sexta-feira, 15 de julho de 2011

Direitos tecnológicos

Resolvi tomar vergonha na cara e imprimir algumas fotos que estavam armazenadas no computador. Fui direto para uma daquelas máquinas que entregam a imagem na hora, uma funcionária quis agilizar o trabalho e sugeriu ajuda. Nisso nem olhei as imagens antes de imprimir, e, enquanto esperava, um senhor ao meu lado me chamava para uma conversa.

- Você está imprimindo fotos?

Colocando esse diálogo por escrito eu penso em várias respostas sarcásticas, mas isso seria uma grosseria na vida real e portanto expliquei para o senhor que, sim, estava imprimindo fotos.

- Puxa, você tirou com a câmera digital? E trouxe como?

- Passei as imagens da câmera para esse pen drive e imprimi. – eu sou paciente com velhinhos que tem interesse em aprender.

O senhor ficou tão impressionado que até chamou a colega ao seu lado para contar a novidade. A mulher nos ignorou e estava mais interessada em duvidar da honestidade do funcionário acusando-o de ter feito menos calendários do que ela havia pedido.

- O que é a tecnologia, não?! – continuou o homem – Daqui um tempo não vamos precisar nem de funcionários, serão só robôs nos atendendo. E vai ser mais fácil: se eles falarem “não vou fazer isso”, você diz “Ah é, então EU VOU TE DESLIGAR” e o robô vira e “não, não, espera um pouco, eu ajudo”. Hahahahaha.

Imaginei uma sociedade cheia de robôs assustados já que eles podem ser desligados a qualquer momento (e re-ligados no instante seguinte). Isso poderia ser tratado como crime, desligar um robô seria um atentado a vida da máquina, delitos assim seriam destinados a cadeira elétrica, já que o simples robô está lá simplesmente para cumprir sua função: “Isto fica feliz em ser útil”, eles responderiam assim como em O Homem Bicentenário. Isaac Asimov seria principal literatura no curso de Direito Robótico.

O senhor foi convocado por sua colega dos calendários e eu dei uma olhada nas fotos impressas. Por causa da pressa da atendente em imprimir as imagens, sem deixar eu dar uma olhada no enquadramento, a cabeça de um dos meus amigos foi cortada para fora da fotografia. Tenho certeza que um robô não cometeria esse erro, ou eu ameaçaria desligá-lo.

2 comentários:

Ana Lu disse...

Ei Bárbara! Eu sabia que mais cedo ou mais tarde você voltaria, hahaha. E é um sarro mesmo explicar essas coisas para os mais velhinhos. Meus avós tentando entender MSN é um sarro. Uma vez ficaram de mau de mim porque eu não queria mostrar minha tia para eles. Vai explicar que ela precisava ficar online? Sem condições, hahaha.
Beijos!

-Lú Pierson disse...

Adorei! Muito engraçado o seu texto Bárbara, eu realmente dei risada!
Fiquei imaginando o senhor impressionado com as novas tecnologias - que já estão deixando de ser novas e tornando-se óbvias, afinal quem nesse mundo não tem um pen drive? Há pessoas que carregam praticamente a vida em apenas algumas Gigas!