sábado, 3 de setembro de 2011

The Yard

 
The Yard é uma inteligentíssima minisérie produzida pela HBO Canadá que coloca os maiores problemas do mundo moderno dentro do pátio de uma escola onde as crianças precisam solucionar dilemas de “gente grande”, como contrabando e luta por territórios, adaptados as suas realidades.
Não é uma série que trata as crianças como adultos, colocando os problemas reais para eles solucionarem; tão pouco é uma série infantil para discutir os dilemas mais cabeludos com os pequenos. The Yard muda o ambiente do problema, mas ele ainda é o mesmo e é por causa dessas analogias que esses seis episódios de 30 minutos são tão geniais.
O pátio em questão é administrado por Nick, líder por natureza e que busca o bem estar de todas as crianças. Ele conta com a ajuda de Johnny (seu melhor amigo que se acha mágico e é apaixonado por todas as meninas), Suzi (aquela que cuida dos problemas que não podem ser resolvidos através da conversa) e seus irmãos mais novos J.J. (o cérebro da equipe) e Adam (mascote). A pedra no sapato de Nick é Frankie que, com a ajuda dos irmãos Costela e Mickey, só quer ganhar dinheiro e participa dos negócios mais obscuros do parque, esperando a oportunidade em que poderá conquistar a liderança.

A partir desta premissa simples é que a diversão começa. Os episódios levam o título do assunto, por exemplo, The Economy (1x01) discute a lei de oferta e procura, a bolsa de valores e até a inflação; Girls vs. Boys (1x02) propõe um debate sobre os papeis femininos e masculinos; The Territories (1x03) é um episódio incrível discutindo a luta por territórios e faz referência principalmente ao conflito Israel e Palestina, mostrando que brigas assim podem não ter fim; The Catcher (1x04) debate sobre o contrabando de drogas (no caso, sanduíches de amendoim); The Great Compromise (1x05) questiona as empresas estatais e privatizadas e seus objetivos, colocando, de quebra, questões sobre impostos para a saúde, por exemplo; o último episódio, Big Business (1x06) abrange o tema livre mercado, agências reguladoras e até problemas ambientais provocados por grandes empresas.
São assuntos complicados, mas com certeza você irá entendê-los depois de assistir The Yard, afinal, essa é a série em que crianças do primário são mais inteligentes, afiadas e irônicas do que você. São somente três horas aproveitadas com esses episódios curtinhos e depois você não vai mais achar que as crianças saem para o recreio só para brincar.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

BlogDay 2011

Championship Vinyl (Rob Gordon): eu lembro de ter descoberto o Championship, coincidentemente, através do #blogday do ano passado com a postagem da Anna Victória. O Championship tem textos envolvendo a missão mais básica de um blog: ser seu diário, contar sobre a sua semana; Rob Gordon transforma o "cotidiano" - que nem sempre é tão rotineiro assim - em uma obra épica. Os textos são envolventes e muito bem escritos (tanto que já renderam dois livros) e é impossível chegar e não ler mais de uma postagem.

A biblioteca de Raquel (Raquel Cozer): se você gosta de livros esse é um paraíso em forma de blog. Raquel é jornalista do Sabático, caderno especializado em literatura do jornal Estadão, e divulga várias notícias interessantes sobre o mundo literário e o mercado editorial na Biblioteca. Também vale a pena segui-la no twitter para acompanhar a cobertura de alguns eventos literários e aproveitar os GIFs do dia.

[manual prático de bons modos em livrarias] (hillé): outro paraíso, desta vez mais cômico, para aqueles que amam as livrarias. O manual prático traz as desventuras de uma livreira que precisa aguentar aqueles "apaixonados" por literatura que soltam as pérolas: "- oi, tem o livro 'os homens que não amavam as mulheres super poderosas'? " ou "- oi, eu queria aquele livro lá, 'quando freud entristeceu'." Gaste uma hora por dia lendo esses causos e seja uma pessoa mais feliz.

A series of serendipity (Melina de Souza): primeiro foram as fotos do FlickR, que já eram fofuras o bastante para um ano inteiro, mas aí surgiu o blog com alguns dos textos mais meigos de toda a blogosgera. A Melina divide suas fotografias com tons pastéis, suas dicas de moda, artesanato e culinária e toda sua doçura através desse espaço que vem cheio de ideias criativas para deixar seu dia também mais apaixonante.

Terapia HQ (Rob Gordon, Marina Kurcis, Mario Cau): ok, não é um blog, é uma webcomic, mas é tão boa que merece a divulgação. Escrita pelo Rob Gordon (o mesmo do Championship) e pela Marina Kurcis, a HQ invade uma sessão de terapia e mostra os diálogos entre o psicólogo e seu "paciente" cuja única esperança na vida se encontra no blues. Os desenhos são de Mario Cau que arrebenta não só nos traços como nas mensagens que insere nos quadrinhos e que complementam a trama.

