pensar na vida e no próximo passo a tomar; é uma fuga assim como foi na vida de Holden Caulfield.
Tem horas que fico chateado quando alguém vem dizer para me comportar como um rapaz da minha idade. Outras vezes, me comporto como se fosse bem mais velho - no duro - mas aí ninguém repara. Ninguém nunca repara em coisa nenhuma.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Só as crianças entendem

- A sua fala na peça é a seguinte: "Eu sou o juiz!"
- Eu sou o juiz! - repetiu a menina.
- "E não tenho mais nada a declarar!"
- E não tenho mais nada a... de-claaa-rar! - disse ela com certa dificuldade.
Percebo a expressão de estranheza e, entendendo quase tudo, pergunto:
- Você sabe o que é "declarar"?
- Não.
------------------------------------------------------------------------------
Após uma longa aula de 15 minutos - para crianças de 5 anos isso é quase uma década (se eles soubessem que é possível viver uma década...) - eu, na minha inocência, viro para eles e pergunto:
- Alguém tem alguma dúvida?
Uma mãozinha se levanta no fundo da classe:
- Eu quero fazer uma pergunta.
-Pode falar.
- O que é "dúvida"?

E nessa hora eu realmente não tinha "mais nada a declarar".

Obrigada a todos pelos comentários e opiniões na postagem anterior sobre o layout do blog. Espero visitar cada blogueiro ainda neste fim de semana.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

De Alice para Calvin

Eu tinha prometido que esperaria até o blog completar dois anos. Não consegui. Eu poderia esperar menos de duas semanas até o meu aniversário. Não consegui. Pelo menos esperei até hoje.
Se não fosse a preguiça, Alice já teria saído do topo há um tempo, porque eu enjoo rápido dos meus layouts, mas me contenho já que minha idade não permite modificar designs toda semana. Esse descaso passou quando eu descobri que não precisaria correr atrás de códigos e tutoriais: eu vi o futuro e ele parece com o designer do blogger; permite dividir e mudar o tamanho das colunas, melhorar o background, criar páginas, tudo isso por muito pouco (porque eles, graças a Deus, ainda não cobram por essa praticidade).
O único problema era escolher a imagem do banner, porque eu tinha que fazer alguma coisa nesse layout. Cacei imagens em todos os lugares, reclamei no twitter, meu amigo da faculdade reclamou junto comigo, até eu desistir e procurar nas imagens que eu tinha no meu computador mesmo. Por estranho que pareça, sensibilizei-me por esse abraço do Calvin e do Haroldo e em um espasmo de "criatividade" - nem tanta - coloquei a tirinha atrás. Para ficar mais bonitinho é só me dar um tempo para eu me acostumar com esse fundo cinza.
Como o blog sem a visita de vocês seria só um monte de textos, comentem, por favor, o que acharam do layout, se tem algum defeito terrível ou qualidade maravilhosa. O Biscoito & Bolo também é de vocês e espero que tenham gostado do look que ele adquiriu.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Cliques do Evandro

Como aliar informação e arte? Essa é uma das grandes missões do fotojornalismo, não somente criar uma bela imagem, mas contar um momento histórico sem precisar de palavras. E, esse desafio, Evandro Teixeira cumpre notoriamente.
O fotógrafo nasceu na Bahia, começou na carreira em 1958, no jornal O Diário da Noite (RJ) e, em 1963, entrou no Jornal do Brasil onde está até hoje.Com tanta experiência, não é de se estranhar que suas fotos sejam tão lindas. O incrível é que, em qualquer época ou evento, seus cliques são marcantes e a qualidade é algo presente durante toda a trajetória do profissional.Ao contrário de seu glamouroso colega de profissão, Sebastião Salgado, que é conhecido até por quem não faz parte da profissão, Evandro Teixeira não tem toda essa fama, mesmo que, até sem saber, já tenhamos nos deparado com imagens feitas por ele. O artista é simples, continua com o sotaque baiano carregado e não perde a motivação na atividade que pratica há 50 anos.Suas fotografias contam a história brasileira e alguns ensaios foram transformados em livros. Em Canudos 100 anos, temos os "velhinhos" da região tão conhecida dos livros de história, mas atualmente esquecida. Em 68: Destinos. Passeata dos 100 Mil, encontramos os relatos atuais de 100 pessoas que apareceram, nitidamente, na conhecida foto de 1968.Em 2004 foi lançado o documentário Evandro Teixeira: Instantâneos da realidade, sobre a vida e obra do fotógrafo. Abaixo está um dos trechos que eu mais gosto e que conta com a participação de Chico Buarque, um dos inúmeros entrevistados. O filme foi uma singela homenagem, feita por amigos e colegas de profissão, para este grande fotojornalista brasileiro.

