quarta-feira, 28 de abril de 2010

Cálice por dentro

É horrível começar um texto com clichês, mas um mundo sem música seria muito triste. Até quem diz não prestar atenção nessa arte, sentiria falta de algumas notinhas no seu dia a dia. É o mesmo que um filme sem trilha sonora, quando a cena aparece em silêncio, isso só gera tensão; já quando a canção surge majestosa, o coração do espectador até se acalma. Sendo assim nada mais natural do que utilizar essa "arma" como instrumento para mostrar nossas vontades, desejos, medos e raivas, emoções que não mudam com o passar dos anos.
Quando se fala em música como forma de contestação, é fácil lembrar do período da ditadura ou de bandas que atuaram durante as Grandes Guerras, e em todas as épocas havia alguém querendo tirar a paciência dos outros com uma música polêmica. Até na Idade Média, o povo ficava nas ruas cantando canções pagãs e deixando os padres nervosos com seus cantos gregorianos. Durante a repressão praticada por Hitler, músicos contemporâneos foram levados para campos de concentração porque não podiam expressar a criatividade nas partituras da forma que gostariam.
Hoje o "grande debate" é que as novas caras do cenário musical não questionam, só fazem músicas nhenhenhe que falam sobre o amor. No fundo, esses são os questionamentos do momento: uma das doenças que mais mata é a depressão, o mal da década é o esfriamento das emoções, o afastamento de famílias, o ignorar o outro que é igual a você. As músicas que parecem açucaradas demais para a rebelião de tempos anteriores são aquelas que retratam a tristeza dos jovens deste tempo, essa melancolia por não atingirem um equilibrio interior eles não expressam em palavras e acabam desabafando quando ouvem uma boy band.
Não estou dizendo que qualquer banda de quintal pensa em tudo isso, até porque música ruim existe em qualquer época (e os fãs destas também sempre aparecem). Porém, entender o ambiente que os jovens crescem e vivenciam é descobrir qual será o tema do próximo single #1 na Billboard. Se hoje não temos um inimigo em comum para criticar com a música, criticamos a nós mesmos e nossos segredos.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Make it or Break it


Make it or Break it é uma série americana produzida pela ABC Family que conta a história de quatro adolescentes ginastas - Payson, Kaylie, Lauren e Emily - em busca de uma vaga na equipe olímpica de 2012. Elas não são "jovens normais", então a partir daí muitos problemas e nervosismos surgem na vida das meninas.
Assim como 10 things I hate about you, que também é da ABC Family, Make it or Break it não é uma série sensacional, como alguns dizem, mas também não é de todo mal, é simpática. Não é uma comédia, é um drama porque a vida dessas garotas é um problema atrás do outro que ás vezes até parece uma novela mexicana. E também não é porque não há piadinhas o tempo todo que é uma série pesada para ser assistida, os episódios fluem rapidamente e quando você vê já esta na metade da temporada.
Apesar de o principal assunto ser ginástica olímpica, este fica como pano de fundo na trama. Na verdade, a produção quer contar histórias de pessoas que dão a vida para alcançar um objetivo. Claro que todos os problemas decorrem, mesmo implicitamente, do fato de que as atletas fazem tudo pelo esporte, porém as melhores performances se restringem as competições e não é todo episódio que tem um grande movimento de ginástica. Aliás, eu li alguns comentários que diziam que para quem conhece o esporte as notas são muito absurdas porque os movimentos são bem fáceis; comigo, como sou leiga no assunto, qualquer saltinho que as meninas dão eu fico babando.
A primeira temporada estreou em junho de 2009 com 20 episódios e uma segunda temporada já foi anunciada. A série agradou muito o público e eu acredito que seja por tratar de um dos esportes mais querido das Olimpíadas e por ter um personagem para todos se identificarem. Cada pessoa no enredo tem defeitos e qualidades únicos, por isso fica fácil você encontrar aquele "queridinho" e isso faz com que você queira acompanhar a trajetória desta pessoa.
Make it or break it deve agradar a bastante gente, é bem leve e com vários dilemas de séries adolescentes. Eu não sei se a vida das ginastas "de verdade" é do jeito que a série conta, mas os sacrifícios e as dores devem ser as mesmas. Se mesmo assim você não gostar da produção, você ainda pode assistir por causa dos saltos, das barras, dos cavalos e aproveitar as performances enquanto não chegam os jogos Olímpicos...

(Download na comunidade do orkut)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A moda antiga

Se tiver uma coisa que eu entendo muito pouco nesse mundo é romance. Não digo aqueles que você lê e se delicia, desses eu entendo bem, mas falo dos romances da vida real. Por exemplo, a única coisa que a palavra "cantada" me lembra são aquelas pérolas que toda garota já ouviu, ou ao menos presenciou, na rua.
Porque eu duvido que você já tenha ouvido isso enquanto caminhava:
Minha querida Emma, você sempre será querida para mim, seja qual for a consequência desta nossa conversa. Minha querida, minha amada Emma... diga-me agora mesmo... diga "não" se tiver de dizê-lo...

Ou isso:
Elizabeth estava muito envergonhada para dizer uma palavra. Depois de uma curta pausa, seu companheiro acrescentou: "Você é muito generosa para zombar de mim. Se seus sentimentos ainda são o que eram em abril passado, diga-me de uma vez. Minhas afeições e meus desejos estão inalterados, mas uma palavra sua me silenciará sobre esse assunto para sempre.