MENÇÃO HONROSA: Vida em Crônicas (Vagner de Alencar): um blogueiro que eu tenho a honra de conhecer e conviver. Vagner conta suas histórias desde a infância na Bahia até as conversas recentes roubadas de outras vidas que circulam o transporte público. Os textos são leves, porém com um jeito jornalístico que mostra que o baiano escolheu a carreira certa.

(ok, eu sei que o #blogday foi ontem, mas queria participar da brincadeira mesmo assim)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Efeitos colaterais do sono

(Teste realizado no dia 03 de Agosto)

TESTE 1: Chegar no horário (7h30) na faculdade

Obstáculos: Primeiro dia de aula do último ano

A cobaia, também conhecida como Bárbara, sai de casa faltando cinco minutos para as 7h e espera para tomar o ônibus. O primeiro que passa está muito lotado, então ela olha no relógio: “São 7h10, posso esperar um ônibus mais vazio”.

Ela precisa chegar às 7h30 na faculdade.

A cobaia se prepara para subir no ônibus e olha novamente para o horário: “São 7h20, ainda faltam 40 minutos para a aula, tenho tempo”. A cobaia cogita até mudar o horário do ônibus, já que ela não se lembra porque saia de casa tão cedo.

Relembrando, ela precisa chegar às 7h30 na faculdade.

A cobaia está sentada no ônibus e olha o relógio pela última vez naquele período. São 7h40.
A cobaia acorda para o engano: “EU ENTRO ÁS 7H30 NA FACULDADE, NÃO ÁS 8H! O QUE EU ESTOU FAZENDO?!” É tarde demais para saltar do ônibus e sair correndo em direção a faculdade.

CONCLUSÕES: o sono pode fazer com que você confunda o seu horário de entrada da faculdade mesmo que ele seja o mesmo há três anos. Não se preocupe, ainda tem um ano para você chegar ás 7h30, mas vai continuar com sono.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Aplausos para "Orgulho e Preconceito"


Quando estava para entrar na plateia do Teatro Cultura Inglesa, em São Paulo, para assistir Orgulho e Preconceito, cogitei o quanto emocionada ficaria quando a peça começasse. Não imaginava que assim que o casal Bennet entrasse conversando sobre o futuro de suas cinco filhas eu teria uma lágrima escondida no canto do olho. Lágrima não de tristeza, mas de pura emoção por ver a história de Elizabeth e Darcy se desenvolvendo ali na minha frente.

Produção do grupo Fora de Foco, Orgulho e Preconceito traduz o universo desse clássico da Jane Austen com delicadeza e humor, atraindo tanto as já aficionadas fãs da obra como aqueles que a desconhecem. O elenco é, em sua maioria, bastante jovem e amadurecendo na carreira e trazem com perfeição os personagens, interpretando-os como sempre os imaginamos.

É perceptível que a peça não se prendeu somente ao livro, mas visitou outras adaptações de Orgulho e Preconceito. Desde os figurinos – lindíssimos! – até a trilha sonora trazem elementos tanto da série da BBC de 1995 quanto do filme de 2005, pontos que traduzem o esforço com que eles pesquisaram e procuraram referências para a produção. Também não esperava ver os bailes sendo tão lindamente coreografados ali no palco.



O texto modifica na medida certa aqueles diálogos que poderiam causar dificuldade de entendimento durante a peça. Achei ótimo terem mantido referências à época e aos costumes (como a hierarquia, as restrições a certos direitos as mulheres, etc.) e não dar destaque só ao romance, afinal, Jane Austen oferece muito mais que somente uma história de amor.

Infelizmente, Orgulho e Preconceito encerrou sua temporada no último fim de semana. Torço para que eles retornem para São Paulo ou outras cidades do país. Eu assistiria novamente e tenho certeza que não faltam Janeites para apreciar esse espetáculo.
(Maiores informações e fotos no Jane Austen em Português)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Acontecimentos geniais da semana

Entro no ônibus.
Tudo normal.
Pego o cartão para passar a catraca.
Uma mulher tira uma cabeça da bolsa.










Sim, uma mulher tira uma cabeça da bolsa.










Quando eu olhei de relance, levei um susto. Repito: Uma mulher tirou uma cabeça da bolsa. No ônibus. O senhor ao lado dela nem ligou e eu lá, chocada, porque a mulher tirou uma cabeça da bolsa. Lógico que ela começou a fazer uma trança no cabelo da cabeça, mas não deixa de ser estranho (ou eu que sou muito conservadora e tirar cabeças da bolsa hoje em dia é normal?)