Todas as fotografias - com exceção do primeiro retrato - foram retiradas do site da Associação Brasileira de Imprensa. Vale a pena visitar essa pequena galeria porque todas as fotos tem um comentário do Evandro e dá para entender o momento em que a imagem foi feita.
PS: Ok, é a última, observem atentamente essa imagem do Ayrton Senna. Já viram em algum lugar? Pois é, fez história até no modo de fotografar pilotos de corrida...

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Aguenta aí...

Se tiver uma coisa que é modinha, é discutir se existem ou não as odiadas modinhas. Como eu sei que minha opinião já foi jogada ao vento diversas vezes e que muita gente vai querer discutir comigo quando eu disser que não tem problema os outros conhecerem aquilo que você gosta, não vou nem gastar meus dedos digitando um texto enorme.
Fiquem com seus gostos musicais, artísticos, televisivos desconhecidos e chorem porque sua banda favorita não vem para o Brasil, porque os DVDs da sua série perfeita não chegam aqui, ou porque você gasta horrores exportando os livros do seu escritor preferido. Melhor assim com seu gosto protegido e bem cuidado, do que com um monte de fãs falando meias-verdades - já que eles sempre sabem muito pouco sobre a sua paixão - e movimentando a indústria cultural aqui no país e trazendo milhares de brindezinhos inúteis que nós amamos e colecionamos.
Lembre-se que não vale chegar para o colega mais próximo e exclamar em alto e bom som "VOCÊ NÃO CONHECE ESSA MÚSICA?!!!!", porque não é modinha e, portanto, orgulhe-se de que ninguém conhece e você pode reinar solitariamente neste mundo cheio de egoísmo. Também não vale se sentir sozinho e reclamar dizendo "como minha vida é triste, só eu gosto disso", afinal é desse jeito que suas preferências não caiem no limbo das modinhas.
E, dessa forma, leve para a eternidade esses seus gostos tão legais que, graças aos "fãs", não conseguiram nem fazer sucesso e foram compartilhados só em uma comunidade do orkut com meia dúzia de membros que, com garra e força de vontade, lutaram contra as modinhas, mas, por outro lado, levaram a vida chegando nos outros e dizendo "você conhece?" e implorando através de emails para que empresas trouxessem produtos com a logomarca preferida deles.
No final das contas, vai lá, modinhas duram pouco e trazem alguns benefícios, por isso aguentem durante um tempo, sigam o lema "se não pode contra eles, junte-se a eles" e deixem, por exemplo, a Sabrina Sato entrevitar o Kevin McHale, vai que dessa forma Glee vira modinha e o elenco todo vem para o Brasil?!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O Dia do Curinga (Jostein Gaarder)

