quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Enquanto houver espaço...

ATENÇÃO: preparem-se para uma postagem cheia de fotos, totalmente pessoal e sem aparente utilidade pública. Isso é um blog e ás vezes dá vontade de fazer essas coisas.

Essa semana eu estava no ônibus e vi um homem segurando dois livros, lendo um deles. Estava em pé ao seu lado, junto com a minha irmã, até que ele se virou e disse: "Vocês querem esse livro?" Em um impulso - consequência das exortações dadas pela família durante a infância para não aceitar nada de estranhos - minha irmã respondeu que não precisava. Ele ofereceu a mim e eu também recusei. A história foi então explicada pelo senhor: "Eu tenho uns 500 livros em casa, como não quero jogá-los fora, toda vez que eu saio na rua levo uns três ou quatro e saio oferecendo para as pessoas."

Um dia é bem provável que eu chegue a este estágio: ter tantas coleções até que falte lugar para guardar (espero que demore um bom tempo). Eu sempre fui adepta de coleções, umas deram certo, outras não passaram da primeira compra. Porém mesmo quando eu achava que estava isenta desse vício, na primeira organização do quarto eu descobria uma coleção escondidinha no fundo do guarda-roupa.
Já colecionei álbuns de figurinhas (nunca completados), folhas de fichário, pedras, moedas, tazos (para bater no recreio), papeis de carta e até folders de turismo, na época em que eu queria seguir essa carreira. Ou seja, de tudo um pouco. Alguns resquícios mais queridos dessas coleções ainda se encontram perdidos pela casa porque eu me recuso a jogar fora.
Hoje minhas coleções se resumem a essas das fotos (incluindo os livros, para os quais eu não tirei uma foto nova):

Marcadores de livros (isso não significa que eu encontre um deles quando preciso...)

Mangás

Matérias de jornais e revistas (Isso é antiquado hein?! Na época em que o acervo dos principais meios de comunicação do mundo está todo online e disponível, quem é que ainda se dá ao trabalho de recortar as matérias do papel e guardar? Bem, eu.)

Chaveiros (em destaque meus favoritos)

Cartões postais (desde aqueles que você pega de graça na porta do cinema até alguns que vieram do exterior)

Bonequinhos que eu gosto de guardar e, de vez em quando, expor pelo quarto.

Se você olhar o ato em si, colecionar não tem nenhuma utilidade aparente. Colecionar é algo que ocorre sem querer: você começa guardando uma ou outra coisa e quando vê já precisa de um caixa ou pasta para deixar tudo organizado. Se você não entende o que há de incrível em colecionar, acredite e, por incrível que pareça, isso é algo divertido e até gratificante. Digam, por favor, que eu não sou a única a ter essas manias e se quiserem mostrem suas coleções nos seus blogs.
Ah, e se qualquer dia eu aparecer em um daqueles programas dos Obsessivos Compulsivos com pessoas que guardam até guardanapos, bom... não se impressionem.

PS: Essa postagem foi inspirada no Rapaduracast dessa semana: Colecionadores e a arte de colecionar. É um podcast sobre cinema, mas os temas também passam por tópicos do mundo pop. Ouçam, é muito bom.
Aproveitando... estou bem atrasada com relação aos comentários e selos. Peço desculpas e aos poucos estou visitando e comentando todos os blogs. Obrigada pelas visitas e mensagens!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Sobre a beleza de ser escritor

1. Não precisa ser bonito: Tente fazer uma lista dos escritores galãs que você consegue lembrar. Provavelmente você não chegou nem ao top 10 e capaz desses listados nem serem tão bonitos, e se algum escritor for lindo demais é porque é algum artista de Hollywood que resolveu escrever sua autobiografia (e o livro é ruim). Ser escritor tem a proeza de ser uma das poucas profissões nessa sociedade de aparência em que o exterior não importa. Você não vai gostar menos de um livro só porque viu a foto do autor na orelha do livro e o achou feio. Escrever não depende do que você oferece por fora, depende exclusivamente do que há por dentro e para isso não há beleza física que consiga competir. Talvez seja essa a razão de que, mesmo que um escritor seja feio, a gente sai pendurando e caçando fotos dele por aí porque o acha “bonito”.

2. É famoso, mas não sofre assédio: Tem uma passagem em Coração de Tinta (Cornelia Funke) que diz: “A maior parte das pessoas não consegue imaginar que os livros são escritos por pessoas iguais a elas. Normalmente elas supõem que os escritores já estão mortos, e quase ninguém imagina que possa cruzar com um deles na rua ou no supermercado. As pessoas conhecem suas histórias, mas não os seus nomes, e muito menos o rosto. E a maior parte dos escritores gosta disso”. Por isso que ser escritor é ser celebridade sem sofrer assédio de possíveis tietes na rua. (Esse item é inválido em feiras de livros ou similares, porque aquela é a “Ilha de Caras” de qualquer escritor, seus momentos de autógrafos e fotografias).

