sábado, 27 de março de 2010

A Cidade do Sol (Khaled Hosseini)

No ano passado eu cheguei a dizer que O caçador de pipas foi um dos melhores livros que eu li em 2009. Não mudo a frase, mas nenhuma obra é completa, até porque se o autor quiser colocar tudo em um livro, nem sei quantas páginas dariam conta. Por isso que em A cidade do Sol, Khaled Hosseini se "defende" e expõe os fatos que faltaram em sua primeira publicação.
Mariam vive com a mãe em uma cidade do interior do Afeganistão. Seu pai a visita toda semana, mas não a assume como filha legítima por conta das aparências (ela é uma bastarda, como a própria mãe lhe diz). Os problemas surgem e a garota de 15 anos é entregue como esposa a Rashid, um homem de meia idade que ela nunca viu na vida.
Laila acabou de nascer enquanto Mariam já está casada. Para seu pai, o mais importante é que a filha tenha educação adequada e faça a diferença no país afegão. Laila cresce sem os irmãos que estão na guerra, mas tem o amigo Tariq como grande companheiro.
Se em O caçador de pipas a única mulher que aparece é a esposa de Amir (e, detalhe, isso lá no final do livro e sem grande mudança na trama), A cidade do Sol é centralizado na vida das duas moças. Se no primeiro temos a amizade entre dois homens, neste temos entre duas mulheres que vivem histórias diferentes e problemas, as vezes, muito maiores que os meninos. Amir e Hassan, apesar das proibições e das fugas, podiam sair de casa, vasculhar a cidade, escolher seus destinos. Laila e, principalmente, Mariam parecem presas, sem oportunidade para um romance, sem chance alguma de fugirem do padrão vigente no Afeganistão. As histórias de ambas começam em liberdade, mas aos poucos os costumes invadem suas vidas e as colocam em jaulas.
Neste livro, o autor também insere elementos da história afegã começando há cerca de 30 anos e chegando até o ataque as Torres Gêmeas. Mas o que eu achei mais incrível é que os fatos parecem ocorrer junto com os dos "caçadores": Laila poderia ser vizinha de Amir, Mariam poderia atravessar o caminho de Hassan. É o mesmo país para todos, o mesmo local com protagonistas diversos, com dilemas gigantescos. Um país com a mesma realidade e tantos problemas.
A história dos homens não é diferente da história das mulheres, embora possa parecer à primeira vista.

E seguiu tocando a vida . Porque, no fundo, sabia que era tudo que podia fazer. Viver e ter esperanças.

sábado, 20 de março de 2010

What's in MY bag

Em vários momentos da minha infância eu criei objetivos. Durante uma época, um deles foi ter uma mochila que eu levasse para todo lugar com tudo que fosse importante para mim. Não deu certo, principalmente porque, quando se é criança, você não precisa carregar muita coisa ou pensar em documentos, seus pais fazem isso por você.
Hoje eu tenho uma mochila, não para carregar aquilo que é mais especial para mim, mas por pura necessidade, e, inspirada no grupo do Flickr What's in your bag, resolvi mostrá-la para vocês:
Á esquerda vocês veem A mochila que, segundo meus pais, mostra meu lado hippie (confesso, ela tem essa cara Hair, era de Aquarius). No Ensino Médio, eu enchia minhas malas com chaveiros de todos os tamanhos, tipos e até pelúcias. Hoje eu tento moderar, mas resquícios do meu amor por coisinhas penduradas ainda permanecem, como por exemplo esses bottons (mala sem botton e/ou chaveiro, não é minha!).
E à direita vocês veem o básico da minha mochila e percebem que eu realmente não levo muita coisa (meu ombro agradece). E dá para perceber também que aquele mito de que na faculdade a gente carrega muita coisa não é essencialmente verdade (deve limitar-se a alguns cursos de biológicas).
Vamos a lista: caderno, livro (The Wonderful Wizard of Oz, L. Frank Baum), MP4, guarda-chuva (com a alça quebrada, só lembrei disso depois da foto), carteira, chaves, pen drive e meu "estojo" (sem o estojo em si, guardo o que preciso em um dos bolsos da mochila).
E a única conclusão que essa postagem pode trazer é que meus pais devem estar certos: eu devo carregar um pouco desse ar hippie no lugar do meu lado mulherzinha, porque não tem um batonzinho na minha "bolsa".

