terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A Menina que Roubava Livros (Markus Zusak)

A história da Segunda Guerra Mundial já foi contada de diferentes maneiras. Desde os relatos de Anne Frank até a "comemoração" dos 70 anos do início do conflito, todo mundo já deu sua opinião sobre o assunto e os comentários só aumentam. Só a protagonista deste evento que ainda não tinha falado: a Morte.
Ainda, porque A Menina que Roubava Livros acabou com esse silêncio. A Morte se propõe a contar a história de Liesel, uma menina com a qual ela já se encontrou três vezes, mas nunca para levá-la. Por um instante, a narradora decide deixar um pouco de lado seu trabalho exaustivo (com direito, infelizmente, a hora extra de 1939-1945) e relatar a adolescência da garota que, no mesmo dia em que perdeu o irmão e foi separada da mãe, roubou seu primeiro livro, O Manual do Coveiro.
Se não bastasse a Morte contando uma história, o livro também mostra um ponto de vista diferente dos demais. Se já ouvimos relatos de judeus em campos de concentração, ou biografias sobre Hitler, ou ainda depoimentos de soldados no campo de batalha, ainda não tinhamos a Guerra na visão dos alemães. Liesel é só uma menina com a sorte de ter nascido alemã. Seus amigos são crianças com sorte de terem nascido alemães. Os moradores da pequena rua Himmel discordam com o nazismo, querem destruir o Führer, precisam se esconder em porões durante os ataques das bombas e assistem a passeatas de judeus a caminho da tortura. Os meninos mais preparados precisam ir a guerra e deixar suas famílias; bairros inteiros estão sem alimento; e uma menina precisa roubar livros para fugir da realidade.
Longe de isso dizer que o autor pensa que os cidadãos alemães sofreram mais que, por exemplo, uma Olga. Os "torturados" tem sua presença em determinadas partes do livro, como na cena com a rua das casas destruídas e com estrelas amarelas. Esses flashes são quase um alerta: não esqueça do terror da Segunda Guerra. Para explicar isso, ninguém melhor que a Morte:
"Os alemães nos porões eram dignos de pena, sem dúvida, mas ao menos tinham uma chance. Aquele porão não era um banheiro. Eles não tinham sido mandados para lá para tomar um banho. Para essas pessoas, a vida ainda era alcançável."

Markus Zusak é filho de um austríaco e uma alemã e cresceu ouvindo histórias sobre o período nazista. O autor escreve em um estilo diferente, com várias interrupções no texto, desenhos envolvendo a trama e um vai e volta com direito até a spoilers no próprio livro (disfarçados, mas spoiler é a palavra certa...). No início você pensa que esse é aquele estilo que todo mundo quer tentar escrever, mas pensa que nenhum leitor vai entender. É preciso ser corajoso porque ou você cai no tipo intelectual indecifrável, ou consegue se controlar e faz um livro interessante e novo. E foi isso que o escritor conseguiu, um best seller diferente para uma história que necessita sim ser relembrada todos os anos (não importando o protagonista).

18 comentários:

Jana Barreto disse...

Bárbara, eu passei um tempão correndo atrás desse livro, doida pra ler porque o titulo me chamou muito a atenção. Até que um dia saiu na avon à um preço super bom (vintão! rs) e então comprei. Mas eu juro pra você que não consegui sair das 10 primeiras páginas, não sei o que ouve... Mas espero lê-lo, de verdade, já me recomendaram e agora com sua critica até que me animei :)
Assim que terminar O Leitor e um outro da fila, eu vou tentar ler mais uma vez. Beijos!

Jana Barreto disse...

Meodels! ouve sem 'h' foi o 'óh'... Abafa! rs

Chica disse...

uMA BELA DICA QUE AGUÇA A VONTADE DE LER!BEIJOS,CHICA

Paula disse...

Oi, Bárbara,
Muito já ouvi falar desse livro, mas sinceramente não sei se tenho estômago.
Boa resenha.
Bjos,
Paula

Clara disse...

¬¬ comentei no texto errado, abaixo.
Sorry...