Se alguém que lê esse blog já fez curso de cabeleireiro me explique: vocês precisam levar suas próprias cabeças para a aula? Vocês entenderam: não as SUAS cabeças, mas uma cabeça solta, dessas que guarda na bolsa e tira dentro do ônibus para fazer tranças.
Espero as respostas.

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Pergunta da semana: o que faz um velhinho sair de casa para pilotar uma moto usando a camiseta com o símbolo do Lanterna Verde?

Essa inquietação não me deixa desde que presenciei essa cena na rua. Também espero respostas convenientes a questão.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Só fica mais difícil

Há dois anos eu participei da blogagem coletiva Solta o Som promovida pelo Fio de Ariadne. Meu gosto musical era o mais estranho possível e, confesso, a mistura só aumentou. Várias músicas daquela época já saíram dos meus favoritos, outras continuam em doses menores e várias entraram depois.
Com a internet eu passei a baixar diferentes álbuns, procurar por novas versões de uma mesma música e, com certeza, a tendência dessa lista é só crescer cada vez mais. Para fazer parte novamente dessa blogagem, selecionei algumas faixas que tem repetido no meu MP4 (o mesmo de dois anos atrás) e que expressam mais estilos do que cantores/músicas específicas. Provavelmente a lista já estará bem diferente daqui algumas semanas:

Adele (Rolling in the Deep)


Sara Bareilles (Gonna Get Over You)


Mel Tormé (Comin' home)


G. Ph. Telemann (Suite em la menor)


E deixei por último a música que entra nas lista das mais lindas de todos os tempos, na minha opinião:
Rachmaninoff - Concerto nº2 para Piano, 1º movimento
(desligue tudo e ouça com atenção)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Já fiz isso algumas vezes, mas nunca tão extremo. Já pedi várias desculpas, mas sei que isso não muda as consequências. Já tentei escrever várias vezes, mas não estava funcionando. Estou falando desse blog e desse hiatus não comunicado de dois meses.
Mais uma vez peço desculpas por ter deixado de escrever por aqui, é um desrespeito com vocês que acompanham o Biscoito & Bolo e sei que no meio do caminho perdi vários leitores por causa disso. Não os culpo porque eu também sou blogueira e leitora de blogs e já desisti de outros espaços por não terem uma freqüência com as postagens.
Estou mudando as maneiras de postar, o planejamento e espero não deixar o blog vazio por tanto tempo. Se você aguentou com paciência, eu agradeço e peço que continue a acompanhar meus textos, começando pela nova postagem abaixo. Obrigada!

Direitos tecnológicos

Resolvi tomar vergonha na cara e imprimir algumas fotos que estavam armazenadas no computador. Fui direto para uma daquelas máquinas que entregam a imagem na hora, uma funcionária quis agilizar o trabalho e sugeriu ajuda. Nisso nem olhei as imagens antes de imprimir, e, enquanto esperava, um senhor ao meu lado me chamava para uma conversa.

- Você está imprimindo fotos?

Colocando esse diálogo por escrito eu penso em várias respostas sarcásticas, mas isso seria uma grosseria na vida real e portanto expliquei para o senhor que, sim, estava imprimindo fotos.

- Puxa, você tirou com a câmera digital? E trouxe como?

- Passei as imagens da câmera para esse pen drive e imprimi. – eu sou paciente com velhinhos que tem interesse em aprender.

O senhor ficou tão impressionado que até chamou a colega ao seu lado para contar a novidade. A mulher nos ignorou e estava mais interessada em duvidar da honestidade do funcionário acusando-o de ter feito menos calendários do que ela havia pedido.

- O que é a tecnologia, não?! – continuou o homem – Daqui um tempo não vamos precisar nem de funcionários, serão só robôs nos atendendo. E vai ser mais fácil: se eles falarem “não vou fazer isso”, você diz “Ah é, então EU VOU TE DESLIGAR” e o robô vira e “não, não, espera um pouco, eu ajudo”. Hahahahaha.

Imaginei uma sociedade cheia de robôs assustados já que eles podem ser desligados a qualquer momento (e re-ligados no instante seguinte). Isso poderia ser tratado como crime, desligar um robô seria um atentado a vida da máquina, delitos assim seriam destinados a cadeira elétrica, já que o simples robô está lá simplesmente para cumprir sua função: “Isto fica feliz em ser útil”, eles responderiam assim como em O Homem Bicentenário. Isaac Asimov seria principal literatura no curso de Direito Robótico.

