terça-feira, 25 de maio de 2010

Qual é a tua obra? (Mário Sérgio Cortella)

Eu ouvi falar desse livro em 2008, quando minha professora de Ética sugeriu, mas acabei não lendo na época (mesmo com opiniões bastante positivas vindas de amigos). Esse semestre não pôde passar sem essa leitura, principalmente depois que, durante a aula de Psicologia, eu passei quase 40 minutos impressionada com uma palestra de Mário Sérgio Cortella no programa Café Filosófico.
Não se engane pelo subtítulo - Inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética - Qual é a tua obra? não é para quem quer se tornar chefe ou para quem busca uma obra de auto-ajuda. Na verdade, é sim, esse livro é para TODOS. Qualquer um deveria saber que "há coisas que quero, mas não devo. Outras que devo, mas não posso. E outras que posso, mas não quero", e saber escolher o que fazer é, finalmente, praticar a ética nesse mundo raivoso em que vivemos.
Tudo que o autor coloca na obra é o que eu queria - ou quero - para minha vida: saber escolher o melhor futuro, saber que para chegar ao alvo é preciso passar por momentos não tão bons, e, acima de tudo, saber disso sem clichês ou chavões, mas com uma linguagem deliciosa que te faz repensar o modo de viver.
Se você não está convencido a ler este livro, então eu recomendo que ao menos você assista essa entrevista do Mário Sérgio Cortella no programa do Jô Soares (fiquem calmos, ele conseguiu que até o Jô não o interrompesse) em que o autor fala sobre vários tópicos de Qual é a tua obra? Para terminar, deixo um trecho da entrevista:
A coisa que é evidente não é aprazível, isso porque o evidente é como colocar braços na Vênus de Milo ou colorizar Chaplin. É fazer coisas que acabam estragando. O evidente é desagradável, parece que se está arrumando.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Reconstruindo o teatro (parte I)

Segundo semestre de jornalismo. Surge uma disciplina chamada "Técnicas de reportagem, entrevista e pesquisa" que envolve um jornal laboratório. Logo no primeiro mês o professor exige no mínimo três pautas para a semana seguinte. Levei todas, mas só lembro de uma, aquela que eu mais gostava e que foi escolhida: a importância do Teatro Cultura Artística.
Você que não mora em São Paulo, talvez não o conheça; aliás, até você, paulistano, pode nunca ter ouvido falar deste ponto cultural. E eu passo todo sábado em frente aquele espaço com um mosaico de DiCavalcanti, estou sempre nas proximidades, a universidade nem é longe de lá, e meus colegas não tinham ouvido falar do Cultura Artística. Tudo bem se fosse só um teatro, mas eu realmente me emocionei com o dia em que liguei a televisão e vi as imagens do incêndio que destruiu toda a estrutura do espaço.
Disse ao professor que eu queria escrever sobre o teatro. Ele aceitou e completou: "Mas você consegue falar com os arquitetos, diretores, e etc?" Confesso, o medo bateu. Era a primeira matéria séria, em que eu sabia nada, além do básico, e não tinha um contato de imediato. Respondi com uma tremenda dúvida e, talvez, por isso ele tenha logo depois dito: "Então tá, você faz essa matéria".
No mesmo dia cheguei afobada em casa, tropeçando nas palavras ao explicar a história aos meus pais e, ao mesmo tempo, totalmente entusiasmada e curiosa para saber o máximo possível sobre o Cultura Artística.

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Não, eu não conversei com nenhum traficante, presidente, famoso; mas foi a primeira matéria que me deu "trabalho" e por isso estava com vontade de contar a história a vocês. Segundo semestre, ok, eu não era uma profissional (e nem o sou ainda). Quando terminar essas desventuras, coloco a matéria online para todos lerem.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O clube do filme (David Gilmour)

Quando eu resolvi adquirir O clube do filme, eu não sabia que era uma obra autobiográfica. Mesmo depois de começar a ler, eu ainda não acreditava que toda aquela história poderia mesmo ter acontecido, porque o fato de um pai permitir que o filho de 16 anos deixe a escola em troca de assistir três filmes por semana, ainda é uma atitude muito surreal para mim.
Mas aconteceu, e o livro mostra a convivência de um pai e um filho que, em idades tão diferentes, aprenderam a conhecer um ao outro e, de forma bem lenta, começaram a amadurecer. Lenta porque o livro inteiro você se pergunta em que aqueles filmes vão contribuir para a vida dos dois personagens, sendo que o ponto central da trama não é esse: não é sobre comentar filmes, diretores e atores; é sobre aqueles dois que estão a frente da tela, saboreando o melhor do cinema e aprendendo a debater e encontrar não só o que está na superfície, mas a profundidade interior deles.
É um livro bem calmo e leve e, caso você não aprecie tanto a narrativa, ainda vale a pena para qualquer um que goste um pouco de cinema, porque as descrições das cenas cinematográficas fazem você querer sair de casa, assaltar uma locadora de vídeos e passar o fim de semana assistindo um filme atrás do outro.

