terça-feira, 29 de junho de 2010

Reconstruindo o teatro (parte 2)

(parte 1)Eu li muitas notícias sobre o incêndio do Teatro Cultura Artística (TCA), comparei as versões de diferentes jornais, ouvi um podcast sobre o caso e encontrei um livro na biblioteca da faculdade que tinha todo o histórico da Sociedade de Cultura Artística (SCA). Era enorme, lindo e eu andava com ele de um lado para o outro descobrindo novos detalhes da casa.
Depois de saber sobre o assunto, elaborei a pauta, escolhi minhas fontes, enviei vários e-mails e não recebi tantos quanto esperava. Alguns perguntaram e não responderam as minhas perguntas, outros ignoraram e poucos, mas maravilhosos, me atenderam o que, para falar a verdade, me animou a continuar a matéria.
Eu não queria escrever algo ao estilo investigativo sobre como o incêndio do teatro aconteceu, até porque nem hoje há uma explicação definitiva. Então eu parti para o lado social do teatro e a importância deste para a cultura na cidade de São Paulo, ou seja, eu precisava do relato de alguém que sentisse falta e precisasse do Cultura Artística. Mas onde encontrar essa pessoa?!
Foi aí que, graças a Deus, porque minha memória nem é tão incrível assim, eu lembrei de um documentário da TV Cultura que falava sobre a Praça Roosevelt (espaço atrás do TCA) no qual entrevistaram um senhor que trabalhava há décadas em uma tabacaria nas redondezas. Investi minha coragem e encontrei a lojinha onde conversei com o doce casal Orbetelli, há 40 anos convivendo com o TCA. Os dois foram muito simpáticos, contaram histórias e curiosidades que me davam vontade de passar o dia conversando com eles, o que, pessoalmente, é a mágica da entrevista: você descobrir que todo mundo tem algo de especial e importante para contar.

Essas postagens ainda não acabaram. Na parte 3 eu falarei um pouco das campanhas feitas após o que eu escrevi e o texto pronto e publicado no jornal-laboratório.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O livreiro de Cabul (Asne Seierstad)

Asne Seierstad é uma jornalista norueguesa que, durante o seu período como correspondente de guerra no Afeganistão, morou por quatro meses com a família de Sultan Khan (nome fictício), o livreiro de Cabul que dá o título a obra. Apesar de tratar de fatos reais não é um livro-reportagem, já que a autora optou por utilizar uma narrativa literária para o texto.
A família de Sultan Khan não é pobre se comparada ao resto dos lares afegãos. Assim como os membros da casa são, em sua maioria, letrados e até as meninas tiveram educação privilegiada durante um tempo. O patriarca é bastante liberal com relação aos negócios e ao governo do Afeganistão, porém sua liderança no lar ainda é ditadora e tradicional.
Cada capítulo percorre a história de um integrante da família, desde a matriarca com medo de ser esquecida, Bibi Gul, até um dos meninos de doze anos que, quase em estado depressivo, tem de ficar "preso" em uma loja de doces em um hotel afundado na miséria. Porém, a história que mais me comoveu foi a de Leila, a garota de 19 anos que não tem sonhos, quase conseguiu viver uma história de amor, quer se tornar professora de inglês, mas que está fadada a ficar em casa, cuidando de sobrinhos birrentos e "comendo poeira", como ela mesma diz.
Se eu pudesse traçar uma linha do tempo com obras literárias sobre o Afeganistão, O caçador de pipas viria em primeiro, seguido de A cidade do Sol e por último O livreiro de Cabul que traz o retrato do país após o fim do regime talibã e com uma geração que nasceu no período da prisão pelos costumes e hoje não sabe viver de outra maneira, sendo ainda regidos, inconscientemente, pelas tradições.
Se alguém achava que as histórias de Khaled Hosseini não eram verdadeiras, agora tem a prova nessa obra detalhista de Asne Seierstad. E se você duvida que o que ela escreveu seja verídico, a comprovação está no fato da jornalista ter sido até processada pelo livreiro de Cabul, sob as ameaças de que o livro tivesse desestruturado a família Khan - coisa que não era muito difícil de acontecer.

sábado, 12 de junho de 2010

Copa?! Quando?

Esta semana minhas amigas decidiram testar meu conhecimento esportivo "invejável" perguntando se eu sabia o nome de algum jogador da seleção brasileira. Falei Kaká, porque mesmo que ele não tivesse sido convocado, foi o único nome que me veio na cabeça; mais tarde surgiu o Robinho também, mas aí eu já tinha virado motivo de uma mini-chacota. Tudo bem, eu sou especialista em assuntos que ninguém se interessa (tipo séries de tv, livros britânicos e musicais), mas pelo menos nos anos anteriores, a essa altura da Copa, eu já tinha recebido uma tabelinha para anotar os resultados dos jogos e providenciado uma bandeirinha.
Vocês já viram o Brasil mais desanimado para um campeonato do que dessa vez? É válido dizer que na terça-feira os brasileiros vão parar suas rotinas e, se o time chegar lá nas finais, o reboliço será geral, mas a impressão que eu tenho é de que Junho começou e o povo, a mídia, as propagandas, perceberam em cima da hora que tinham de investir no filão Copa.
A vida anda tão agitada e nós estamos tão conectados aos nossos problemas que não percebemos nem um dos únicos eventos em que os brasileiros têm orgulho da nação. Sem essa emoção e choradeira que acontece de quatro em quatro anos, o povo que "não desiste nunca" não saberá nem mais para quê lutar nessa terra.
Quer dizer, sabe que pode reclamar sentado e esperar a Copa para tirar uns dias de folga e, talvez, por isso que a gente se sinta tão honrado na época dos jogos: por causa do "feriado" fora de hora. E mesmo que pareça que eu sou partidária de discursos prontos - como este que acabei de escrever - eu me incluo, sim, em vários pontos dessa história.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Não leia, eu tenho vergonha...

Timidez?! Não, não tenho isso. Talvez algumas complicações nos relacionamentos, ou, por causa da minha "palidez", um problema em ficar muito fácil com o rosto vermelho. Mas timidez, acho que não.
Por exemplo, eu faço normalmente apresentações de trabalhos e projetos e falo para o público até que direitinho. Ninguém percebe que, por dentro, eu estou tremendo, ou que minhas mãos estão extremamente geladas e meu rosto muito quente de... ah, vocês sabem do quê.
Eu também não tenho problemas em conversar com os outros. Lógico, isso se eu os conhecê-los há certo tempo, tenha os encontrado várias vezes e desde que eu não tenha que puxar assunto. Porque eu acho meio complicado manter uma conversa se eu nunca vi a pessoa na vida, não tenho nada em comum ou um roteiro pré-estabelecido (por isso que entrevistas são mais "simples").
Também não tenho preocupações com fotografias, aliás, amo fotografias... quando eu estou atrás da câmera. Não digo "não!" para todos que me convidam para uma foto (já passei dessa fase), mas também não me sinto totalmente à vontade e sempre me complico na hora de elaborar um sorriso que não beire o estranho (idem para gravações em vídeo).
Telefones podem ser até uma complicação: se ser tímido é treinar antes de ligar para alguém, ir direto ao assunto e cortar todas as delongas que possam aparecer na comunicação, ou só usar esse objeto para urgências... bom, então eu sou vocês sabem o quê.
Tudo bem, talvez, só uma hipótese, eu seja um pouco tímida e, se for assim, eu então agradeço - assim como todos os outros tímidos - a essa era tecnológica que permite sair falando por aí sem que vejam a nossa cara, o que até ajuda a diminuir a nossa vergonha. Tímidos, agora podemos dominar o mundo!