quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Sobre a beleza de ser escritor

1. Não precisa ser bonito: Tente fazer uma lista dos escritores galãs que você consegue lembrar. Provavelmente você não chegou nem ao top 10 e capaz desses listados nem serem tão bonitos, e se algum escritor for lindo demais é porque é algum artista de Hollywood que resolveu escrever sua autobiografia (e o livro é ruim). Ser escritor tem a proeza de ser uma das poucas profissões nessa sociedade de aparência em que o exterior não importa. Você não vai gostar menos de um livro só porque viu a foto do autor na orelha do livro e o achou feio. Escrever não depende do que você oferece por fora, depende exclusivamente do que há por dentro e para isso não há beleza física que consiga competir. Talvez seja essa a razão de que, mesmo que um escritor seja feio, a gente sai pendurando e caçando fotos dele por aí porque o acha “bonito”.

2. É famoso, mas não sofre assédio: Tem uma passagem em Coração de Tinta (Cornelia Funke) que diz: “A maior parte das pessoas não consegue imaginar que os livros são escritos por pessoas iguais a elas. Normalmente elas supõem que os escritores já estão mortos, e quase ninguém imagina que possa cruzar com um deles na rua ou no supermercado. As pessoas conhecem suas histórias, mas não os seus nomes, e muito menos o rosto. E a maior parte dos escritores gosta disso”. Por isso que ser escritor é ser celebridade sem sofrer assédio de possíveis tietes na rua. (Esse item é inválido em feiras de livros ou similares, porque aquela é a “Ilha de Caras” de qualquer escritor, seus momentos de autógrafos e fotografias).

3. Lê demais: não dá, para ser escritor é preciso ler de tudo, desde Ilíada até romances tipo B para categorizar o que é bom ou ruim. E o tópico se resume a só ler, mas é necessário muito mais porque todo tipo de cultura é válida para criar repertório: cinema, pintura, quadrinhos, TUDO.

4. Trabalha por amor: dá para trabalhar como recepcionista e não gostar do que faz; dá para ser diretor de uma empresa e não gostar do que faz; dá para ser presidente e não gostar do que faz. Mas não dá para ser escritor sem amar ser escritor. Escrever precisa vir da alma, não dá para juntar o que você aprendeu nos livros, tirar um pouco dos melhores clássicos mundiais e tentar escrever uma nova obra. É preciso deixar a si mesmo no papel, porque só assim você consegue emocionar um leitor.

Eu não sou escritora, por isso qualquer um pode discordar dessa postagem (principalmente os escritores que acharem que isso tudo é ladainha). Esse texto é uma simples homenagem a todos os escritores que algum dia me ensinaram alguma coisa através de suas palavras.

6 comentários:

Ana Lu disse...

Nossa Bárbara, que homenagem mais linda! Eu me emocionei lendo, imagine então um escritor! Concordei com tudo, mas principalmente com o último. É com certeza uma profissão que só se tem quando se ama! Beijos!

Paloma disse...

Muito verdadeiro! E eram coisas nas quais eu nunca tinha pensado. Principalmente a parte sobre se amar o que faz, ninguém escreve de má vontade, pelo menos não alguém que possa ser considerado um escritos de verdade.

Gostei muito do texto, foi uma homenagem muito bonita.
Bjos

Larissa L. disse...

Concordo e muito, Bárbara!
Como você, admiro muito aqueles escritores que já me ensinaram algo nessa vida... e além disso, admiro suas vidas, pois sempre imagino um escritor como sendo algo misterioso, surreal, de pura alma mesmo...!
E não tem como escrever sem gostar, mesmo! digo isso como simples escritora de diários e penso como seria difícil me expressar caso não gostasse de escrever! quer dizer, qual seria o caminho??? ehehe!
Beijo grande!

Jess. disse...

Ser escritor é uma das profissões mais nobres do mundo. Você não precisa de maiores pretensões, só o prazer em escrever, o prazer em passar aquela mensagem. Não que eu diminua as profissões que usam o corpo e não a mente para se expressar, mas a escrita tem aquilo à mais, que nos faz pensar e considerar e devanear...

muito bonita a sua homenagem.

Rart og Grotesk disse...

ta ae uma coisa interesante, nunca parei p/ pensar nisso, é verdade! nao ouvimos falar em escritores bonitõe não é?
mas tem que ter um dom em tanto, e claro, gostar de escrever. Tinha uma época que eu euria ser escritora e até cheguei a escrever uma histórias, deu umas 100 páginas no word mas aí deletei tudo, achei que tava uma porcaria, e no fim das contas, tava mesmo...
gostaria que conhecesse meu blog http://artegrotesca.blogspot.com
bjs

mariasamara disse...

Ótimo seu olhar e sua observação sobre os escritores, concordo demais.