segunda-feira, 26 de julho de 2010

Cliques do Evandro

Como aliar informação e arte? Essa é uma das grandes missões do fotojornalismo, não somente criar uma bela imagem, mas contar um momento histórico sem precisar de palavras. E, esse desafio, Evandro Teixeira cumpre notoriamente.
O fotógrafo nasceu na Bahia, começou na carreira em 1958, no jornal O Diário da Noite (RJ) e, em 1963, entrou no Jornal do Brasil onde está até hoje.Com tanta experiência, não é de se estranhar que suas fotos sejam tão lindas. O incrível é que, em qualquer época ou evento, seus cliques são marcantes e a qualidade é algo presente durante toda a trajetória do profissional.Ao contrário de seu glamouroso colega de profissão, Sebastião Salgado, que é conhecido até por quem não faz parte da profissão, Evandro Teixeira não tem toda essa fama, mesmo que, até sem saber, já tenhamos nos deparado com imagens feitas por ele. O artista é simples, continua com o sotaque baiano carregado e não perde a motivação na atividade que pratica há 50 anos.Suas fotografias contam a história brasileira e alguns ensaios foram transformados em livros. Em Canudos 100 anos, temos os "velhinhos" da região tão conhecida dos livros de história, mas atualmente esquecida. Em 68: Destinos. Passeata dos 100 Mil, encontramos os relatos atuais de 100 pessoas que apareceram, nitidamente, na conhecida foto de 1968.Em 2004 foi lançado o documentário Evandro Teixeira: Instantâneos da realidade, sobre a vida e obra do fotógrafo. Abaixo está um dos trechos que eu mais gosto e que conta com a participação de Chico Buarque, um dos inúmeros entrevistados. O filme foi uma singela homenagem, feita por amigos e colegas de profissão, para este grande fotojornalista brasileiro.

Todas as fotografias - com exceção do primeiro retrato - foram retiradas do site da Associação Brasileira de Imprensa. Vale a pena visitar essa pequena galeria porque todas as fotos tem um comentário do Evandro e dá para entender o momento em que a imagem foi feita.
PS: Ok, é a última, observem atentamente essa imagem do Ayrton Senna. Já viram em algum lugar? Pois é, fez história até no modo de fotografar pilotos de corrida...

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Aguenta aí...

Se tiver uma coisa que é modinha, é discutir se existem ou não as odiadas modinhas. Como eu sei que minha opinião já foi jogada ao vento diversas vezes e que muita gente vai querer discutir comigo quando eu disser que não tem problema os outros conhecerem aquilo que você gosta, não vou nem gastar meus dedos digitando um texto enorme.
Fiquem com seus gostos musicais, artísticos, televisivos desconhecidos e chorem porque sua banda favorita não vem para o Brasil, porque os DVDs da sua série perfeita não chegam aqui, ou porque você gasta horrores exportando os livros do seu escritor preferido. Melhor assim com seu gosto protegido e bem cuidado, do que com um monte de fãs falando meias-verdades - já que eles sempre sabem muito pouco sobre a sua paixão - e movimentando a indústria cultural aqui no país e trazendo milhares de brindezinhos inúteis que nós amamos e colecionamos.
Lembre-se que não vale chegar para o colega mais próximo e exclamar em alto e bom som "VOCÊ NÃO CONHECE ESSA MÚSICA?!!!!", porque não é modinha e, portanto, orgulhe-se de que ninguém conhece e você pode reinar solitariamente neste mundo cheio de egoísmo. Também não vale se sentir sozinho e reclamar dizendo "como minha vida é triste, só eu gosto disso", afinal é desse jeito que suas preferências não caiem no limbo das modinhas.
E, dessa forma, leve para a eternidade esses seus gostos tão legais que, graças aos "fãs", não conseguiram nem fazer sucesso e foram compartilhados só em uma comunidade do orkut com meia dúzia de membros que, com garra e força de vontade, lutaram contra as modinhas, mas, por outro lado, levaram a vida chegando nos outros e dizendo "você conhece?" e implorando através de emails para que empresas trouxessem produtos com a logomarca preferida deles.
No final das contas, vai lá, modinhas duram pouco e trazem alguns benefícios, por isso aguentem durante um tempo, sigam o lema "se não pode contra eles, junte-se a eles" e deixem, por exemplo, a Sabrina Sato entrevitar o Kevin McHale, vai que dessa forma Glee vira modinha e o elenco todo vem para o Brasil?!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O Dia do Curinga (Jostein Gaarder)