PS: Para mostrar que a postagem não foi em vão, quero ver todo mundo abrindo suas bolsas e mostrando no blog :/

sábado, 13 de março de 2010

Ganhando mais um milhão

Como eu comentei sobre o livro Sua resposta vale um bilhão, achei que seria justo falar um pouco sobre o filme Quem quer ser um milionário. O longa é bem diferente da obra literária, mas não é ruim. O roteiro optou em mudar praticamente tudo e, em minha opinião, é melhor assim do que tentar fazer algo igual ao livro, falhar e não conseguir ser nem uma boa adaptação e nem um bom filme.
Quem quer ser um milionário conta a história de Jamal, um adolescente da periferia indiana, sem estudos e que está participando do programa de televisão que dá nome ao filme. Jamal cresceu junto com Salim e sua amada Latika, o motivo dele querer aparecer na televisão (isso está no trailer, não é spoiler). Salim sente a obrigação de cuidar e sustentar o irmão mais novo, e, para tal, usa dos mais diversos artíficios mesmo que sejam desonestos. Jamal, no entanto, entra em caminhos diferentes e é a partir das perguntas do programa que acabamos voltando no tempo e descobrindo os momentos mais marcantes da vida dos três jovens.
O filme mostra uma Índia de pobreza, sujeira e corrupção, mas, ao mesmo tempo, um país que está se modernizando e passando por grandes mudanças, ainda que tenha um pé na tradição (isso aparece um pouco na conversa que Jamal tem com Salim no alto de um prédio). Os "truques" de câmera são muito bons, um dos pontos mais positivos para o filme. Eles colocam os closes em lugares inusitados e passam do passado para o presente sem o público nem perceber, como se estivéssemos na cabeça de Jamal assistindo as lembranças.
No elenco, eu gostei dos três atores que fizeram o Salim, principalmente porque era um personagem pesado e que tinha que quebrar qualquer confiança que o público tivesse na personagem (para restaurar a fé mais tarde). Confesso que me surpreendi com o Dev Patel, que faz o protagonista. Ainda não acho que ele seja um ótimo ator, mas eu sempre o via com aquela mesma cara, sem graça, e no filme ele mantem essa mesma feição, porém dá para perceber que essa é a cara e a personalidade do Jamal. As meninas que interpretaram Latika também são uns amores, demonstrando a amargura sem perder a graça.
Uma coisa que eu achei meio estranha foi aquela dancinha nos créditos ao som de Jai Ho. Parecia que fizeram um filme indiano e perceberam que não tinha nenhuma dança, então colocaram no final algo bonitinho para parecer totalmente indiano. Se ainda fosse A coreografia, mas não era; ficou simpático, porém não foi tudo aquilo. A trilha sonora, sim, é interessante e ajuda a ressaltar o fato da Índia moderna, que eu já comentei.
Eu recomendo tanto o filme quanto o livro. São obras diferentes, com poucos pontos em comum, mas que, na realidade, tratam sobre o mesmo tema: a Índia em mudança junto com Ram Mohammad Thomas/ Jamal.
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VERGONHA, passei mais de uma semana sem postar. Ainda estou voltando a me acostumar com a rotina (e já é quase Páscoa!), por isso demorei para escrever algo, desculpe. Aproveitem e percebam o meu atraso: o Oscar 2010 foi esses dias e eu estou falando do Oscar do ano passado...

quinta-feira, 4 de março de 2010

Peter Pan psicólogo

Esse semestre eu tenho aulas de Psicologia (não, eu faço Jornalismo). Eu acho interessante, principalmente porque é uma aula - como a de Ética - que me faz pensar, refletir, questionar-me até o ponto de eu entrar em desespero e não saber o que fazer da vida.
Na última aula o assunto foi consciente, inconsciente e pré-consciente. O primeiro é aquilo que a gente pensa durante o dia; o inconsciente é formado pelos "pensamentos escondidos", aquilo que é jogado para debaixo do tapete do cérebro e vai parar nos nossos sonhos. O pré-consciente é aquela memória que não tem espaço definido: sabe quando você sonha, acorda, mas dali a pouco esquece o que sonhou? Pronto, essa memória pré-consciente foi para o inconsciente. Agora, e quando você sonha e acontece alguma coisa durante o dia que te faz recordar o que se passou na noite? Aí o pré-consciente foi para o consciente.
Bom, eu cheguei a conclusão de que o pré-consciente é o estado entre o sonho e a realidade, aquele em que você está sonolento, mas já acordou. E é neste estado que, segundo J. M. Barrie em Peter Pan, você lembra da Terra do Nunca:
You know that place between sleeping and awake, that place where you can still remember dreaming? That’s where I’ll always think of you.

Você sabe esse lugar entre o dormir e o acordar, esse lugar onde você ainda pode lembrar do que sonhou? É lá que eu sempre lembrarei de você.
Não é romântico? Fiquei pensando nisso durante um tempo da aula, mas duvido que aceitem essa resposta na prova ou que, ao menos, acreditem que eu tenho 19 anos.

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Postagem rápida e sem grandes pretensões, na próxima volto com meus tradicionais textos opinativos sobre coisas que gosto (vulgo dou opinião onde não sou chamada). Aproveito para agradecer a Bell e a Tata pelos selinhos em que me indicaram. Obrigada!