No final do ano passado eu li O Mundo de Sofia, obra do norueguês Jostein Gaarder, e me apaixonei pela história que toma rumos tão diferentes e estranhos, ao mesmo tempo em que faz pensar sobre o mundo através de um olhar filosófico. Fascinada como estava resolvi que leria outras obras do autor.
Este mês li O Dia do Curinga que conta a trajetória de Hans-Thomas, junto com seu pai, a procura da esposa/mãe que "tenta se entender" em Atenas. Durante a viagem o menino é presenteado por um anão e por um padeiro, recebendo uma lupa e um pequeno livro com uma história cheia de mistérios.
Desde o início eu achei este livro muito parecido com O Mundo de Sofia, o best-seller que projetou Gaarder internacionalmente. Os protagonistas estão na mesma faixa etária (Hans tem 12 anos, Sofia tem 14), ambos tem proximidade com somente um dos pais, as duas crianças encontram textos estranhos e tem um mestre de filosofia sempre por perto (no caso do menino, o próprio pai é esse tutor). Ao contrário do que eu imaginava, O Dia do Curinga foi publicado primeiro, ou seja, na verdade é Sofia que se "apropriou" de valores de Hans.
Ainda assim, este é um livro instigante, não só pelo seu lado filosófico e esse encanto que faz o leitor analisar sua existência em um universo tão grande e cheio de possibilidades, mas também pela própria história que cria - muito bem - um enredo cheio de segredos em que você aos poucos vai desfazendo os nós para, finalmente, chegar ao criativo desfecho. Esta obra enfoca a discussão sobre a existência do ser humano, as clássicas perguntas "quem sou eu? Para onde eu vou? De onde eu vim?".
Realmente espero que esses tópicos parecidos entre as duas obras seja apenas um resultado da proximidade em que foram escritas (O Mundo de Sofia logo no ano seguinte a O Dia do Curinga), pois Jostein Gaarder mostra-se, mais uma vez, maravilhoso para fazer as pessoas filosofarem e fugirem da realidade e o autor continua com seus méritos por instigar a curiosidade e o ato de pensar. E eu ainda espero encontrá-lo em Agosto, aqui na Bienal do Livro.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Macbeth: um comentário bem breve

(contem detalhes da história)
A minissérie trazia referências no nome para a última e mais curta tragédia de Shakespeare: Som e Fúria foi ao ar e cativou com a encenação de Hamlet; Macbeth, e a "vida de som e fúria", ficou com a fama de ser uma peça sobre maldade, mesmo que ao final até o vigia do teatro se convença de que não é bem assim. E não é mesmo.
O protagonista e sua esposa, Lady Macbeth, convencidos por bruxas da floresta, acreditam nas profecias de que se tornariam os comandantes da Escócia. Para tanto, utilizam dos planos mais negros para aniquilar todos que estão - ou poderão estar - impedindo o caminho ao trono.
Lady Macbeth começa seu discurso pedindo ajuda as trevas; depois arma um plano para matar o atual rei da Escócia e "finge" um desmaio quando lhe dizem do homícidio que ela mesma ajudou; no ápice, tem delírios durante a noite quando passeia sonâmbula e louca. Já Macbeth quer cometer o assassinato, mas não tem coragem; mais tarde perde o medo das mãos manchadas de sangue e mata até o próprio amigo, cujo fantasma ele vê passeando pelo castelo; no final, acreditar nas profecias incertas acaba lhe tirando a vida.
A história é cheia de maldade e traição vinda por parte do casal protagonista. Eles podem parecer como vilões, mas ambos são humanos, o que se vê pelos momentos de loucura, já que se fossem totalmente formados de maldade não teriam ressentimentos manifestados mesmo inconscientemente através de ilusões. A loucura das personagens é um sinal da humanidade deles, assim como a ganância, o poder e a fama, representadas a tragédia inteira, também fazem parte da nossa natureza. O fato é até onde ir para alcançar essas vontades. O casal Macbeth chegou a um extremo.

A peça está em cartaz no teatro do SESC Pinheiros, São Paulo, com a direção de Aderbal Freire-Filho (o mesmo que dirigiu Hamlet com o Wagner Moura). E se você não pode ver no teatro, procure essa ou qualquer outra peça de Shakespeare para leitura, todas falam do ser humano e seus melhores/piores lados. Agora, se você quer um resumo bem rápido da história, essas crianças te explicam.
Em tempo, muito obrigada pelos comentários da postagem anterior, fiquei bastante feliz com todos eles e vou responder a com muito carinho :)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Reconstruindo o teatro (parte 2)