O senhor foi convocado por sua colega dos calendários e eu dei uma olhada nas fotos impressas. Por causa da pressa da atendente em imprimir as imagens, sem deixar eu dar uma olhada no enquadramento, a cabeça de um dos meus amigos foi cortada para fora da fotografia. Tenho certeza que um robô não cometeria esse erro, ou eu ameaçaria desligá-lo.

sábado, 14 de maio de 2011

Programas de culinária feitos para você

Não existe nada melhor para uma hora de descanso do que sair zapeando pelos canais da TV a cabo. São nesses momentos que você descobre os programas mais esdrúxulos nos canais mais – aparentemente – inúteis.
De uns tempos para cá, minha nova mania tem sido descobrir novos programas e realities de culinária. Se você espera algo, do que eu vou chamar Palmirinha-style, com uma câmera filmando a cozinheira-vovó atrás da bancada e um boneco para interagir durante a receita, desista. Os estrangeiros se acham superiores a esses programas de culinária feitos para donas de casa que gostam de cozinhar: agora a moda é programas de culinária para pessoas que provavelmente não gostam de cozinhar e não vão seguir nenhuma das receitas “ensinadas” pela televisão.

Esses programas de culinária moderna repudiam a anterior geração Palmirinha-style: os apresentadores são bonitos, passam a impressão de estarem na melhor época de suas vidas enquanto cozinham. Nada de câmeras paradas, o jeito é exagerar nas cores e na luz e mostrar os ingredientes desfocados fazendo com que, mesmo que você quisesse acompanhar a receita, você não conseguisse descobrir qual é o alimento. Os cozinheiros não precisam de fantoches, já que conversam com a câmera e interagem com o telespectador de um jeito que Machado se orgulharia. Você entra dentro da casa dos apresentadores e em suas cozinhas que geralmente são ao lado de belos jardins com mesas propositalmente arrumadas para a degustação posterior. E, por último, cozinhar sempre é muito fácil para eles.


Assim, de memória, consigo lembrar de três programas dessa categoria. O primeiro é The Delicious Miss Dahl onde as receitas variam de acordo com o humor da cozinheira (que já foi modelo internacional), ou seja, ela cria pratos para quando você está alegre, bravo ou triste – como se nas horas de depressão a gente quisesse cozinhar; o melhor mesmo é se jogar na pizza, chocolate e sorvete.
O segundo é o programa da Nigella onde, aí sim, sempre cozinhar é muito fácil. Você consegue, em uma única noite, fazer uma ceia de Natal, colocar as crianças na cama, tomar um vinho e ainda conversar com os amigos, porque, novamente, cozinhar é muito prático (não me perguntem quem fica responsável por lavar a louça).
O último é programa do chef Jamie Oliver, para o qual congelados, semi-prontos e miojos devem ser banidos da face de qualquer casa sobre a Terra. Esse é o mais interessante porque ele é praticamente o stand up dos programas de culinária: alguns episódios são gravados em teatros e com a interação do público onde ele não somente faz massa de macarrão em dois minutos como também canta e toca bateria. Ao final, a gente só lembra das piadas e acaba ignorando as receitas saudáveis.

Eu não acredito que o público alvo desses programas sejam as donas de casa interessadas por culinária – essas assistem Palmirinha-style. Os programas de culinária modernos parecem ter sido elaborados por pessoas que acreditam que jovens solteiros, recém-casados ou famílias queiram gastar um bom tempo cozinhando de forma saudável e recompensadora.

Não funcionou comigo.

Sabe qual é meu programa de culinária preferido? Man VS Food.



O programa é simplesmente sobre um cara que percorre os Estados Unidos a procura dos melhores lanches gordurosos ao estilo fast food e, ao final de cada episódio, trava uma guerra contra a comida tentando saborear porções gigantescas oferecidas pelos restaurantes, indo desde torres de panqueca a pizzas tamanho família.

Isso sim é um programa de culinária para deixar qualquer gordinho tenso mais feliz.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

TOP 3 (por enquanto) do transporte público

Eu moro em São Paulo. São Paulo é uma metrópole. Como toda boa metrópole aqui tem muita gente: muita gente que vai trabalhar, muita gente que sai no mesmo horário, muita gente que utiliza o transporte público. Por isso mesmo, nem tudo é perfeito e algumas vezes você passa por situações que só aumentam os problemas. No ônibus/metro/trem lotado, aí vai um TOP 3 – que pode aumentar - de coisas que você definitivamente NÃO precisa fazer:

1. Reclamar do transporte lotado: Todo mundo sabe que a partir das 8h e das 17h o ônibus estará CHEIO. Se você não pode fugir desse fato (por exemplo acordar mais cedo, ou esperar para voltar para casa, ou criar rotas alternativas – sou especialista em fugir de multidões) o que dá é se resignar a manter a dignidade mesmo que alguém esteja se acotovelando com você. Se a situação já é ruim, não é preciso piorar o cenário, ou seja, não precisa ficar bufando e lembrando “nossa, como é terrível tomar ônibus lotado” ou a clássica “o governo deveria por mais ônibus nas ruas” (lembrando que mais ônibus vazios nas ruas significa mais trânsito e poluição, just saying). Tente ficar quietinho e pensar em campos verdes com ovelhinhas, de repente dá certo e teremos um transporte público lotado mais feliz.

2. Fazer reclamações pelo celular e para todo o ônibus: O celular trouxe vários benefícios, ok. Mas entre as muitas coisas desagradáveis está o fato de poder telefonar para qualquer um em qualquer lugar para falar sobre qualquer assunto, incluindo aquela reclamação para a sua empresa de internet que não passou de manhã na sua casa e que agora nem precisa aparecer mais. Brigas de família e reclamações podem ser feitas em casa ou no escritório onde você não exibirá seu poder de argumentação para o mundo. (Eu dou um desconto para boas histórias ou “causos”, elas podem gerar posts para o blog).

3. USE FONES DE OUVIDO: Talvez esse seja o objetivo inconsciente desse texto, isso porque já escrevi duas postagens sobre o mesmo assunto. CUSTA MUITO COMPRAR UM FONE DE OUVIDO? Eu até aprecio a sua boa vontade em querer compartilhar seu gosto musical com os demais passageiros, porém, sinto muito, sua seleção de melhores do ano definitivamente não é mesma que a minha. Por isso, meus sinceros agradecimentos e pode ficar com suas músicas para os seus ouvidos, sem precisar prejudicar os meus. Se mesmo assim o barulho continuar, existe uma lei que me protege da obrigação de ouvir música ruim e posso usá-la contra você (E preparem-se, estou pensando na possibilidade de usar a mesma lei contra pessoas que reclamam no ônibus ou que gritam no celular).

domingo, 10 de abril de 2011

Meus livros: versão animada

Uma ideia que me leve a gravar um vídeo só pode ser uma grande ideia. Não sei se me empolguei por ter visto um monte de blogueiras fazendo isso (vi primeiro no So-Contagious, mas a Tary que lançou o meme), mas eu senti uma vontade enorme de mostrar a minha prateleira de livros.
Não cabe tudo na prateleira, até porque ela não agüentaria o peso e eu durmo embaixo disso tudo e não quero correr o risco de acordar com livros na cara. Por isso, as obras mais pesadas ou da infância não ficam aí e aquelas leituras que eu não gosto (Iracema, Cidade e as Serras e Madame Bovary estou falando com vocês) são destinadas ao cárcere conhecido como “gaveta do guarda-roupa”.
No mais, minha voz faz parecer que eu estou com gripe (mesmo não estando), eu falei a palavra “muito” mais de dez vezes, cometi todos os clichês de vídeos para internet e eu não cuido das minhas unhas, então não tem nenhum esmalte bonitinho nesse video. Várias dessas obras eu já comentei por aqui, se houver interesse é só usar a "busca" ou perguntar nos comentários.



Sim, eu tenho sido uma blogueira relapsa. Mas eu fiz um vídeo com a MINHA VOZ mostrando a MINHA PRATELEIRA, espero que isso instigue o perdão em vocês. E enquanto a faculdade vai absorvendo toda minha capacidade de escrever algo com um teor mais profundo, eu fico aqui fazendo vídeos e escrevendo postagens sobre coleções.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Simples, divertido e lindo

Seus lindos

Cantando na Chuva se passa em 1927, o início da decadência do cinema mudo. Don Lockwood (Gene Kelly) é famoso por seus papeis românticos com Lina Lamont (Jean Hagen), mas quando o filme em que eles estão atuando necessita de diálogos o maior problema é a voz terrível da atriz. Don conta com a ajuda de seu amigo e compositor Cosmo Brown (Donald O’Connor) e da atriz de teatro Kathy Selden (Debbie Reynolds) para salvar a produção e transformá-la em um musical, mesmo que para isso eles tenham que dublar a voz de Lina.
O roteiro é bastante simples com diálogos curtos feitos para sustentar a narrativa e as músicas. No entanto, por baixo desta simplicidade, vemos uma homenagem ao cinema, que é o assunto principal do longa, indo do período do cinema mudo à era de ouro da indústria americana, e isso que traz a beleza de Cantando na Chuva. Até mesmo a produção dos números musicais se restringe a utilizar elementos do espaço em que esta se desenrola e, assim, galpões, casas ou ruas se transformam em cenários para as danças (com exceção a Broadway Melody B allet) sem exagerar com efeitos ou acessórios, mantendo o foco nas coreografias e no ambiente.

