sábado, 2 de outubro de 2010

Bonequinha de Luxo (Truman Capote)

Quando o longa Bonequinha de Luxo estava para ser gravado, a atriz cotada para o papel de Holly era Marylin Monroe. Na época em que assisti o filme não concordava com essa escolha, mas hoje posso dizer que até entendo o porquê.
Bonequinha de Luxo é um conto de 1958 que narra, através do olhar do escritor Paul Varjak, a história da garota de programa Holly Golightly. Imagine essa personagem aparecendo no início da década de 60: a moça sai com vários homens (e mulheres, se preciso), faz dessa prática sua profissão, mora sozinha com um gato-sem-nome, não possui um relacionamento firme e se alguém quiser brigar com ela, Holly simplesmente foge pela escada de incêndio e se abriga no apartamento do vizinho. A Srta. Goligthly é o exagero da modernidade, são todas as liberdades almejadas pelas mulheres das décadas passadas nas mãos de uma única menina espevitada.
No filme, temos a meiga e magricela Audrey Hepburn no papel principal, o que faz com que seja muito estranho chamá-la de “garota de programa” (ou prostituta, o que é mais absurdo ainda). A moça encontra uma nova vida, percebe suas dificuldades e resolve compartilhar momentos, antes solitários, com alguém, Paul Varjak. Quantas meninas tem essa oportunidade? Muito poucas, já que o conto de fadas não mora no apartamento de cima para todas nós (e, as vezes, nem queremos isso).
A obra de Truman Capote, com sua linguagem cheia de detalhes, provável característica vinda dos livros reportagens, mostra a realidade de Holly. A vida não é cheia de amores e soluções, a Holly Golightly de Capote tenta ser loira e poderosa como Marylin, não se importa com o que Varjak deseja, mas procura o relacionamento que a leve a ter o sustento para o dia seguinte. Ela é, na realidade, a figura da mulher moderna tentando viver em um mundo que não lhe dá oportunidades.
Com isso não pretendo desvalorizar nem o livro e nem o filme, são obras distintas: o primeiro tentando mostrar a vida real, o segundo criando uma reviravolta. Na prática, ambos tratam da mesma garota: aquela que para na frente da Tiffany's para delirar com dias melhores.

Quero ter o meu ego bem juntinho de mim. Quero ainda ser eu mesma quando me acordar uma bela manhã para tomar meu café na Tiffany's.

8 comentários:

Nathy disse...

Ainda não assisti esse filme. Tenho vontade de vê-lo.

Janaina Barreto disse...

Ei vi um pedacinho do filme. Até baixei por um link que você me indicou. Mas eu, avoada, formatei o HD sem salvar em outro lugar. Mas achei muito engraçada essa 'bonequinha'. Ri muito da primeira vez que ela entrou no apartamento do tal moço ;P

Natália disse...

Nunca assisti... beijo

Tucha disse...

Vi o filme há tanto tempo que não lembro bem. Mas é interessante sentir a diferenças dos costumes, o que mudou, ou o que ficou...

Ana Lu disse...

Eu comecei a ler A sangue frio, do Capote. Nunca assisti bonequinha de luxo porque quero ler o livro antes
*_*
Deve ser muito bom!
Beijos!

ligadona disse...

Não sabia que tinha livro! Adorei o filme!
=1

Patrícia N. disse...

Contudo,acho que Audrey ficou perfeita no papel!Ela deu uma ar mais 'menina' para a personagem!

Anna Vitória disse...

Minha impressão ao ler o livro foi a mesma que a sua, Bárbara. Como se o livro mostrasse a verdadeira Holly - até já escrevi sobre isso lá no blog - e o filme mostrasse ela sobre uma lente mais romantizada, talvez do modo como Paul a enxergasse. Por isso creio que a escolha de Audrey para interpretá-la foi muito acertada, creio que dificilmente conseguiríamos enxergar aquela Holly de Paul se ela fosse personificada pela Marilyn.
Beijos