No final do ano passado eu li O Mundo de Sofia, obra do norueguês Jostein Gaarder, e me apaixonei pela história que toma rumos tão diferentes e estranhos, ao mesmo tempo em que faz pensar sobre o mundo através de um olhar filosófico. Fascinada como estava resolvi que leria outras obras do autor.
Este mês li O Dia do Curinga que conta a trajetória de Hans-Thomas, junto com seu pai, a procura da esposa/mãe que "tenta se entender" em Atenas. Durante a viagem o menino é presenteado por um anão e por um padeiro, recebendo uma lupa e um pequeno livro com uma história cheia de mistérios.
Desde o início eu achei este livro muito parecido com O Mundo de Sofia, o best-seller que projetou Gaarder internacionalmente. Os protagonistas estão na mesma faixa etária (Hans tem 12 anos, Sofia tem 14), ambos tem proximidade com somente um dos pais, as duas crianças encontram textos estranhos e tem um mestre de filosofia sempre por perto (no caso do menino, o próprio pai é esse tutor). Ao contrário do que eu imaginava, O Dia do Curinga foi publicado primeiro, ou seja, na verdade é Sofia que se "apropriou" de valores de Hans.
Ainda assim, este é um livro instigante, não só pelo seu lado filosófico e esse encanto que faz o leitor analisar sua existência em um universo tão grande e cheio de possibilidades, mas também pela própria história que cria - muito bem - um enredo cheio de segredos em que você aos poucos vai desfazendo os nós para, finalmente, chegar ao criativo desfecho. Esta obra enfoca a discussão sobre a existência do ser humano, as clássicas perguntas "quem sou eu? Para onde eu vou? De onde eu vim?".
Realmente espero que esses tópicos parecidos entre as duas obras seja apenas um resultado da proximidade em que foram escritas (O Mundo de Sofia logo no ano seguinte a O Dia do Curinga), pois Jostein Gaarder mostra-se, mais uma vez, maravilhoso para fazer as pessoas filosofarem e fugirem da realidade e o autor continua com seus méritos por instigar a curiosidade e o ato de pensar. E eu ainda espero encontrá-lo em Agosto, aqui na Bienal do Livro.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Macbeth: um comentário bem breve

(contem detalhes da história)
A minissérie trazia referências no nome para a última e mais curta tragédia de Shakespeare: Som e Fúria foi ao ar e cativou com a encenação de Hamlet; Macbeth, e a "vida de som e fúria", ficou com a fama de ser uma peça sobre maldade, mesmo que ao final até o vigia do teatro se convença de que não é bem assim. E não é mesmo.
O protagonista e sua esposa, Lady Macbeth, convencidos por bruxas da floresta, acreditam nas profecias de que se tornariam os comandantes da Escócia. Para tanto, utilizam dos planos mais negros para aniquilar todos que estão - ou poderão estar - impedindo o caminho ao trono.
Lady Macbeth começa seu discurso pedindo ajuda as trevas; depois arma um plano para matar o atual rei da Escócia e "finge" um desmaio quando lhe dizem do homícidio que ela mesma ajudou; no ápice, tem delírios durante a noite quando passeia sonâmbula e louca. Já Macbeth quer cometer o assassinato, mas não tem coragem; mais tarde perde o medo das mãos manchadas de sangue e mata até o próprio amigo, cujo fantasma ele vê passeando pelo castelo; no final, acreditar nas profecias incertas acaba lhe tirando a vida.
A história é cheia de maldade e traição vinda por parte do casal protagonista. Eles podem parecer como vilões, mas ambos são humanos, o que se vê pelos momentos de loucura, já que se fossem totalmente formados de maldade não teriam ressentimentos manifestados mesmo inconscientemente através de ilusões. A loucura das personagens é um sinal da humanidade deles, assim como a ganância, o poder e a fama, representadas a tragédia inteira, também fazem parte da nossa natureza. O fato é até onde ir para alcançar essas vontades. O casal Macbeth chegou a um extremo.

A peça está em cartaz no teatro do SESC Pinheiros, São Paulo, com a direção de Aderbal Freire-Filho (o mesmo que dirigiu Hamlet com o Wagner Moura). E se você não pode ver no teatro, procure essa ou qualquer outra peça de Shakespeare para leitura, todas falam do ser humano e seus melhores/piores lados. Agora, se você quer um resumo bem rápido da história, essas crianças te explicam.
Em tempo, muito obrigada pelos comentários da postagem anterior, fiquei bastante feliz com todos eles e vou responder a com muito carinho :)