sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Julie e Julia (Julie Powell) e um pouco mais

1. O livro
Julie e Julia relata o período de um ano em que Julie Powell se propôs a cozinhar todas as receitas de Mastering the Art of French Cooking, o livro de Julia Child que apresenta a culinária francesa de maneira simples para as donas de casa americanas; os resultados dessa aventura eram apresentados no blog atualizado por Julie.
O ritmo do livro e suas características lembram muito um chick-lit, as experiências são contadas de forma divertida e o texto é delicioso, literalmente, porque você termina de ler com vontade de cozinhar todos os pratos só para descobrir qual é o sabor que eles possuem.

2. O blog
Se você é blogueiro (o que provavelmente seja), Julie e Julia é um livro com a sua cara. A autora mostra todas aquelas coisas que parecem meio bobas, mas que você adora quando acontecem no seu blog: uma postagem de repente cheia de comentários, os leitores (bleaders, como Julie chama) que não desistem do seu cantinho e cobram por atualizações, as opiniões contrárias ou ao favor ao seu texto. Cada um desses detalhes só um blogueiro consegue entender e perceber porque, apesar das agendas complicadas e das crises de criatividade, continuamos a manter um blog, e a autora expõe essas histórias que vieram direto da blogosfera.

Para não dizer que só eu sinto esse amor por um blog, conversei com duas colegas que falaram um pouco sobre suas experiências nesses antigamente chamados “diários virtuais”. A primeira é a Julianna Steffens do blog Lost in Chick-lit, um dos primeiros a tratar sobre esse tipo de literatura e meio pelo qual ela fez várias amizades:
O Lost me propiciou muitas coisas boas até hoje, e a maior e melhor delas com certeza são as amizades. Amigos são pessoas que você se importa, pela o qual se identifica e conversa sobre as coisas que gostam e tem em comum, então encontrar pessoas tão "piradas" por livros, com o qual posso ficar falando horas sobre os mínimos detalhes de alguma leitura é mais do que perfeito. E isso é apenas o inicio do vinculo, não dá nem pra comentar sobre os outros milhares de detalhes maravilhosos.
A segunda blogueira é a Paula Gondim do blog Canetas Coloridas e criadora dos projetos Diário Viajante e 12 livros em 12 meses, sobre os quais ela comenta abaixo:
Eu adoro mexer com coisas que envolvam criatividade, tenho meu próprio jeito de fazer scrapbooks (que não é bem aquele formato tradicional americano), adoro cartas, viagens, e de certa forma o Diário Viajante é uma mistura de tudo isso. Achei que seria bacana um mesmo caderno circular por diversas cidades por todo o Brasil e até por outros países, onde cada pessoa pudesse deixar sua marca do seu próprio jeito. O Diário acaba unindo os blogueiros, pois cada um que folheia o caderno pode ler os registros dos outros participantes.
A idéia do projeto 12 livros em 12 meses surgiu por causa de uma outra paixão minha que são os livros. Como eu sei que muita gente não tem o hábito da leitura, achei que seria uma forma de incentivar, para que no final de um ano o participante tivesse lido ao menos 12 livros. O maior problema que eu tive com esse projeto foi a falta de comprometimento das pessoas. Tive inúmeras inscrições, mas a grande maioria desistiu no meio do caminho.

3. O projeto
Como a Paulinha comentou, manter um projeto não é simples e depende não só de uma dose de persistência e comprometimento, como também de fatores externos como tempo e disponibilidade. Apesar de tudo, concluir um plano (ou um ano, como acontece hoje) sabendo que você alcançou um objetivo gera, no mínimo, uma pontinha de orgulho e satisfação.
A vida de Julie no início do livro não tinha nenhum alvo ou ambição, ela simplesmente continuava em seu trabalho e voltava para casa com o marido. Foi a partir do projeto que ela começou a encontrar uma razão a mais para voltar para casa: cozinhar. E desistir das 524 receitas, mesmo quando a cozinha estava um caos de sujeira, não era uma perspectiva, pois leitores a esperavam no blog e ela precisava provar a si mesma e aos outros que podia terminar o projeto em um ano. Conseguiu, publicou um livro, continuou bem com o marido e saiu do emprego chato.
Não sou adepta de promessas de ano novo porque dificilmente consigo cumpri-las, mas sempre temos algumas metas ou sonhos que queremos alcançar. São esses alvos que muitas vezes nos estimulam e por mais difíceis que possam parecer, no final é sempre uma alegria saber que eu ou você, pessoas normais, conseguimos terminar aquilo que parecia tão complicado no início. Para 2011, acho que minha mensagem hoje é mantenha seus objetivos e tenha projetos, mesmo que eles sejam estranhos como cozinhar comida francesa durante um ano, no desfecho você sempre aprende alguma coisa, percebe que o final pode ser feliz e descobre que não é tão difícil desossar um pato (essa é para a Julie Powell).

Era fácil continuar com nossos empregos abominavelmente maçantes, pelo menos isso nos poupava de fazer escolhas. Mas por quanto tempo eu conseguiria suportar uma vida assim tão fácil? Areia movediça era fácil. Caramba, morrer era fácil. (...) Talvez eu precisasse fazer como uma batata, separar o joio do meu trigo, tornar-me parte de algo que não fosse fácil, apenas simples.
Feliz 2011!

5 comentários:

Ana Lu disse...

É isso aí, Bárbara! E que no fim das contas, mantenhamos o nosso principal projeto: Ser feliz!
Feliz 2011!
Beijos

Patrícia N. disse...

Lindo post,me interessei de verdade!Feliz 2011!

Nathy disse...

Legal! Boa dica. Ainda não conhecia o livro.

Beijos, beijos!

Feliz 2011 pra vc!

Tucha disse...

Amei o post. Não li o livro, vi o filme e gostei. Concordo com vc os projetos nos mobilizam, nos desafiam e nos animam a viver a vida.
Parabens por ter ido até o fim no 12 livros em 12 meses, no final ficamos apenas 3.

Patrícia N. disse...

Selos para ti lá no blog *-*