Nada dessa delicadeza, com cavalheirismo, para dizer que você pode escolher o pretendente e que essa decisão não é o fim do mundo. Não, o que você escuta é um "E aí belezinha" nojento e meloso ou um "Lindona!" que dá desgosto só de lembrar.
Eu gostaria de saber o que passa na cabeça de quem "paquera" (se essas lindas frases podem ser consideradas isso) no meio da rua. Vocês têm mesmo a esperança de que vamos parar a nossa vida e virar para alguém que nunca vimos antes e dizer: "Oi tudo bem, esse é meu telefone"? Desculpe, mas minha mãe me ensinou que eu não posso falar com estranhos, muito menos passar meu contato.
Paquerar pode realmente não ser a minha área, mas eu sei que usar desses clichês mal feitos para tentar conquistar um "parceiro" é um pouco como subestimar o outro e achar que ele vai cair em qualquer lábia. Assim como realmente aceitar essas paqueras só porque acha que é horrível ficar sem namorado/a é acabar SE subestimando. Pode demorar um pouco mais, mas pelo menos paquerem com classe e sutileza.

OBS: Os trechos são de Emma e Orgulho e Preconceito, ambos escritos por Jane Austen, porque ela sabia o que nós queremos ouvir e deixou tudo registrado em seus livros, mas parece que nem todo mundo quer dar uma olhadinha para aprender mais um pouco.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Tão Ontem (Scott Westerfeld)

Eu não sei há quanto tempo eu queria ler esse livro, tanto que já até esqueci como o descobri. O caso é que eu fiquei com o nome Scott Westerfeld na minha cabeça e acabei encontrando Tão Ontem em um sebo por menos da metade do preço da livraria.
Tão Ontem é narrado por Hunter, 17 anos e Caçador de Tendências. Ele procura novas modas para serem lançadas ao grande público e esses estilos são criados pelos Inovadores, pessoas normais que se diferenciam por um detalhe único, um extra em seu visual que muitas vezes pode parecer estranho, mas, quando colocado em uma revista de tendência (indicado por um Caçador), rapidamente torna-se necessário para todos os leitores antenados. Em uma dessas buscas Hunter encontra Jen, uma Inovadora que tornará sua amiga.
O texto não tem nada de excepcional (ou Inovador, se você gostar do trocadilho) e a história, por trás de toda essa ideia bastante boa, também caiu um pouco naqueles clichês que ás vezes aparece em livros adolescentes (aquela coisa de estar de férias, longe da escola, pronto para tentar e conseguir viver altas aventuras com a galera). Mesmo assim, é difícil encontrar um teen book com um protagonista masculino e com uma companheira que é mais corajosa que ele.
Mais difícil ainda encontrar um livro com tantos conceitos de Marketing. Acabei lendo sobre técnicas de propaganda, conceitos subliminares em mensagens veiculadas na mídia e o que pode exemplificar melhor é uma frase do livro:
Apesar disso, não se pode culpar o cliente por seguir a regra número um do consumismo: nunca dê aos consumidores o que eles realmente querem. Reduza o sonho a pedaços e espalhe-os como cinzas. Distribua promessas vazias. Embale as aspirações dos consumidores e lhes venda, assegurando-se de que elas acabem se desfazendo no ar.

Sério, meu professor de Marketing ficaria orgulhoso de Scott Westerfeld. O autor, aliás, já escreveu uma série envolvendo vampiros e esse mês foi lançada uma nova coleção escrita por ele, Feios. Se a leitura for gostosa e leve como em Tão Ontem, vale a pena dar uma olhadinha nessas outras obras.
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Peço desculpas a todos os leitores do Biscoito e Bolo e confesso que ando muito relapsa com o blog. Visito todos os dias, leio e agradeço com carinho a todos os comentários, mas as postagens têm estado em falta. Essa semana pretendo colocar os textos em ordem e voltar ao ritmo normal. Aproveitando, o último post sobre aniversários ficou em terceiro lugar no pódio do Blorkutando. Obrigada!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Um dia cheio de contradições

Começou. Você coloca o cabelo atrás da orelha, um movimento discreto e típico da timidez. Aliás, você não sabe aonde colocar as mãos, não sabe para onde olhar, porque todos estão lá, olhando para VOCÊ. Não sabe se bate palmas junto ou só recebe a comemoração. O que você quer mesmo é que tudo termine para finalmente poder deliciar-se com o bolo. Todo ano chega o momento do Parabéns a você, aquela hora em que você sempre sai em fotografias bem quando você NÃO sabe qual a melhor cara para aquele evento.
Aniversários são meio contraditórios. No fundo, todo mundo quer receber os "parabéns!" daquelas pessoas que considera importante, mas não sabe o que responder além do "obrigado!" e também não é bom que a população mundial saiba que naquele dia você fica mais velho. Você recebe presentes, mas dispensa as ovadas. O ano inteiro você se prepara psicologicamente para esse dia, mas na data sempre surge uma inconveniente crise de identidade que cisma em martelar na sua cabeça: "Meu Deus, estou crescendo, o que farei da vida? O que vou mudar? E agora?" (sendo que no dia seguinte você percebe que as mudanças ocorrem lentamente com o passar do ano).
Talvez melhor do que o nosso aniversário seja o aniversário dos outros. Planejar festas surpresa, mesmo aquelas mais simples, foi uma tradição durante o meu Ensino Médio e até um pouco agora na faculdade. Idas ao supermercado, vaquinhas para preparar tudo e comprar um presente "coletivo", esconder os mínimos detalhes da vítima, preparar inúmeras câmeras para fotografar e gravar o momento que o aniversariante chega ao local, inventar as maiores desculpas para manter o segredo.
Momentos assim não têm preço como diria um cartão de crédito. Por isso, mesmo que você não curta os seus aniversários, ao menos seja bonzinho na data porque aqueles que te amam estão se divertindo muito para te homenagear. E você também vai querer se divertir no aniversário dos outros...

Foto: eu em algum aniversário por aí, porque isso é umas das poucas coisas que acontecem pela vida inteira.