Os personagens também não fogem das figuras típicas em qualquer produção, mas estes ganham notoriedade graças às atuações confiantes do elenco: Gene Kelly é o galã que conquista no papel de bom moço; Debbie Reynolds é o par romântico, uma cativante doce atriz com opiniões firmes, e consegue acompanhar os dois protagonistas dançarinos sem perder sua importância; Donald O’Connor é o incrível suporte cômico para todo o elenco. Até os coadjuvantes não passam despercebidos com destaque para a insuportável, mas necessária, Lina Lamont, personagem que rendeu a indicação ao Oscar de Atriz Coadjuvante para Jean Hagen.
Cantando na Chuva é um filme simples e que, além de prestar um tributo à sétima arte, só ambiciona divertir o público através de seus números musicais bem montados e com coreografias e canções marcantes. É um filme feito para deixar qualquer um feliz (e é lindo demais).

(Aparentemente o Youtube não permite a incorporação dos videos de Cantando na Chuva. Não tem problema: joguem Singin' in the rain na busca e assistam mais do que a cena conhecida da dança na rua. Vejam, por exemplo, Make 'em laugh, Good Morning e Moses supposes. Viu, nem precisa fazer a busca.)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Só as crianças entendem III

Proponho um desenho para as crianças e vou buscar os lápis de cor. Encontro um pote cheio deles sem pontas. Insisto que as crianças tentem desenhar mesmo assim, enquanto saio à caça de um apontador. Na minha interminável busca, uma menina solta a bomba pela qual eu não esperava:

- Professora, não dá para desenhar! Todos esses lápis estão desapontados!

E aí que eu percebi que não deveria procurar um apontador: tudo que os lápis precisavam era de muito amor e carinho para passar aquela tristeza.

(Só as crianças entendem I e II)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Enquanto houver espaço...

ATENÇÃO: preparem-se para uma postagem cheia de fotos, totalmente pessoal e sem aparente utilidade pública. Isso é um blog e ás vezes dá vontade de fazer essas coisas.

Essa semana eu estava no ônibus e vi um homem segurando dois livros, lendo um deles. Estava em pé ao seu lado, junto com a minha irmã, até que ele se virou e disse: "Vocês querem esse livro?" Em um impulso - consequência das exortações dadas pela família durante a infância para não aceitar nada de estranhos - minha irmã respondeu que não precisava. Ele ofereceu a mim e eu também recusei. A história foi então explicada pelo senhor: "Eu tenho uns 500 livros em casa, como não quero jogá-los fora, toda vez que eu saio na rua levo uns três ou quatro e saio oferecendo para as pessoas."

Um dia é bem provável que eu chegue a este estágio: ter tantas coleções até que falte lugar para guardar (espero que demore um bom tempo). Eu sempre fui adepta de coleções, umas deram certo, outras não passaram da primeira compra. Porém mesmo quando eu achava que estava isenta desse vício, na primeira organização do quarto eu descobria uma coleção escondidinha no fundo do guarda-roupa.
Já colecionei álbuns de figurinhas (nunca completados), folhas de fichário, pedras, moedas, tazos (para bater no recreio), papeis de carta e até folders de turismo, na época em que eu queria seguir essa carreira. Ou seja, de tudo um pouco. Alguns resquícios mais queridos dessas coleções ainda se encontram perdidos pela casa porque eu me recuso a jogar fora.
Hoje minhas coleções se resumem a essas das fotos (incluindo os livros, para os quais eu não tirei uma foto nova):

Marcadores de livros (isso não significa que eu encontre um deles quando preciso...)

Mangás

Matérias de jornais e revistas (Isso é antiquado hein?! Na época em que o acervo dos principais meios de comunicação do mundo está todo online e disponível, quem é que ainda se dá ao trabalho de recortar as matérias do papel e guardar? Bem, eu.)

Chaveiros (em destaque meus favoritos)

Cartões postais (desde aqueles que você pega de graça na porta do cinema até alguns que vieram do exterior)

Bonequinhos que eu gosto de guardar e, de vez em quando, expor pelo quarto.