(parte 1)Eu li muitas notícias sobre o incêndio do Teatro Cultura Artística (TCA), comparei as versões de diferentes jornais, ouvi um podcast sobre o caso e encontrei um livro na biblioteca da faculdade que tinha todo o histórico da Sociedade de Cultura Artística (SCA). Era enorme, lindo e eu andava com ele de um lado para o outro descobrindo novos detalhes da casa.
Depois de saber sobre o assunto, elaborei a pauta, escolhi minhas fontes, enviei vários e-mails e não recebi tantos quanto esperava. Alguns perguntaram e não responderam as minhas perguntas, outros ignoraram e poucos, mas maravilhosos, me atenderam o que, para falar a verdade, me animou a continuar a matéria.
Eu não queria escrever algo ao estilo investigativo sobre como o incêndio do teatro aconteceu, até porque nem hoje há uma explicação definitiva. Então eu parti para o lado social do teatro e a importância deste para a cultura na cidade de São Paulo, ou seja, eu precisava do relato de alguém que sentisse falta e precisasse do Cultura Artística. Mas onde encontrar essa pessoa?!
Foi aí que, graças a Deus, porque minha memória nem é tão incrível assim, eu lembrei de um documentário da TV Cultura que falava sobre a Praça Roosevelt (espaço atrás do TCA) no qual entrevistaram um senhor que trabalhava há décadas em uma tabacaria nas redondezas. Investi minha coragem e encontrei a lojinha onde conversei com o doce casal Orbetelli, há 40 anos convivendo com o TCA. Os dois foram muito simpáticos, contaram histórias e curiosidades que me davam vontade de passar o dia conversando com eles, o que, pessoalmente, é a mágica da entrevista: você descobrir que todo mundo tem algo de especial e importante para contar.

Essas postagens ainda não acabaram. Na parte 3 eu falarei um pouco das campanhas feitas após o que eu escrevi e o texto pronto e publicado no jornal-laboratório.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O livreiro de Cabul (Asne Seierstad)

Asne Seierstad é uma jornalista norueguesa que, durante o seu período como correspondente de guerra no Afeganistão, morou por quatro meses com a família de Sultan Khan (nome fictício), o livreiro de Cabul que dá o título a obra. Apesar de tratar de fatos reais não é um livro-reportagem, já que a autora optou por utilizar uma narrativa literária para o texto.
A família de Sultan Khan não é pobre se comparada ao resto dos lares afegãos. Assim como os membros da casa são, em sua maioria, letrados e até as meninas tiveram educação privilegiada durante um tempo. O patriarca é bastante liberal com relação aos negócios e ao governo do Afeganistão, porém sua liderança no lar ainda é ditadora e tradicional.
Cada capítulo percorre a história de um integrante da família, desde a matriarca com medo de ser esquecida, Bibi Gul, até um dos meninos de doze anos que, quase em estado depressivo, tem de ficar "preso" em uma loja de doces em um hotel afundado na miséria. Porém, a história que mais me comoveu foi a de Leila, a garota de 19 anos que não tem sonhos, quase conseguiu viver uma história de amor, quer se tornar professora de inglês, mas que está fadada a ficar em casa, cuidando de sobrinhos birrentos e "comendo poeira", como ela mesma diz.
Se eu pudesse traçar uma linha do tempo com obras literárias sobre o Afeganistão, O caçador de pipas viria em primeiro, seguido de A cidade do Sol e por último O livreiro de Cabul que traz o retrato do país após o fim do regime talibã e com uma geração que nasceu no período da prisão pelos costumes e hoje não sabe viver de outra maneira, sendo ainda regidos, inconscientemente, pelas tradições.
Se alguém achava que as histórias de Khaled Hosseini não eram verdadeiras, agora tem a prova nessa obra detalhista de Asne Seierstad. E se você duvida que o que ela escreveu seja verídico, a comprovação está no fato da jornalista ter sido até processada pelo livreiro de Cabul, sob as ameaças de que o livro tivesse desestruturado a família Khan - coisa que não era muito difícil de acontecer.

sábado, 12 de junho de 2010

Copa?! Quando?

