quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Cliques de Archibald

Timothy Archibald é fotógrafo, retrata as emoções através de suas imagens. Seu filho, Eli, tem exatamente essa dificuldade: o garoto sofre de Transtorno do Espectro Autista, uma doença que não envolve somente o autismo, mas também Síndrome de Asperger (dificuldade de interpretar emoções e sentimentos dos outros), complicações na comunicação, para estabelecer relacionamentos e atrasos na linguagem.Archibald resolveu utilizar a fotografia como uma forma de aproximar-se do filho. O projeto Echolilia foi feito em parceria com o menino que, através de sua visão própria, inspira e dá ideias de diferentes fotografias ao pai.Alguns podem considerar invasivo utilizar a imagem do garoto autista, mas o trabalho é muito mais sobre mostrar a intimidade entre um pai e um filho. As fotografias são pessoais, próximas, passam a sensação de um silêncio que parece envolver todo relacionamento familiar. Exatamente a quietude do menino e a dificuldade do pai em entendê-lo são os elementos presentes no trabalho de Thimothy.Essas delicadas fotografias eu descobri pelo blog a pattern a day; mais do trabalho de Thimothy Archibald aqui.
E desculpas, novamente, pela demora nas postagens...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Lendo e escrevendo

Há (muitas) semanas ganhei três selos da Patrícia, do blog Complicated Imperfect. Obrigada! (lembrando que eu não vou indicar, fiquem livres para usá-los nos seus blogs). Um deles vem acompanhado de perguntas ótimas sobre o que escrevo e leio:

Qual é o seu melhor texto?
Se perguntasse qual a minha pior postagem, a lista teria muitos títulos, principalmente porque no início do Biscoito e Bolo eu ainda não havia pego o jeito do blog para escrever postagens, ou seja, os textos eram um tanto pobres.
Agora escolher o melhor é complicado porque eu sempre acho algum defeito depois de um tempo. Em geral gosto dos comentários sobre livros e filmes, das últimas postagens que fiz para o blorkutando (como por exemplo a do tema Aniversários), e da série Cliques do... (mesmo que elas tenham mais imagens do que texto). Vale uma menção honrosa ao texto Só uma peça de teatro, aham que é um estilo diferente do que costumo usar, a postagem fez um sucesso relativo e eu ainda gosto do que escrevi.

O que mais te inspira a escrever?
Não sei definir. Desde que comecei a estudar Jornalismo tento encontrar assunto para escrever sobre qualquer coisa, e isso é possível. O caso é que nem tudo faz o perfil do blog, ou da mídia em que vou publicar: tento afastar assuntos fechados na região em que moro ou que tornem o público leitor muito restrito; também elimino assuntos pessoais que fiquem sem sentido para os leitores. Isso levou um tempo para eu perceber e ainda hoje tento pensar, antes de escrever uma postagem, no que é de interesse de vocês e ainda assim faz o meu perfil.

Escrever para você é...

Transmitir para fora tudo aquilo que antes estava só na sua mente. O texto pode se tornar público, pode ser algo que você nunca disse para alguém, pode ser baseado em fatos reais ou só seus sentimentos. No final é a sua mente na forma de palavras.

Você admira algum escritor? Qual?

Jane Austen, não só por causa dos livros lindíssimos, mas também pela própria vida da autora. Também gosto de José de Alencar, Khaled Hosseini, Jostein Gaarder, Charles Dickens e muitos outros.

Indique um bom livro.

Dos últimos que li indico O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger.

Indique um blog.

Os blogs que eu indico estão ali na aba O que leio?
Mas como propaganda é tudo, novamente comento sobre o Nas tribos, o espaço que meus amigos e eu criamos para comentar sobre tribos. As postagens que escrevi por lá estão interessantes e até um tanto no estilo Biscoito e Bolo.

sábado, 2 de outubro de 2010

Bonequinha de Luxo (Truman Capote)

Quando o longa Bonequinha de Luxo estava para ser gravado, a atriz cotada para o papel de Holly era Marylin Monroe. Na época em que assisti o filme não concordava com essa escolha, mas hoje posso dizer que até entendo o porquê.
Bonequinha de Luxo é um conto de 1958 que narra, através do olhar do escritor Paul Varjak, a história da garota de programa Holly Golightly. Imagine essa personagem aparecendo no início da década de 60: a moça sai com vários homens (e mulheres, se preciso), faz dessa prática sua profissão, mora sozinha com um gato-sem-nome, não possui um relacionamento firme e se alguém quiser brigar com ela, Holly simplesmente foge pela escada de incêndio e se abriga no apartamento do vizinho. A Srta. Goligthly é o exagero da modernidade, são todas as liberdades almejadas pelas mulheres das décadas passadas nas mãos de uma única menina espevitada.
No filme, temos a meiga e magricela Audrey Hepburn no papel principal, o que faz com que seja muito estranho chamá-la de “garota de programa” (ou prostituta, o que é mais absurdo ainda). A moça encontra uma nova vida, percebe suas dificuldades e resolve compartilhar momentos, antes solitários, com alguém, Paul Varjak. Quantas meninas tem essa oportunidade? Muito poucas, já que o conto de fadas não mora no apartamento de cima para todas nós (e, as vezes, nem queremos isso).
A obra de Truman Capote, com sua linguagem cheia de detalhes, provável característica vinda dos livros reportagens, mostra a realidade de Holly. A vida não é cheia de amores e soluções, a Holly Golightly de Capote tenta ser loira e poderosa como Marylin, não se importa com o que Varjak deseja, mas procura o relacionamento que a leve a ter o sustento para o dia seguinte. Ela é, na realidade, a figura da mulher moderna tentando viver em um mundo que não lhe dá oportunidades.
Com isso não pretendo desvalorizar nem o livro e nem o filme, são obras distintas: o primeiro tentando mostrar a vida real, o segundo criando uma reviravolta. Na prática, ambos tratam da mesma garota: aquela que para na frente da Tiffany's para delirar com dias melhores.

Quero ter o meu ego bem juntinho de mim. Quero ainda ser eu mesma quando me acordar uma bela manhã para tomar meu café na Tiffany's.