Se você olhar o ato em si, colecionar não tem nenhuma utilidade aparente. Colecionar é algo que ocorre sem querer: você começa guardando uma ou outra coisa e quando vê já precisa de um caixa ou pasta para deixar tudo organizado. Se você não entende o que há de incrível em colecionar, acredite e, por incrível que pareça, isso é algo divertido e até gratificante. Digam, por favor, que eu não sou a única a ter essas manias e se quiserem mostrem suas coleções nos seus blogs.
Ah, e se qualquer dia eu aparecer em um daqueles programas dos Obsessivos Compulsivos com pessoas que guardam até guardanapos, bom... não se impressionem.

PS: Essa postagem foi inspirada no Rapaduracast dessa semana: Colecionadores e a arte de colecionar. É um podcast sobre cinema, mas os temas também passam por tópicos do mundo pop. Ouçam, é muito bom.
Aproveitando... estou bem atrasada com relação aos comentários e selos. Peço desculpas e aos poucos estou visitando e comentando todos os blogs. Obrigada pelas visitas e mensagens!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Sobre a beleza de ser escritor

1. Não precisa ser bonito: Tente fazer uma lista dos escritores galãs que você consegue lembrar. Provavelmente você não chegou nem ao top 10 e capaz desses listados nem serem tão bonitos, e se algum escritor for lindo demais é porque é algum artista de Hollywood que resolveu escrever sua autobiografia (e o livro é ruim). Ser escritor tem a proeza de ser uma das poucas profissões nessa sociedade de aparência em que o exterior não importa. Você não vai gostar menos de um livro só porque viu a foto do autor na orelha do livro e o achou feio. Escrever não depende do que você oferece por fora, depende exclusivamente do que há por dentro e para isso não há beleza física que consiga competir. Talvez seja essa a razão de que, mesmo que um escritor seja feio, a gente sai pendurando e caçando fotos dele por aí porque o acha “bonito”.

2. É famoso, mas não sofre assédio: Tem uma passagem em Coração de Tinta (Cornelia Funke) que diz: “A maior parte das pessoas não consegue imaginar que os livros são escritos por pessoas iguais a elas. Normalmente elas supõem que os escritores já estão mortos, e quase ninguém imagina que possa cruzar com um deles na rua ou no supermercado. As pessoas conhecem suas histórias, mas não os seus nomes, e muito menos o rosto. E a maior parte dos escritores gosta disso”. Por isso que ser escritor é ser celebridade sem sofrer assédio de possíveis tietes na rua. (Esse item é inválido em feiras de livros ou similares, porque aquela é a “Ilha de Caras” de qualquer escritor, seus momentos de autógrafos e fotografias).

3. Lê demais: não dá, para ser escritor é preciso ler de tudo, desde Ilíada até romances tipo B para categorizar o que é bom ou ruim. E o tópico se resume a só ler, mas é necessário muito mais porque todo tipo de cultura é válida para criar repertório: cinema, pintura, quadrinhos, TUDO.

4. Trabalha por amor: dá para trabalhar como recepcionista e não gostar do que faz; dá para ser diretor de uma empresa e não gostar do que faz; dá para ser presidente e não gostar do que faz. Mas não dá para ser escritor sem amar ser escritor. Escrever precisa vir da alma, não dá para juntar o que você aprendeu nos livros, tirar um pouco dos melhores clássicos mundiais e tentar escrever uma nova obra. É preciso deixar a si mesmo no papel, porque só assim você consegue emocionar um leitor.

Eu não sou escritora, por isso qualquer um pode discordar dessa postagem (principalmente os escritores que acharem que isso tudo é ladainha). Esse texto é uma simples homenagem a todos os escritores que algum dia me ensinaram alguma coisa através de suas palavras.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Minha vida sem internet