3. Lê demais: não dá, para ser escritor é preciso ler de tudo, desde Ilíada até romances tipo B para categorizar o que é bom ou ruim. E o tópico se resume a só ler, mas é necessário muito mais porque todo tipo de cultura é válida para criar repertório: cinema, pintura, quadrinhos, TUDO.

4. Trabalha por amor: dá para trabalhar como recepcionista e não gostar do que faz; dá para ser diretor de uma empresa e não gostar do que faz; dá para ser presidente e não gostar do que faz. Mas não dá para ser escritor sem amar ser escritor. Escrever precisa vir da alma, não dá para juntar o que você aprendeu nos livros, tirar um pouco dos melhores clássicos mundiais e tentar escrever uma nova obra. É preciso deixar a si mesmo no papel, porque só assim você consegue emocionar um leitor.

Eu não sou escritora, por isso qualquer um pode discordar dessa postagem (principalmente os escritores que acharem que isso tudo é ladainha). Esse texto é uma simples homenagem a todos os escritores que algum dia me ensinaram alguma coisa através de suas palavras.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Minha vida sem internet

Se eu e o mundo ficássemos sem internet, eu não ficaria tão angustiada quanto se somente eu estivesse desconectada. Imaginar que há um universo de informações a disposição de todos enquanto eu preciso ficar presa ao que está fora da rede é demais para a minha paciência e gera até uma pontinha de inveja.
Se todas as redes fossem colocadas no off, eu conseguiria viver, mas sofreria com nostalgia lembrando de tempos melhores. Eu provavelmente iria todo dia a biblioteca e leria muito mais o jornal em papel, assistiria as notícias na televisão e esperaria por meses o episódio da minha série favorita. Olhando por esse lado, talvez eu fosse mais paciente.
Provavelmente eu conheceria menos de cinema porque boa parte do que eu sei, eu descobri pela internet. Se eu lesse hoje no jornal que Um lugar qualquer estreou nos cinemas e é dirigido pela Sofia Coppola eu, talvez, tivesse mais dificuldade em descobrir que ela também dirigiu Maria Antonieta, a não ser que eu deixasse o jornal de lado e desse uma olhada em alguma revista especializada. Podem achar engraçado, mas o modelo de jornal de hoje só traz “informações adicionais” para o leitor porque eles perceberam que o trivial já não era mais necessário e a internet já oferecia isso com muito mais facilidade e ainda trazia a mágica dos links que me faziam descobrir que a Sofia Coppola é filha do Francis Ford Coppola, cujo filme mais recente é Tetro e que ele veio para o Brasil para “ser entrevistado” no programa do Jô Soares. O trivial qualquer G1 te mostra e o jornal impresso começou a se preocupar com o que ele poderia oferecer a mais. Se não fosse assim nos últimos 10 anos, hoje estaríamos lendo que Um lugar qualquer estreou nos cinemas e é dirigido por Sofia Coppola. Ponto final.
Sem internet eu provavelmente não conheceria um terço dos autores que eu gosto. Primeiro porque eu só leio um livro depois de saber um pouco do autor e do que se trata o enredo (informações que eu pego... via internet) e segundo porque as bibliotecas, no geral, não têm um acervo que englobe desde a invenção da imprensa até Ian McEwan, ou seja, eu não conheceria novos autores e ficaria presa a zona de conforto literária.
Eu provavelmente não iria gostar tanto de mangás, porque parte desse amor surgiu através das scanlations. E, por não gostar de mangás, eu provavelmente não conheceria Jane Austen (!) porque eu descobri um pouco mais da autora através das sugestões de um blog sobre mangás e, mais tarde, pela procura de outros blogs sobre a escritora inglesa.
Nem me perguntem como eu faria uma matéria: minha sala da faculdade teria no lugar dos computadores as antiquadas listas telefônicas para buscar o contato de uma fonte. Meus textos seriam bem menos conhecidos porque eu não poderia divulgar e esse blog não existiria. Aliás, VOCÊ não saberia que eu existo e eu não leria seu blog e perderia grandes textos que encontro por aí. Esse texto não existiria sem a internet e você não estaria lendo-o, talvez estivesse descobrindo que Um lugar qualquer estreou nos cinemas e é dirigido pela Sofia Coppola. Só. Fim de papo.