sexta-feira, 12 de novembro de 2010

The Jane Austen Book Club (Karen Joy Fowler)

Esse ano eu conclui uma promessa atrasada que fiz no final de 2008: li todos os livros da Jane Austen. Fui ousada em pegar Persuasão em inglês e agora estou a espera da nova edição em português para que eu possa ler a obra com cuidado e entender todos os detalhes; porém, mesmo assim, eu li os seis filhotes da Miss Austen e antes que eu começasse a rele-los desesperadamente, resolvi prestar um tributo a escritora e não poderia ter escolhido melhor leitura para isso: The Jane Austen Book Club.
Jocelyn, dona de um canil e solteira (não que ela se importe com isso), resolve fundar um Clube de Leitura para distrair sua amiga Sylvia, que está passando por um divórcio após 25 anos de casada. Nada melhor para esse coração partido do que os livros escritos por Jane Austen e além das duas amigas, também participam Allegra, a sentimental filha de Sylvia, Bernadette, a amiga de bem com a vida de 67 anos que já experimentou os mais diversos casamentos, Prudie, a professora de francês perdida nas aulas do ensino médio, e o homem do grupo, Grigg, viciado em ficção científica que nunca leu um livro de Austen e conheceu Jocelyn por acaso.
Seis pessoas diferentes, um livro para cada uma. A escritora, Karen Joy Fowler, envolve as características das criações de Jane Austen para cada um dos seus próprios personagens. Prudie tem problemas na família como Fanny, em Mansfield Park, Jocelyn é solteirona e arruma encontros para os outros como Emma, e por aí vai. Cada personagem possui um capítulo cuja narrativa relaciona o passado pessoal deles com o presente no Clube de Leitura, até chegar ao capítulo final mostrando como a leitura das obras influenciou suas escolhas e pensamentos.
The Jane Austen Book Club é uma homenagem linda a escritora, isso tudo sem mudar a obra original (como muitos tentam fazer), mas mostrando a influencia que um bom livro tem na vida de quem o lê.Aproveitando, a obra originou um filme com o mesmo nome. No longa os personagens são mais jovens, o clube começa pela iniciativa de Bernadette com a ajuda de Jocelyn, entre outras mudanças que não atrapalham o resultado. A produção é bem simples, mas a história do filme é tão interessante quanto a do livro e duvido que alguém não se apaixone pelo Grigg.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Reparação (Ian McEwan)

Reparação é um título curto que resume essa obra de Ian McEwan perfeitamente bem. Quem nunca se viu com um problema, querendo eliminá-lo pela raiz, voltar no tempo, esquecer tudo e mudar o destino? Ás vezes não é possível, e ninguém sabe melhor dessa verdade do que a jovem Briony Tallis.
Como muitas crianças de 12 anos, Briony tem a imaginação ativa, está descobrindo o universo adulto e, quanto antes, também quer pertencer a ele. Em um momento de frustração literária, ou seja, não havia ideias para sua nova história, a garota se depara com uma cena inusitada: sua irmã Cecília mergulhando na fonte do pátio, sob o olhar de Robbie, amigo de infância e filho da empregada. Com o início preparado, Briony começa a especular histórias em cima dos acontecimentos daquela noite de verão que não seria esquecida com tanta facilidade.
Tanto em cenas de amor quanto em passagens da guerra, Ian McEwan tem uma incrível facilidade em descrever tudo com os mínimos detalhes, sem ser cansativo. Cada sensação, emoção ou pensamento é tão profundo que o personagem parece estar ao seu lado, falando diretamente com você. A narrativa passa do romance para a guerra e alia esses dois mundos através da visão dos três personagens já comentados. Cada passagem é de uma beleza incrível, cada frase tem sua importância e nada é jogado em vão, todos os detalhes são necessários na história.
Reparação é maravilhoso, como o The Economist escreveu, merece a alcunha de "obra-prima". Um livro que revela toda a culpa do ser humano em um grau máximo, onde o perdão nem sempre está próximo e a reparação não é tão simples quanto parece.