Bjos! ^^

avessodoespelho disse...

cara, esse livro é lindo, apesar do assunto é PURA poesia! um dos meus livros favoritos, li em dois dias! beijos.

Bell Souza disse...

Eu te disse que o livro valia a pena! rsrs
Muuito bom mesmo. O livro não e só sobre guerra, sobre mortes, mas sobre pessoas. pessoas que não foram relatadas, que nem tiveram seus nomes escritos na história, mas foram pessoas, que sem dúvida, fizeram diferença no período em que viveram, sendo esta diferença em graça, amor, amizade, ou só em uma vontade negada [o beijo].
Tem selinho pra vc no meu blog.

=*

James Pimentel disse...

Eita nóis. Eu estou com esse livro nas mãos, li o primeiro capítulo dele e fiquei morrendo de preguiça de terminar, rs!
Mas agora, dps desse resumo interessante, vo ler ele sim.
E continuo insistindo, você tem furuto nesse ramo do jornalismo.
Beijoss ;*

Alexandre Fernandes disse...

É um livro que instiga. Muito embora tenha ouvido falar muito dele, ainda não li. Quem sabe a oportunidade apareça. Mas confesso que a primeira vista me afastei. Best-sellers são sempre um problema.

Embora esse trepassa uma realidade tão diferente, que acaba sendo interessante. Ainda não me passou pela cabeça lê-lo. Gosto de que as coisas surjam no seu devido momento. Quem sabe apareça.

Mas estou apreciando com carinho sim essa possibilidade. Ao que parece, esse livro tem muito a contar. E não aquela mesma ótica da II Guerra, mas outra. Bom.

Bonito blog aqui. Gostei.

Beijos
=)

Thayne Freitas disse...

Fiiiz minah mãe comprar esse livro e até hoje nunca liii :/

Kamilla Barcelos disse...

Já li esse livro e adorei. A história vai se desenrolando bem leve, mas aí vai intensificando, quando vê vc já está torcendo pelos personagens.

Elaine disse...

Parece um ângulo bem diferente para um história que já foi exaustivamente contada, como a Segunda Guerra.

Raquel disse...

Oi Bárbara!

Como todos mundo, eu também já ouvi falar demais desse livro, mas não lí ainda... Gostei demais da sua resenha! Você escreve muito bem!! Com certeza vou ler!
Parabéns pelo blog, viu?!!

Xêro
Raquel

Tucha disse...

As histórias sobre a grande tragédia humana que foi está guerra, merece ser contada sobre muitos pontos de vista. Para exorcisar a culpa.

Lolla disse...

como alguém consegue pegar esse livro e NÃO terminar eu não sei. é fantástico, e essa resenha foi sucinta e perfeita. aqueles spoilerzinhos me irritaram *muito* a princípio (eu pensava, "pô, morte, CALA A BOCA!") até perceber que, com ou sem spoilers, a gente já sabia mais ou menos como tudo ia acabar acontecendo. não era um spoiler, e sim um meroo desvio de ordem da narrativa.

vale muito a pena, um dos melhores que li ano passado. se você gosta de meninas adolescentes narrando seu ponto de vista sobre a guerra, recomendo o how i live now, da meg rosoff (não sei o título em português, procure pelo nome da autora). é bem mais curto, mas tb interessante.

O que elas estao lendo!? disse...

Esse livro é muito bom. Eu tb gostei demais quando o li.

OLha, estou vindo te convidar para nos dar uma entrevista sobre dica de livros. Aceita?
Vc poderá me enviar um email que te mando as perguntas.
saiajusta4@gmail.com

Abracos Georgia e Flávia editoras do blog.

suelen.18 disse...

Adorei!!!

Tmb vou deixar uma dica: o livro A Ordem é Amém que fala sobre um falso pastor que faz coisas horriveis para enganar o povo e ganhar dinheiro, mais Deus esta vendo e tem planos para a vida dele...é ótimo tenho certeza de que vcs vão gostar!!!

ele esta no site: seteseveneditora.com.br

suelen.18 disse...

Mais uma dica:


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