Esta semana minhas amigas decidiram testar meu conhecimento esportivo "invejável" perguntando se eu sabia o nome de algum jogador da seleção brasileira. Falei Kaká, porque mesmo que ele não tivesse sido convocado, foi o único nome que me veio na cabeça; mais tarde surgiu o Robinho também, mas aí eu já tinha virado motivo de uma mini-chacota. Tudo bem, eu sou especialista em assuntos que ninguém se interessa (tipo séries de tv, livros britânicos e musicais), mas pelo menos nos anos anteriores, a essa altura da Copa, eu já tinha recebido uma tabelinha para anotar os resultados dos jogos e providenciado uma bandeirinha.
Vocês já viram o Brasil mais desanimado para um campeonato do que dessa vez? É válido dizer que na terça-feira os brasileiros vão parar suas rotinas e, se o time chegar lá nas finais, o reboliço será geral, mas a impressão que eu tenho é de que Junho começou e o povo, a mídia, as propagandas, perceberam em cima da hora que tinham de investir no filão Copa.
A vida anda tão agitada e nós estamos tão conectados aos nossos problemas que não percebemos nem um dos únicos eventos em que os brasileiros têm orgulho da nação. Sem essa emoção e choradeira que acontece de quatro em quatro anos, o povo que "não desiste nunca" não saberá nem mais para quê lutar nessa terra.
Quer dizer, sabe que pode reclamar sentado e esperar a Copa para tirar uns dias de folga e, talvez, por isso que a gente se sinta tão honrado na época dos jogos: por causa do "feriado" fora de hora. E mesmo que pareça que eu sou partidária de discursos prontos - como este que acabei de escrever - eu me incluo, sim, em vários pontos dessa história.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Não leia, eu tenho vergonha...

Timidez?! Não, não tenho isso. Talvez algumas complicações nos relacionamentos, ou, por causa da minha "palidez", um problema em ficar muito fácil com o rosto vermelho. Mas timidez, acho que não.
Por exemplo, eu faço normalmente apresentações de trabalhos e projetos e falo para o público até que direitinho. Ninguém percebe que, por dentro, eu estou tremendo, ou que minhas mãos estão extremamente geladas e meu rosto muito quente de... ah, vocês sabem do quê.
Eu também não tenho problemas em conversar com os outros. Lógico, isso se eu os conhecê-los há certo tempo, tenha os encontrado várias vezes e desde que eu não tenha que puxar assunto. Porque eu acho meio complicado manter uma conversa se eu nunca vi a pessoa na vida, não tenho nada em comum ou um roteiro pré-estabelecido (por isso que entrevistas são mais "simples").
Também não tenho preocupações com fotografias, aliás, amo fotografias... quando eu estou atrás da câmera. Não digo "não!" para todos que me convidam para uma foto (já passei dessa fase), mas também não me sinto totalmente à vontade e sempre me complico na hora de elaborar um sorriso que não beire o estranho (idem para gravações em vídeo).
Telefones podem ser até uma complicação: se ser tímido é treinar antes de ligar para alguém, ir direto ao assunto e cortar todas as delongas que possam aparecer na comunicação, ou só usar esse objeto para urgências... bom, então eu sou vocês sabem o quê.
Tudo bem, talvez, só uma hipótese, eu seja um pouco tímida e, se for assim, eu então agradeço - assim como todos os outros tímidos - a essa era tecnológica que permite sair falando por aí sem que vejam a nossa cara, o que até ajuda a diminuir a nossa vergonha. Tímidos, agora podemos dominar o mundo!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Qual é a tua obra? (Mário Sérgio Cortella)

Eu ouvi falar desse livro em 2008, quando minha professora de Ética sugeriu, mas acabei não lendo na época (mesmo com opiniões bastante positivas vindas de amigos). Esse semestre não pôde passar sem essa leitura, principalmente depois que, durante a aula de Psicologia, eu passei quase 40 minutos impressionada com uma palestra de Mário Sérgio Cortella no programa Café Filosófico.
Não se engane pelo subtítulo - Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética - Qual é a tua obra? não é para quem quer se tornar chefe ou para quem busca uma obra de auto-ajuda. Na verdade, é sim, esse livro é para TODOS. Qualquer um deveria saber que "há coisas que quero, mas não devo. Outras que devo, mas não posso. E outras que posso, mas não quero", e saber escolher o que fazer é, finalmente, praticar a ética nesse mundo raivoso em que vivemos.
Tudo que o autor coloca na obra é o que eu queria - ou quero - para minha vida: saber escolher o melhor futuro, saber que para chegar ao alvo é preciso passar por momentos não tão bons, e, acima de tudo, saber disso sem clichês ou chavões, mas com uma linguagem deliciosa que te faz repensar o modo de viver.
Se você não está convencido a ler este livro, então eu recomendo que ao menos você assista essa entrevista do Mário Sérgio Cortella no programa do Jô Soares (fiquem calmos, ele conseguiu que até o Jô não o interrompesse) em que o autor fala sobre vários tópicos de Qual é a tua obra? Para terminar, deixo um trecho da entrevista:
A coisa que é evidente não é aprazível, isso porque o evidente é como colocar braços na Vênus de Milo ou colorizar Chaplin. É fazer coisas que acabam estragando. O evidente é desagradável, parece que se está arrumando.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Reconstruindo o teatro (parte I)

