segunda-feira, 21 de junho de 2010

O livreiro de Cabul (Asne Seierstad)

Asne Seierstad é uma jornalista norueguesa que, durante o seu período como correspondente de guerra no Afeganistão, morou por quatro meses com a família de Sultan Khan (nome fictício), o livreiro de Cabul que dá o título a obra. Apesar de tratar de fatos reais não é um livro-reportagem, já que a autora optou por utilizar uma narrativa literária para o texto.
A família de Sultan Khan não é pobre se comparada ao resto dos lares afegãos. Assim como os membros da casa são, em sua maioria, letrados e até as meninas tiveram educação privilegiada durante um tempo. O patriarca é bastante liberal com relação aos negócios e ao governo do Afeganistão, porém sua liderança no lar ainda é ditadora e tradicional.
Cada capítulo percorre a história de um integrante da família, desde a matriarca com medo de ser esquecida, Bibi Gul, até um dos meninos de doze anos que, quase em estado depressivo, tem de ficar "preso" em uma loja de doces em um hotel afundado na miséria. Porém, a história que mais me comoveu foi a de Leila, a garota de 19 anos que não tem sonhos, quase conseguiu viver uma história de amor, quer se tornar professora de inglês, mas que está fadada a ficar em casa, cuidando de sobrinhos birrentos e "comendo poeira", como ela mesma diz.
Se eu pudesse traçar uma linha do tempo com obras literárias sobre o Afeganistão, O caçador de pipas viria em primeiro, seguido de A cidade do Sol e por último O livreiro de Cabul que traz o retrato do país após o fim do regime talibã e com uma geração que nasceu no período da prisão pelos costumes e hoje não sabe viver de outra maneira, sendo ainda regidos, inconscientemente, pelas tradições.
Se alguém achava que as histórias de Khaled Hosseini não eram verdadeiras, agora tem a prova nessa obra detalhista de Asne Seierstad. E se você duvida que o que ela escreveu seja verídico, a comprovação está no fato da jornalista ter sido até processada pelo livreiro de Cabul, sob as ameaças de que o livro tivesse desestruturado a família Khan - coisa que não era muito difícil de acontecer.

8 comentários:

Ana Lu disse...

Ei Bárbara!
Desses 3 que você citou, li apenas o Caçador de Pipas. Aliás, li não. Devorei. Depois fui emendando uma leitura atrás da outra, e acabei não lendo cidade do sol. Mas me interessei muito por esse. Já tinha ouvido falar, mas nunca tinha lido uma sinopse ou algo do tipo. Agora estou com muuita vontade ler, haha.
Bjos!

ligadona disse...

Minha mãe tem esse livro, mas seba q eu nunca me interessei por lê-lo?
=1

Tary disse...

Já li todos esses livros e me encantei com todos. Menos O Livreiro de Cabul. Esse me deu raiva, uma raiva de tudo aquilo, sabe. Sei que é uma cultura e que devemos respeitar, mas é tanta intolerância presente nessa obra, que não consegui me desvincular das minhas opiniões. A parte da Leila foi a que mais me marcou também.Gostei bastante da resenha e do blog.
Beijo!

Chica disse...

Tua resenha ficou muito legal!Um beijo,lindo dia!chica

Yasmin Carli disse...

Confesso, não li nenhum dos três por um simples motivo, não me agrada este tipo de narrativa, li um semelhante sobre a história de uma indiana e achei deveras cansativo. É interessante sem dúvida, uma visão exclusiva do que nós só conhecemos superficialmente. Quem sabe um dia eu animo ler nem que seja um deles.

Nathy disse...

Eu li, tanto O Caçador de Pipas quanto Cidade do Sol. Mas o livreiro de Cabul ainda não.

Tucha disse...

Não li este livro, fiquei curiosa.

Elisa disse...

já li os três, são ótimos; estou fazendo um trabalho de sociologia com base neles.