quinta-feira, 24 de março de 2011

Simples, divertido e lindo

Seus lindos

Cantando na Chuva se passa em 1927, o início da decadência do cinema mudo. Don Lockwood (Gene Kelly) é famoso por seus papeis românticos com Lina Lamont (Jean Hagen), mas quando o filme em que eles estão atuando necessita de diálogos o maior problema é a voz terrível da atriz. Don conta com a ajuda de seu amigo e compositor Cosmo Brown (Donald O’Connor) e da atriz de teatro Kathy Selden (Debbie Reynolds) para salvar a produção e transformá-la em um musical, mesmo que para isso eles tenham que dublar a voz de Lina.
O roteiro é bastante simples com diálogos curtos feitos para sustentar a narrativa e as músicas. No entanto, por baixo desta simplicidade, vemos uma homenagem ao cinema, que é o assunto principal do longa, indo do período do cinema mudo à era de ouro da indústria americana, e isso que traz a beleza de Cantando na Chuva. Até mesmo a produção dos números musicais se restringe a utilizar elementos do espaço em que esta se desenrola e, assim, galpões, casas ou ruas se transformam em cenários para as danças (com exceção a Broadway Melody B allet) sem exagerar com efeitos ou acessórios, mantendo o foco nas coreografias e no ambiente.

Os personagens também não fogem das figuras típicas em qualquer produção, mas estes ganham notoriedade graças às atuações confiantes do elenco: Gene Kelly é o galã que conquista no papel de bom moço; Debbie Reynolds é o par romântico, uma cativante doce atriz com opiniões firmes, e consegue acompanhar os dois protagonistas dançarinos sem perder sua importância; Donald O’Connor é o incrível suporte cômico para todo o elenco. Até os coadjuvantes não passam despercebidos com destaque para a insuportável, mas necessária, Lina Lamont, personagem que rendeu a indicação ao Oscar de Atriz Coadjuvante para Jean Hagen.
Cantando na Chuva é um filme simples e que, além de prestar um tributo à sétima arte, só ambiciona divertir o público através de seus números musicais bem montados e com coreografias e canções marcantes. É um filme feito para deixar qualquer um feliz (e é lindo demais).

(Aparentemente o Youtube não permite a incorporação dos videos de Cantando na Chuva. Não tem problema: joguem Singin' in the rain na busca e assistam mais do que a cena conhecida da dança na rua. Vejam, por exemplo, Make 'em laugh, Good Morning e Moses supposes. Viu, nem precisa fazer a busca.)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Só as crianças entendem III

Proponho um desenho para as crianças e vou buscar os lápis de cor. Encontro um pote cheio deles sem pontas. Insisto que as crianças tentem desenhar mesmo assim, enquanto saio à caça de um apontador. Na minha interminável busca, uma menina solta a bomba pela qual eu não esperava:

- Professora, não dá para desenhar! Todos esses lápis estão desapontados!

E aí que eu percebi que não deveria procurar um apontador: tudo que os lápis precisavam era de muito amor e carinho para passar aquela tristeza.

(Só as crianças entendem I e II)