Segundo semestre de jornalismo. Surge uma disciplina chamada "Técnicas de reportagem, entrevista e pesquisa" que envolve um jornal laboratório. Logo no primeiro mês o professor exige no mínimo três pautas para a semana seguinte. Levei todas, mas só lembro de uma, aquela que eu mais gostava e que foi escolhida: a importância do Teatro Cultura Artística.
Você que não mora em São Paulo, talvez não o conheça; aliás, até você, paulistano, pode nunca ter ouvido falar deste ponto cultural. E eu passo todo sábado em frente aquele espaço com um mosaico de DiCavalcanti, estou sempre nas proximidades, a universidade nem é longe de lá, e meus colegas não tinham ouvido falar do Cultura Artística. Tudo bem se fosse só um teatro, mas eu realmente me emocionei com o dia em que liguei a televisão e vi as imagens do incêndio que destruiu toda a estrutura do espaço.
Disse ao professor que eu queria escrever sobre o teatro. Ele aceitou e completou: "Mas você consegue falar com os arquitetos, diretores, e etc?" Confesso, o medo bateu. Era a primeira matéria séria, em que eu sabia nada, além do básico, e não tinha um contato de imediato. Respondi com uma tremenda dúvida e, talvez, por isso ele tenha logo depois dito: "Então tá, você faz essa matéria".
No mesmo dia cheguei afobada em casa, tropeçando nas palavras ao explicar a história aos meus pais e, ao mesmo tempo, totalmente entusiasmada e curiosa para saber o máximo possível sobre o Cultura Artística.

-----------------------------------------
Não, eu não conversei com nenhum traficante, presidente, famoso; mas foi a primeira matéria que me deu "trabalho" e por isso estava com vontade de contar a história a vocês. Segundo semestre, ok, eu não era uma profissional (e nem o sou ainda). Quando terminar essas desventuras, coloco a matéria online para todos lerem.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O clube do filme (David Gilmour)

Quando eu resolvi adquirir O clube do filme, eu não sabia que era uma obra autobiográfica. Mesmo depois de começar a ler, eu ainda não acreditava que toda aquela história poderia mesmo ter acontecido, porque o fato de um pai permitir que o filho de 16 anos deixe a escola em troca de assistir três filmes por semana, ainda é uma atitude muito surreal para mim.
Mas aconteceu, e o livro mostra a convivência de um pai e um filho que, em idades tão diferentes, aprenderam a conhecer um ao outro e, de forma bem lenta, começaram a amadurecer. Lenta porque o livro inteiro você se pergunta em que aqueles filmes vão contribuir para a vida dos dois personagens, sendo que o ponto central da trama não é esse: não é sobre comentar filmes, diretores e atores; é sobre aqueles dois que estão a frente da tela, saboreando o melhor do cinema e aprendendo a debater e encontrar não só o que está na superfície, mas a profundidade interior deles.
É um livro bem calmo e leve e, caso você não aprecie tanto a narrativa, ainda vale a pena para qualquer um que goste um pouco de cinema, porque as descrições das cenas cinematográficas fazem você querer sair de casa, assaltar uma locadora de vídeos e passar o fim de semana assistindo um filme atrás do outro.

