terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Minha vida sem internet

Se eu e o mundo ficássemos sem internet, eu não ficaria tão angustiada quanto se somente eu estivesse desconectada. Imaginar que há um universo de informações a disposição de todos enquanto eu preciso ficar presa ao que está fora da rede é demais para a minha paciência e gera até uma pontinha de inveja.
Se todas as redes fossem colocadas no off, eu conseguiria viver, mas sofreria com nostalgia lembrando de tempos melhores. Eu provavelmente iria todo dia a biblioteca e leria muito mais o jornal em papel, assistiria as notícias na televisão e esperaria por meses o episódio da minha série favorita. Olhando por esse lado, talvez eu fosse mais paciente.
Provavelmente eu conheceria menos de cinema porque boa parte do que eu sei, eu descobri pela internet. Se eu lesse hoje no jornal que Um lugar qualquer estreou nos cinemas e é dirigido pela Sofia Coppola eu, talvez, tivesse mais dificuldade em descobrir que ela também dirigiu Maria Antonieta, a não ser que eu deixasse o jornal de lado e desse uma olhada em alguma revista especializada. Podem achar engraçado, mas o modelo de jornal de hoje só traz “informações adicionais” para o leitor porque eles perceberam que o trivial já não era mais necessário e a internet já oferecia isso com muito mais facilidade e ainda trazia a mágica dos links que me faziam descobrir que a Sofia Coppola é filha do Francis Ford Coppola, cujo filme mais recente é Tetro e que ele veio para o Brasil para “ser entrevistado” no programa do Jô Soares. O trivial qualquer G1 te mostra e o jornal impresso começou a se preocupar com o que ele poderia oferecer a mais. Se não fosse assim nos últimos 10 anos, hoje estaríamos lendo que Um lugar qualquer estreou nos cinemas e é dirigido por Sofia Coppola. Ponto final.
Sem internet eu provavelmente não conheceria um terço dos autores que eu gosto. Primeiro porque eu só leio um livro depois de saber um pouco do autor e do que se trata o enredo (informações que eu pego... via internet) e segundo porque as bibliotecas, no geral, não têm um acervo que englobe desde a invenção da imprensa até Ian McEwan, ou seja, eu não conheceria novos autores e ficaria presa a zona de conforto literária.
Eu provavelmente não iria gostar tanto de mangás, porque parte desse amor surgiu através das scanlations. E, por não gostar de mangás, eu provavelmente não conheceria Jane Austen (!) porque eu descobri um pouco mais da autora através das sugestões de um blog sobre mangás e, mais tarde, pela procura de outros blogs sobre a escritora inglesa.
Nem me perguntem como eu faria uma matéria: minha sala da faculdade teria no lugar dos computadores as antiquadas listas telefônicas para buscar o contato de uma fonte. Meus textos seriam bem menos conhecidos porque eu não poderia divulgar e esse blog não existiria. Aliás, VOCÊ não saberia que eu existo e eu não leria seu blog e perderia grandes textos que encontro por aí. Esse texto não existiria sem a internet e você não estaria lendo-o, talvez estivesse descobrindo que Um lugar qualquer estreou nos cinemas e é dirigido pela Sofia Coppola. Só. Fim de papo.

6 comentários:

Giovanna disse...

Digamos que sem internet nosso anonimato seria grande ksaokaosa

Internet já faz parte da realidade de todos praticamente.
@giovannamoser_

Chica disse...

Nós estamos viciados na internet...beijos,chica

Patrícia N. disse...

Nossa,sem internet eu não viveria simplesmente porque estaria desempregada! Além do lazer que é a nossa querida web!

Ana Lu disse...

Ai Bárbara, também me sentiria menos desesperada se fossem todos a perder a internet, e não somente eu, porque aí eu não estaria perdendo as coisas, elas simplesmente não estariam acontecendo. E realmente, não teria conhecido várias pessoas, lido vários ótimos textos, e lido vários outros livros.. hehe.
Beijos!

mariasamara disse...

Nossa, muito assustador a vida sem internet, né? Eu penso no mesmo modo.rs

Kamilla Barcelos disse...

Eu também troquei outros meios de comunicação pela internet, nem vejo tv. Concordo que o jornal impresso está mais completo. Tanto que para ler as notícias só leio a Folha de S.Paulo impressa e na internet só as notícias instântaneas que vejo no twitter.