sábado, 8 de maio de 2010

Cliques da Maureen

Maureen Bisilliat nasceu em 1931, na Inglaterra, mas realiza seu trabalho aqui no Brasil desde 1957 e hoje é naturalizada brasileira. A fotógrafa trabalhou para a Editora Abril e suas imagens apareceram em revistas de peso como a extinta Realidade. Em 2003 suas fotografias entraram para o acervo do Instituto Moreira Salles e a coleção está em exposição no Centro Cultural Fiesp, em São Paulo.Algo interessante é que diversos ensaios fotográficos de Maureen são baseados em obras literárias. Mais uma vez comento que não adianta dizer "ah, não sei sobre o que fotografar", sempre existe assuntos e o trabalho desta artista é uma prova disso. Existem imagens da Bahia de Jorge Amado, obras com inspiração nas palavras de Guimarães Rosa e Os sertões de Euclides da Cunha.A exposição ainda conta com um dos primeiros trabalhos da fotógrafa, Pele Preta, com imagens da série Caranguejeiras, evidências da vida dos índios do Xingu e relatos fotográficos de viagens. Ou seja, tem muita coisa bonita para se olhar.Já ouvi algumas pessoas comentarem que fotografias para serem especiais precisam ser espontâneas. Ao visitar a exposição você percebe o contrário. Muitas das imagens de Maureen Bisilliat são "programadas", portanto, há pouco daquelas ao estilo Cartier-Bresson. Mesmo assim, as personagens aparecem nas fotografias com naturalidade e uma incrível sensibilidade. Muitos estão lá, olhando diretamente para você, com raiva, amor, nostalgia ou querendo perguntar algo. É uma exposição belíssima, não só pelas imagens, mas pela própria composição dos ambientes que mudam a atmosfera perfeitamente só através das cores. São imagens que falam de assuntos fortes através da leveza dos cliques desta fotógrafa.Para outros cliques é só entrar na tag fotografia. A primeira imagem é um retrato de Maureen Bisilliat feito pelo fotógrafo Juan Esteves. Maiores informações sobre a exposição aqui.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Resumindo...

Acho que todo mundo que frequenta o Biscoito e Bolo há um bom tempo percebeu que eu não tenho sido a mesma blogueira assídua de antes. Dei uma olhada nos arquivos e descobri que em Abril do ano passado eu postei 12 vezes, contra 5 (!) vezes neste ano. Para explicar a minha ausência (e compensar a falta de criatividade), escolhi os seguintes tópicos:
- A temporada de trabalhos está aberta: Se você já foi um estudante, em algum momento passou por isso. Todo início de semestre a gente fala "Não vou deixar o trabalho para a última hora". Isso até o professor passar a primeira data de entrega e você pensar "Ah, é só para o final de Maio". E cá estamos nós na primeira semana do mês correndo atrás de entrevistas e gravações...
- Socorro, eu estou presa a um livro: Estava, ainda bem! Resolvi ler Madame Bovary depois que vi a edição linda por apenas R$14,90 que a Abril lançou. Estava animada, com aquela capa de pano nas mãos, comentários ótimos vindos de todos os lados e... não gostei. A leitura é lenta, as personagens são sem graça e, apesar de ter sido polêmica na época em que foi lançada, a protagonista é chata. Podem jogar na minha cara que todos esses detalhes são parte da técnica do autor, de mostrar as conversas modernas e sem profundidade, mas eu não engoli Madame Bovary.
- Eu e as perseguições: Ok, isso não tem nada a ver com o blog, mas algo parecido já aconteceu e eu contei aqui. Semana passada eu conversei com um moço no ônibus. No dia seguinte fiz um caminho totalmente diferente (dejavu...), desci em um ponto em que nunca tinha descido e imaginei que não teria que exercer minhas obrigações sociais conversando. Dali um minuto quem aparece no ponto? Não preciso terminar a história, só digo que nos cumprimentamos cordialmente pensando que coincidência demais é estranho (e dá medo. Você, por um acaso, já assistiu Magnólia?)