sábado, 8 de maio de 2010

Cliques da Maureen

Maureen Bisilliat nasceu em 1931, na Inglaterra, mas realiza seu trabalho aqui no Brasil desde 1957 e hoje é naturalizada brasileira. A fotógrafa trabalhou para a Editora Abril e suas imagens apareceram em revistas de peso como a extinta Realidade. Em 2003 suas fotografias entraram para o acervo do Instituto Moreira Salles e a coleção está em exposição no Centro Cultural Fiesp, em São Paulo.Algo interessante é que diversos ensaios fotográficos de Maureen são baseados em obras literárias. Mais uma vez comento que não adianta dizer "ah, não sei sobre o que fotografar", sempre existe assuntos e o trabalho desta artista é uma prova disso. Existem imagens da Bahia de Jorge Amado, obras com inspiração nas palavras de Guimarães Rosa e Os sertões de Euclides da Cunha.A exposição ainda conta com um dos primeiros trabalhos da fotógrafa, Pele Preta, com imagens da série Caranguejeiras, evidências da vida dos índios do Xingu e relatos fotográficos de viagens. Ou seja, tem muita coisa bonita para se olhar.Já ouvi algumas pessoas comentarem que fotografias para serem especiais precisam ser espontâneas. Ao visitar a exposição você percebe o contrário. Muitas das imagens de Maureen Bisilliat são "programadas", portanto, há pouco daquelas ao estilo Cartier-Bresson. Mesmo assim, as personagens aparecem nas fotografias com naturalidade e uma incrível sensibilidade. Muitos estão lá, olhando diretamente para você, com raiva, amor, nostalgia ou querendo perguntar algo. É uma exposição belíssima, não só pelas imagens, mas pela própria composição dos ambientes que mudam a atmosfera perfeitamente só através das cores. São imagens que falam de assuntos fortes através da leveza dos cliques desta fotógrafa.Para outros cliques é só entrar na tag fotografia. A primeira imagem é um retrato de Maureen Bisilliat feito pelo fotógrafo Juan Esteves. Maiores informações sobre a exposição aqui.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Resumindo...

Acho que todo mundo que frequenta o Biscoito e Bolo há um bom tempo percebeu que eu não tenho sido a mesma blogueira assídua de antes. Dei uma olhada nos arquivos e descobri que em Abril do ano passado eu postei 12 vezes, contra 5 (!) vezes neste ano. Para explicar a minha ausência (e compensar a falta de criatividade), escolhi os seguintes tópicos:
- A temporada de trabalhos está aberta: Se você já foi um estudante, em algum momento passou por isso. Todo início de semestre a gente fala "Não vou deixar o trabalho para a última hora". Isso até o professor passar a primeira data de entrega e você pensar "Ah, é só para o final de Maio". E cá estamos nós na primeira semana do mês correndo atrás de entrevistas e gravações...
- Socorro, eu estou presa a um livro: Estava, ainda bem! Resolvi ler Madame Bovary depois que vi a edição linda por apenas R$14,90 que a Abril lançou. Estava animada, com aquela capa de pano nas mãos, comentários ótimos vindos de todos os lados e... não gostei. A leitura é lenta, as personagens são sem graça e, apesar de ter sido polêmica na época em que foi lançada, a protagonista é chata. Podem jogar na minha cara que todos esses detalhes são parte da técnica do autor, de mostrar as conversas modernas e sem profundidade, mas eu não engoli Madame Bovary.
- Eu e as perseguições: Ok, isso não tem nada a ver com o blog, mas algo parecido já aconteceu e eu contei aqui. Semana passada eu conversei com um moço no ônibus. No dia seguinte fiz um caminho totalmente diferente (dejavu...), desci em um ponto em que nunca tinha descido e imaginei que não teria que exercer minhas obrigações sociais conversando. Dali um minuto quem aparece no ponto? Não preciso terminar a história, só digo que nos cumprimentamos cordialmente pensando que coincidência demais é estranho (e dá medo. Você, por um acaso, já assistiu Magnólia?)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Cálice por dentro

