quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Cliques do Romero (e de janelas)

Eu twittei, todo mundo twittou e essas fotos foram até parar no topo dos Trending Topics (o que, nos últimos meses, é sinônimo de status).
Estou falando do ensaio produzido por Hélvio Romero com o tema Janelas Paulistanas. Não tenho muito o que dizer (as fotos falam por si só), mas o assunto mostra que você não precisa de algo muito complicado e exótico para conseguir boas fotografias e inovar no estilo. Ou vocês vão querer me convencer que "janelas" são sobrenaturais e difíceis de serem encontradas? Até onde eu sei, toda casa tem uma.
Helvio Romero é fotojornalista há quase 20 anos e atualmente trabalha no Estadão. Para mais imagens lindas recomendo o blog dele e, já que você estará por lá, aproveite e visite a tag Cidade Limpa. Que pena. São fotografias bem legais com os outdoors que estavam aqui em São Paulo.Deem uma olhada em todas as janelas, escolham suas favoritas e comprovem que uma é mais criativa que a outra. Para outros cliques que apareceram aqui no blog é só entrar na tag fotografia.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

10 volumes depois...

Esse mês eu comprei o décimo e último volume de Sunadokei. Eu não comento muito sobre mangás aqui no blog, mas é algo que eu gosto e esse apreço surgiu lá no início da adolescência quando todo mundo está a caça de um estilo. Não tenho um estilo definido até hoje, não leio mais mangás pela internet e nem assisto muitos animes, mas quando surge um título que me agrada no mercado e eu tenho dinheiro, resolvo colecionar.
Mangá acho que todo mundo já ouviu falar, são os quadrinhos japoneses. Assim como a literatura tem suas divisões em romance, ficção, aventura, etc., o mangá tem separações em títulos para meninos, mulheres, crianças e o chamado shoujo, os mangás para meninas. Isso não significa que um não leia o mangá do outro, cada um lê o que quer e gosta, independente do gênero. Quem quiser conhecer um pouco mais dos títulos shoujo, recomendo o Shoujo Café, um blog bastante completo e ótimo para quem quer saber sobre o assunto.
Voltando, Sunadokei é um mangá shoujo de Hinako Ashihara que terminou em 2005; no início de 2008 a série foi anunciada aqui no Brasil e começou a ser publicada bimestralmente pela editora Panini. A história centra-se em Ann, uma menina de 12 anos que saiu de Tóquio com a mãe para morar em Shimane, uma pequena cidade do interior. Lá ela se sente perdida com o novo ambiente, mas logo conhece Daigo, um garoto da região que, apesar dos contratempos do primeiro encontro, acaba tornando-se seu amigo para toda a vida. Também cria vínculos com Fuji e Shiika, irmãos e filhos de uma família abastada e conservadora da cidadezinha.
A trama parece bem simples e sem graça se resumida desse jeito, mas a mangaká não ficou parada na superficialidade. Os 10 volumes percorrem toda a adolescência e parte da vida adulta de Ann e seus amigos e parentes e nenhum personagem sai da história sem você se emocionar ou se identificar um pouco com ele. Os "altos e baixos da vida" estão lá, com todos os detalhes, todas as dificuldades, toda a alegria e todas as dúvidas.
Desde o início, com os quatro personagens principais eu tive relações controversas: sentia pena da protagonista, não gostava do Daigo, sentia uma simpatia pela Shiika e amava o Fuji. Agora, praticamente dois anos depois de conhecê-los, "nosso" relacionamento passou pelas mais diferentes brigas e amores e, em algum ponto de suas trajetórias, eu consigo me encontrar neles.
Ora, não é qualquer um que consegue criar histórias de vida que cresçam contigo e façam você criar laços com os personagens. Sunadokei consegue, a nem tão conhecida Hinako Ashihara conseguiu e, "só" por isso, já valeu a pena comentar sobre a série nesse pequeno blog.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A Menina que Roubava Livros (Markus Zusak)

A história da Segunda Guerra Mundial já foi contada de diferentes maneiras. Desde os relatos de Anne Frank até a "comemoração" dos 70 anos do início do conflito, todo mundo já deu sua opinião sobre o assunto e os comentários só aumentam. Só a protagonista deste evento que ainda não tinha falado: a Morte.
Ainda, porque A Menina que Roubava Livros acabou com esse silêncio. A Morte se propõe a contar a história de Liesel, uma menina com a qual ela já se encontrou três vezes, mas nunca para levá-la. Por um instante, a narradora decide deixar um pouco de lado seu trabalho exaustivo (com direito, infelizmente, a hora extra de 1939-1945) e relatar a adolescência da garota que, no mesmo dia em que perdeu o irmão e foi separada da mãe, roubou seu primeiro livro, O Manual do Coveiro.
Se não bastasse a Morte contando uma história, o livro também mostra um ponto de vista diferente dos demais. Se já ouvimos relatos de judeus em campos de concentração, ou biografias sobre Hitler, ou ainda depoimentos de soldados no campo de batalha, ainda não tinhamos a Guerra na visão dos alemães. Liesel é só uma menina com a sorte de ter nascido alemã. Seus amigos são crianças com sorte de terem nascido alemães. Os moradores da pequena rua Himmel discordam com o nazismo, querem destruir o Führer, precisam se esconder em porões durante os ataques das bombas e assistem a passeatas de judeus a caminho da tortura. Os meninos mais preparados precisam ir a guerra e deixar suas famílias; bairros inteiros estão sem alimento; e uma menina precisa roubar livros para fugir da realidade.
Longe de isso dizer que o autor pensa que os cidadãos alemães sofreram mais que, por exemplo, uma Olga. Os "torturados" tem sua presença em determinadas partes do livro, como na cena com a rua das casas destruídas e com estrelas amarelas. Esses flashes são quase um alerta: não esqueça do terror da Segunda Guerra. Para explicar isso, ninguém melhor que a Morte:
"Os alemães nos porões eram dignos de pena, sem dúvida, mas ao menos tinham uma chance. Aquele porão não era um banheiro. Eles não tinham sido mandados para lá para tomar um banho. Para essas pessoas, a vida ainda era alcançável."