Se eu e o mundo ficássemos sem internet, eu não ficaria tão angustiada quanto se somente eu estivesse desconectada. Imaginar que há um universo de informações a disposição de todos enquanto eu preciso ficar presa ao que está fora da rede é demais para a minha paciência e gera até uma pontinha de inveja.
Se todas as redes fossem colocadas no off, eu conseguiria viver, mas sofreria com nostalgia lembrando de tempos melhores. Eu provavelmente iria todo dia a biblioteca e leria muito mais o jornal em papel, assistiria as notícias na televisão e esperaria por meses o episódio da minha série favorita. Olhando por esse lado, talvez eu fosse mais paciente.
Provavelmente eu conheceria menos de cinema porque boa parte do que eu sei, eu descobri pela internet. Se eu lesse hoje no jornal que Um lugar qualquer estreou nos cinemas e é dirigido pela Sofia Coppola eu, talvez, tivesse mais dificuldade em descobrir que ela também dirigiu Maria Antonieta, a não ser que eu deixasse o jornal de lado e desse uma olhada em alguma revista especializada. Podem achar engraçado, mas o modelo de jornal de hoje só traz “informações adicionais” para o leitor porque eles perceberam que o trivial já não era mais necessário e a internet já oferecia isso com muito mais facilidade e ainda trazia a mágica dos links que me faziam descobrir que a Sofia Coppola é filha do Francis Ford Coppola, cujo filme mais recente é Tetro e que ele veio para o Brasil para “ser entrevistado” no programa do Jô Soares. O trivial qualquer G1 te mostra e o jornal impresso começou a se preocupar com o que ele poderia oferecer a mais. Se não fosse assim nos últimos 10 anos, hoje estaríamos lendo que Um lugar qualquer estreou nos cinemas e é dirigido por Sofia Coppola. Ponto final.
Sem internet eu provavelmente não conheceria um terço dos autores que eu gosto. Primeiro porque eu só leio um livro depois de saber um pouco do autor e do que se trata o enredo (informações que eu pego... via internet) e segundo porque as bibliotecas, no geral, não têm um acervo que englobe desde a invenção da imprensa até Ian McEwan, ou seja, eu não conheceria novos autores e ficaria presa a zona de conforto literária.
Eu provavelmente não iria gostar tanto de mangás, porque parte desse amor surgiu através das scanlations. E, por não gostar de mangás, eu provavelmente não conheceria Jane Austen (!) porque eu descobri um pouco mais da autora através das sugestões de um blog sobre mangás e, mais tarde, pela procura de outros blogs sobre a escritora inglesa.
Nem me perguntem como eu faria uma matéria: minha sala da faculdade teria no lugar dos computadores as antiquadas listas telefônicas para buscar o contato de uma fonte. Meus textos seriam bem menos conhecidos porque eu não poderia divulgar e esse blog não existiria. Aliás, VOCÊ não saberia que eu existo e eu não leria seu blog e perderia grandes textos que encontro por aí. Esse texto não existiria sem a internet e você não estaria lendo-o, talvez estivesse descobrindo que Um lugar qualquer estreou nos cinemas e é dirigido pela Sofia Coppola. Só. Fim de papo.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Princesas ontem, hoje e felizes para sempre

Entre muitas coisas, uma das maiores lembranças que eu tenho da minha infância é a Branca de Neve cantando, meio pendurada no poço do castelo, quando, de repente, chega o Príncipe Encantado e eles se olham pela primeira vez para depois só se reencontrarem no final do filme. Outra lembrança, essa nem tão boa, é a assustadora transformação da madrasta em mendiga de olhos esbugalhados e verruga no nariz, até hoje quando eu vejo a cara da bruxa com a maçã eu sinto um arrepio.


Branca de Neve e os sete anões foi lançado em 1937 (!) e eu, que nasci mais de 50 anos depois, posso dizer que essa princesa marcou a minha vida até o VHS ficar gasto. Isso não me fez ficar esperando pelo príncipe, não me ensinou a conversar com animais e nem a encontrar sete amigos baixinhos, mas alguma coisa de toda aquela inocência deve ter influenciado nas brincadeiras do passado.
Até uns tempos atrás a Disney parou de produzir princesas, mostrando, talvez, que os tempos tinham mudado e essa história já não rendia o bastante. Mas essa magia retornou com Encantada, em 2007, quando as moças voltaram com nova roupagem: mais independentes, extrovertidas e mais reais.


Enrolados, lançado este ano, traz essa princesa que não quer te conquistar pela timidez, mas pelo carisma, pelo brilho que só essa Rapunzel possui. Ela canta, brinca, dança, diverte-se e não está procurando um príncipe, o amor simplesmente acaba esbarrando na vida dela. Enrolados é o conto de fadas feito para marcar a infância de hoje, com todos os itens necessários em uma boa história, com os elementos de um conto de princesa, com músicas marcantes para cantar junto (Alan Menken, te amo) e, de quebra, uma animação extraordinária com cabelos dourados e lanternas e uma paleta de cores recheada de roxos e amarelos. O conto de fadas perfeito para você criar uma lembrança bem bonita na criança (ou adulto) mais próximo.



Lembrando que o roteiro desta Rapunzel é diferente do original, como a Disney costuma fazer para deixar a história com um final feliz (não que isso seja ruim, pelo contrário). Para o conto original, até onde eu me lembro de outra memória da infância, a versão mais próxima é essa do programa Conto de Fadas que passava na TV Cultura (desenterrei). Ou tem uma ótima postagem sobre o filme no blog Shoujo Café explicando detalhes da história.

PS: Vamos combinar, a única dificuldade desse filme é você aguentar a voz do Luciano Huck e não achar que a qualquer momento ele pode anunciar o Lata Velha.