É horrível começar um texto com clichês, mas um mundo sem música seria muito triste. Até quem diz não prestar atenção nessa arte, sentiria falta de algumas notinhas no seu dia a dia. É o mesmo que um filme sem trilha sonora, quando a cena aparece em silêncio, isso só gera tensão; já quando a canção surge majestosa, o coração do espectador até se acalma. Sendo assim nada mais natural do que utilizar essa "arma" como instrumento para mostrar nossas vontades, desejos, medos e raivas, emoções que não mudam com o passar dos anos.
Quando se fala em música como forma de contestação, é fácil lembrar do período da ditadura ou de bandas que atuaram durante as Grandes Guerras, e em todas as épocas havia alguém querendo tirar a paciência dos outros com uma música polêmica. Até na Idade Média, o povo ficava nas ruas cantando canções pagãs e deixando os padres nervosos com seus cantos gregorianos. Durante a repressão praticada por Hitler, músicos contemporâneos foram levados para campos de concentração porque não podiam expressar a criatividade nas partituras da forma que gostariam.
Hoje o "grande debate" é que as novas caras do cenário musical não questionam, só fazem músicas nhenhenhe que falam sobre o amor. No fundo, esses são os questionamentos do momento: uma das doenças que mais mata é a depressão, o mal da década é o esfriamento das emoções, o afastamento de famílias, o ignorar o outro que é igual a você. As músicas que parecem açucaradas demais para a rebelião de tempos anteriores são aquelas que retratam a tristeza dos jovens deste tempo, essa melancolia por não atingirem um equilibrio interior eles não expressam em palavras e acabam desabafando quando ouvem uma boy band.
Não estou dizendo que qualquer banda de quintal pensa em tudo isso, até porque música ruim existe em qualquer época (e os fãs destas também sempre aparecem). Porém, entender o ambiente que os jovens crescem e vivenciam é descobrir qual será o tema do próximo single #1 na Billboard. Se hoje não temos um inimigo em comum para criticar com a música, criticamos a nós mesmos e nossos segredos.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Make it or Break it


Make it or Break it é uma série americana produzida pela ABC Family que conta a história de quatro adolescentes ginastas - Payson, Kaylie, Lauren e Emily - em busca de uma vaga na equipe olímpica de 2012. Elas não são "jovens normais", então a partir daí muitos problemas e nervosismos surgem na vida das meninas.
Assim como 10 things I hate about you, que também é da ABC Family, Make it or Break it não é uma série sensacional, como alguns dizem, mas também não é de todo mal, é simpática. Não é uma comédia, é um drama porque a vida dessas garotas é um problema atrás do outro que ás vezes até parece uma novela mexicana. E também não é porque não há piadinhas o tempo todo que é uma série pesada para ser assistida, os episódios fluem rapidamente e quando você vê já esta na metade da temporada.
Apesar de o principal assunto ser ginástica olímpica, este fica como pano de fundo na trama. Na verdade, a produção quer contar histórias de pessoas que dão a vida para alcançar um objetivo. Claro que todos os problemas decorrem, mesmo implicitamente, do fato de que as atletas fazem tudo pelo esporte, porém as melhores performances se restringem as competições e não é todo episódio que tem um grande movimento de ginástica. Aliás, eu li alguns comentários que diziam que para quem conhece o esporte as notas são muito absurdas porque os movimentos são bem fáceis; comigo, como sou leiga no assunto, qualquer saltinho que as meninas dão eu fico babando.
A primeira temporada estreou em junho de 2009 com 20 episódios e uma segunda temporada já foi anunciada. A série agradou muito o público e eu acredito que seja por tratar de um dos esportes mais querido das Olimpíadas e por ter um personagem para todos se identificarem. Cada pessoa no enredo tem defeitos e qualidades únicos, por isso fica fácil você encontrar aquele "queridinho" e isso faz com que você queira acompanhar a trajetória desta pessoa.
Make it or break it deve agradar a bastante gente, é bem leve e com vários dilemas de séries adolescentes. Eu não sei se a vida das ginastas "de verdade" é do jeito que a série conta, mas os sacrifícios e as dores devem ser as mesmas. Se mesmo assim você não gostar da produção, você ainda pode assistir por causa dos saltos, das barras, dos cavalos e aproveitar as performances enquanto não chegam os jogos Olímpicos...

(Download na comunidade do orkut)