sábado, 14 de maio de 2011

Programas de culinária feitos para você

Não existe nada melhor para uma hora de descanso do que sair zapeando pelos canais da TV a cabo. São nesses momentos que você descobre os programas mais esdrúxulos nos canais mais – aparentemente – inúteis.
De uns tempos para cá, minha nova mania tem sido descobrir novos programas e realities de culinária. Se você espera algo, do que eu vou chamar Palmirinha-style, com uma câmera filmando a cozinheira-vovó atrás da bancada e um boneco para interagir durante a receita, desista. Os estrangeiros se acham superiores a esses programas de culinária feitos para donas de casa que gostam de cozinhar: agora a moda é programas de culinária para pessoas que provavelmente não gostam de cozinhar e não vão seguir nenhuma das receitas “ensinadas” pela televisão.

Esses programas de culinária moderna repudiam a anterior geração Palmirinha-style: os apresentadores são bonitos, passam a impressão de estarem na melhor época de suas vidas enquanto cozinham. Nada de câmeras paradas, o jeito é exagerar nas cores e na luz e mostrar os ingredientes desfocados fazendo com que, mesmo que você quisesse acompanhar a receita, você não conseguisse descobrir qual é o alimento. Os cozinheiros não precisam de fantoches, já que conversam com a câmera e interagem com o telespectador de um jeito que Machado se orgulharia. Você entra dentro da casa dos apresentadores e em suas cozinhas que geralmente são ao lado de belos jardins com mesas propositalmente arrumadas para a degustação posterior. E, por último, cozinhar sempre é muito fácil para eles.


Assim, de memória, consigo lembrar de três programas dessa categoria. O primeiro é The Delicious Miss Dahl onde as receitas variam de acordo com o humor da cozinheira (que já foi modelo internacional), ou seja, ela cria pratos para quando você está alegre, bravo ou triste – como se nas horas de depressão a gente quisesse cozinhar; o melhor mesmo é se jogar na pizza, chocolate e sorvete.
O segundo é o programa da Nigella onde, aí sim, sempre cozinhar é muito fácil. Você consegue, em uma única noite, fazer uma ceia de Natal, colocar as crianças na cama, tomar um vinho e ainda conversar com os amigos, porque, novamente, cozinhar é muito prático (não me perguntem quem fica responsável por lavar a louça).
O último é programa do chef Jamie Oliver, para o qual congelados, semi-prontos e miojos devem ser banidos da face de qualquer casa sobre a Terra. Esse é o mais interessante porque ele é praticamente o stand up dos programas de culinária: alguns episódios são gravados em teatros e com a interação do público onde ele não somente faz massa de macarrão em dois minutos como também canta e toca bateria. Ao final, a gente só lembra das piadas e acaba ignorando as receitas saudáveis.

Eu não acredito que o público alvo desses programas sejam as donas de casa interessadas por culinária – essas assistem Palmirinha-style. Os programas de culinária modernos parecem ter sido elaborados por pessoas que acreditam que jovens solteiros, recém-casados ou famílias queiram gastar um bom tempo cozinhando de forma saudável e recompensadora.

Não funcionou comigo.

Sabe qual é meu programa de culinária preferido? Man VS Food.



O programa é simplesmente sobre um cara que percorre os Estados Unidos a procura dos melhores lanches gordurosos ao estilo fast food e, ao final de cada episódio, trava uma guerra contra a comida tentando saborear porções gigantescas oferecidas pelos restaurantes, indo desde torres de panqueca a pizzas tamanho família.

Isso sim é um programa de culinária para deixar qualquer gordinho tenso mais feliz.