Markus Zusak é filho de um austríaco e uma alemã e cresceu ouvindo histórias sobre o período nazista. O autor escreve em um estilo diferente, com várias interrupções no texto, desenhos envolvendo a trama e um vai e volta com direito até a spoilers no próprio livro (disfarçados, mas spoiler é a palavra certa...). No início você pensa que esse é aquele estilo que todo mundo quer tentar escrever, mas pensa que nenhum leitor vai entender. É preciso ser corajoso porque ou você cai no tipo intelectual indecifrável, ou consegue se controlar e faz um livro interessante e novo. E foi isso que o escritor conseguiu, um best seller diferente para uma história que necessita sim ser relembrada todos os anos (não importando o protagonista).

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A adolescência da internet

Durante os meus 13 anos, eu comecei a descobrir a internet discada aqui de casa, isso só nos fins de semana e, de vez em quando, à noite. Nessas oportunidades eu visitava o site da Turma da Mônica (!) e dava uma passadinha nos blogs das minhas amigas. Nessa época a blogosfera estava em alta pelo menos no meu círculo de amizades: as postagens eram, no geral, com aqueles textos sem autoria que chegam por email ou com gifs animados e cheios de gliter com frases do tipo "Sua inveja faz a minha fama". E nós achávamos que nossos blogs eram o máximo...

De lá para cá a blogosfera amadureceu e deixou de ser um diário para relatar suas aventuras aos miguxos, e se tornou um meio de expressar ideias e opiniões, sendo bem visto até pelos canais jornalísticos. Para isso, os blogueiros aprenderam que não dá para postar quando tem vontade (a cada dois meses), não dá para viver enclausurado no seu blog e esperar que todo mundo visite, tem que ser cordial e responder comentários decentemente, tem que escrever direitinho sem aqueles "símbolos e siglas" que diminuem o público, não dá para empetecar o blog (porque isso distrai a leitura). Enfim, hoje a blogosfera está mais controlada, apesar de sempre surgirem aqueles rebeldes sem causa que insistem em plagiar textos ou criar um espaço que não traz nada de bom para ler, esses casos duram pouco e o pessoal já sabe que blog pode sim ser sinônimo de qualidade.
E isso acontece em toda a internet, mais ou menos como é com a gente. Todas as redes sociais tiveram uma infância, aquela época em que um número reduzido usava, os dias eram felizes e tudo era organizado (Facebook está nessa fase). Isso até chegar a adolescência quando a mídia populariza, cada um faz o quer, não tem medo de desabafar as mágoas do dia na web (vide as comunidades do orkut que SEMPRE tem uma briga, até dos assuntos mais inúteis). A adolescência da internet, convenhamos, dura muito tempo, mais do que queríamos, e sempre sobra um ou outro que insiste em manter o desrespeito. Mesmo assim, alguns aprendem que a internet não faz parte de um universo paralelo em que você fica desligado do planeta Terra. Por trás de cada avatar, existe um ser humano que merece respeito, mesmo que você não o veja. É nessa hora que começa a maturidade e controlamos nossos impulsos em frente a tela para não cometer erros que nem pensaríamos em fazer no dia a dia.

A internet é feita por gente de carne e osso, mas tem muitos que acham que, escondidos atrás da telinha, podem fazer o quer. Não dá, assim como em qualquer ambiente, é preciso seguir as regras de boa cidadania e ética para conseguir manter sua vida online de maneira agradável e alcançar o respeito daqueles que estão do lado de fora.

(charge da The New Yorker)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Escondidos

A frase "Eles falam mal porque tem inveja", só funciona na teoria. Eu nunca vi alguém que sofresse tormentos na escola (trabalho, bairro, enfim...), mas se sentisse muito bem porque, no fundo, todos o acham muito bom.
Não, isso não acontece, na hora das gozações às vezes é difícil até encontrar um ser que queira te ajudar, muito menos um que diga que você é o máximo e importante. Nessas horas, felizes são aqueles que têm a família ao lado para em casa desabafar as dores.
O problema é que a família, geralmente, não está aonde sofremos o bullying. E aí é só com a gente... aturar os gritos, os xingamentos, acreditar no potencial que podemos ter, mesmo que os outros digam que somos um nada.
Eu ainda não entendo porque o ser humano (em particular, os jovens) teima em escolher certas pessoas para prejudicar. Odeia o fulano, então guarde para você, mas para quê chamar a atenção para aquele que você NÃO gosta? Deixe o outro vivendo a vida da maneira que ele quer, você não ganha nada tentando estragar o futuro dos outros. Talvez até perca...---------------------------------------
Aproveito para reviver uma postagem que eu fiz sobre o filme Bang, bang, você morreu que fala justamente sobre bullying. Também agradeço os comentários no texto passado: acabaram de deixar uma blogueira muito feliz :)
Eu sei que tenho comentado muito sobre filmes, mas não entendo tanto assim quanto aparento (ou pelo menos acho que aparento). Na minha lista faltam vários daqueles clássicos que todo mundo tem que ver um dia, porém estou mudando isso e esse ano espero que eu tenha muitos filmes para comentar.